terça-feira, 15 de junho de 2010

A idéia é liberar geral...

Se aprovadas, as alterações propostas ao Código Florestal certamente levarão ao aumento do desmatamento. É importante que estejamos por dentro dessa discussão no Congresso Nacional e manifestemos que somos CONTRÁRIOS a qualquer mudança que traga danos ao meio ambiente.
Saiba mais:
Se não fizermos nada, a Amazônia não passará de uma porção de mata cercada de lavoura e deserto por todos os lados, como vemos na foto abaixo, tirada por Rodrigo Baleia do Greenpeace:
Sobra de floresta em propriedade rural na Amazônia

quinta-feira, 10 de junho de 2010

JUNHO: MÊS DE COPA E SÃO JOÃO

Nos dias 18, 19 e 20 de junho, vai acontecer a tradicional festa de "São João em São Paulo", no sambódromo do Anhembi (situado próximo à Rodoviária e Estação Tietê do Metrô).
A festa trará nove ambientes com temáticas típicas do São João. Entre as atrações estão: apresentações folclóricas, feira de artesanato, tenda para teatro de cordel, quermesse, espaço infantil, barracas de comidas e bebidas típicas.
Além disso, a festividade terá a presença de diversos ícones da música nordestina, como Elba Ramalho, Alceu Valença e muito mais. Venha aproveitar e curtir!

Hoje começa a maior competição do futebol mundial: a Copa do Mundo, que, neste ano, acontece na África do Sul. Informações: http://copa2010.ig.com.br

terça-feira, 8 de junho de 2010

FUTEBOL, DEVOÇÃO BRASILEIRA

Este texto foi escrito por Frei Betto* em 2006 (também ano de Copa), e reproduzo em razão da proximidade da realização de mais uma edição da maior competição do futebol mundial, a ser realizada na África do Sul. Faltam apenas 2 dias!!!

Futebol é jogo, e jogo é irmão gêmeo da arte. Se a arte nos faz transcender – pois todo artista é clone de Deus –, e traduz a busca de imortalidade de quem a cria, o jogo é bola no chão: condensa a vida.

Não há um jogo igual ao outro. Cada partida é única, singular, regida pelo princípio quântico da indeterminação. Ao ver a bola, impossível prever com segurança o movimento que fará. Se está em movimento, como num passe entre Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho (craques de então), nada impede ser interceptada por uma cabeçada do jogador adversário ou pelo apito do bandeirinha marcando impedimento.

A vida é jogo. Ao nascer, entramos em campo, com a diferença de que não sabemos quando termina a partida. Sabemos, por experiência, que ela é imprevisível. Porque não somos o que pensamos. Somos o que fazemos. E nem sempre agimos segundo os princípios que abraçamos. Nosso agir é interagir. Ao “eu sou eu e minhas circunstâncias”, de Ortega y Gasset, podemos acrescentar: “eu somos nós”, coletividade. Nós de relações com os semelhantes e a natureza.

Ninguém jamais está com a bola toda. Nosso existir depende de passes alheios, uns certeiros, outros desastrosos; e da capacidade de driblar situações complicadas; de cabeçadas imprevistas, faltas, contusões, chutes para escanteio e jogadas certeiras. Ainda que façamos gol – na vida familiar e profissional – a bola sempre retorna ao campo e o jogo recomeça, incessante peleja de Sísifo.

Jamais saberemos o placar final. E a sabedoria consiste em jogar sem blefar (ética), atento às regras, embora seja frequente a tentação de burlá-las. Quantos campeões, hoje, deixaram o campo cobertos de derrotas? Sócrates, Jesus, Joana D’Arc, Tiradentes, Van Gogh… A recíproca é verdadeira. Campeões de ontem ergueram a taça da vitória sem imaginar que o tempo os faria beber o fel da ignomínia: Nero, Hitler, Stálin, Médici…

Essa associação que ocorre no nosso inconsciente entre vida e jogo induz-nos a torcer com entusiasmo. Joga-se no campo a estima de uma nação, dos adeptos de um time, do torcedor como indivíduo. O esporte catalizador, dionisíaco, varia de país a país. Na Grécia antiga, a maratona; nos EUA, o beisebol; na Rússia a nação pára atenta a um tabuleiro de xadrez; no Brasil, o futebol.

O futebol é a nossa alma e exprime a nossa criatividade, que transcende a razão. Como no teatro grego, no estádio ritualiza-se a catarse de um povo. Tudo gira em torno de uma bola, objeto esférico, a mais perfeita forma espacial, símbolo do Universo, do globo terrestre, do firmamento, da totalidade de todos os opostos que se anulam entre si. Figura geométrica dinâmica, como a nossa índole. A bola expressa, como todo círculo, a volta a si mesmo, e significa unidade e perfeição.

O campo, com seu gramado impecável, é o nosso Jardim do Éden, encerrado num estádio que, em geral, tem a forma esférica. Ali se decide o nosso destino. Convém lembrar que ‘gol’ deriva do inglês goal, que significa ‘objetivo’. Há que alcançá-lo, ainda que pelos meandros labirínticos do jogo; importa estar simbolizado na disputa. E todo o jogo se dá graças à cooperação, ao entrosamento, à confiança entre jogadores. E implica a derrota do adversário, embora sem anulá-lo, reconhecendo-lhe sempre o direito de uma nova chance de buscar a vitória. No fim, predomina a compaixão.

Como os jogos de Olímpia, na Grécia antiga, o futebol é tragédia e comédia, derrota e vitória, tristeza e alegria. Bola nos pés, emoção no coração, é a nossa mais evidente expressão religiosa pagã, multirreligiosa. Acendemos velas, fazemos promessas, alimentamos orixás, mobilizamos figas e amuletos.

Os heróis do panteão brasileiro, imortalizados na memória nacional, são Didi, Garrincha, Pelé, Tostão, Zico e tantos outros jogadores de futebol. Somos fiéis devotos dos times pelos quais torcemos. Ainda que perca ou seja rebaixado, não admitimos rejeitá-lo nem arrancar do coração o anel (bola) de nossa imorredoura fidelidade. Pois temos fé de que, no futuro, nos dará grandes alegrias e vitórias.

A Copa é copo, é taça na qual todos sorvemos alento e esperança, numa comunhão que sacramenta a união de 180 milhões de brasileiros. Tamanha a sua importância para o povo brasileiro, o futebol deveria ser tombado como patrimônio nacional.

* Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de “Gosto de Uva” (Garamond), entre outros livros.

HUMOR - Por falar em meio ambiente...