Até bem pouco tempo, o "mundo ocidental" só ouvia falar em ditadura na Coreia do Norte, no Irã e - apesar de todos os méritos do regime comunista no campo social - em Cuba. Às vezes, também na Venezuela. Mas dois países misteriosamente entraram nessa lista (será que o Mister M explica essa mágica?). Antes de invadir o Kuwait, Saddam Hussein também não era considerado ditador.Agora, por que será que boa parte das pessoas "descobriram" que no Egito há ditadura e que a (até então) inexpressiva Tunísia foi governada por um ditador, que foi expulso recentemente por um levante popular? Resposta: porque os ditadores desses países são importantes aliados dos Estados Unidos para que haja uma certa "estabilidade" política na região (rica sobretudo em petróleo, fosfato e outros produtos minerais), a fim de garantir os lucros das grandes empresas desse império.
E para que esses interesses não fossem prejudicados, a chamada "grande imprensa" (ou a mídia burguesa) simplesmente se calou diante dos desmandos desses opressores... Até que tunisianos e egípcios se revoltaram e graças à divulgação feita nas mídias alternativas (blogues, redes sociais, etc.) não houve como esconder esse descontentamento popular, fruto da tomada de consciência, e da coragem de lutar pela liberdade!Diante dos motivos que levaram esses povos a se rebelarem, pergunto: o que o "Tio Sam" fez durante todo esse tempo? Cadê o empenho em implantar o seu jeito de fazer "democracia" no Egito e na Tunísia? Na Venezuela o presidente é eleito, mas ele é tachado de "ditador". O que dizer então do Ben Ali e do Mubarak? Veja o resumo a seguir, de um especial produzido pelo Jornal Brasil de Fato (do qual sou assinante), que transmite os fatos a partir do ponto de vista dos oprimidos.
Agora, só resta saber se tudo isso irá resultar em melhoria na vida desses povos ou não. Dependerá do rumo dos acontecimentos e das decisões que eles tomarão: lutar até o fim ou aceitar "esmolas" de democracia...Leia também o excelente artigo de Ignácio Ramonet: Tunísia, Egito, Marrocos...Essas “ditaduras amigas”
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