quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A paz que somos...

A paz que somos
Dom Pedro Casaldáliga

A paz não é apenas
a flor branca
nas pontas de uma vida.

A paz é a raiz e a seiva,
é a árvore toda.

A paz não se improvisa
num gesto de teatro
alvoroçando bandeiras.

A paz se é
estando em paz consigo,
com Deus e com o Mundo.

A paz é sermos paz,
pensando paz,
falando em paz,
fazendo paz.

Temos a paz que somos,
a paz que damos,
a paz que recebemos
d'Aquele que é a Paz.

Esperar, sim... Mas ESPERAR CAMINHANDO

DIA DA ESPERANÇA
Frei Betto

A esperança é uma das três virtudes teologais, ao lado da fé e do amor. Rima com confiança, termo que deriva de fé: quem acredita, espera; e quem espera, acredita. Esperar é confiar.

(...)

O marxismo foi a primeira grande religião secular, capaz de traduzir a esperança em sociedade ideal. Introduziu na cultura ocidental a consciência histórica, a percepção do tempo como processo histórico a tal ponto que o ser humano passou a prefigurar sua existência, não mais em referência aos valores subjetivos, mas ao devir, lutando contra os obstáculos que impedem a realização do que se espera como ideal libertador.

Para o cristão, a utopia do Reino supera as utopias seculares, sejam elas políticas, técnicas ou científicas. Espera-se, neste mundo a realização plena das promessas de Deus, o que plenifica e transfigura o mundo. Assim, à luz dessas promessas elencadas na Bíblia, o cristão mantém sempre uma postura crítica frente a toda realização histórica, bem como diante dos modelos utópicos. O homem novo e o mundo novo são resultados do esforço humano através do dom de Deus que, em última instância, os conduzem ao ápice.

A esperança é o caminhar na fé para o seu objeto. Esse processo não é contínuo, pois somos prisioneiros da finitude, embora trazendo a Infinitude em nossos corações. Por isso, o caminhar é entrecortado de dúvidas e dores, conquistas e alegrias, mas sabe que, se trilha as sendas do amor, tem Deus como guia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mensagem natalina


Natal, noite de luz
Frei Carlos Mesters


No princípio, criando o céu e a terra, Deus começou sua ação;
vencendo as trevas criou a luz.
Terminará sua obra eliminando as trevas, inundará tudo de luz.

A luz de Deus já está chegando, chega como o sol, projeta sua claridade antes de nascer.
A alvorada antecipa a luz do dia.
A alvorada de Deus é Jesus Cristo.
Ele nos antecipa a chegada de Deus.

Jesus é a vida humana nascido de Deus.
Ensinou querer bem, servir ao irmão, saber-se amado por um grande amor,
capaz de nos realizar e dar sentido à vida.

Esta é a luz que Jesus nos trouxe. Ele á a luz do mundo.
O amor é a luz que faz da terra a morada de Deus, possibilita a vida,
traz alegria e indica o caminho.
A falta de amor, - o nosso egoísmo - retarda o dia,
nos envolve em trevas, as trevas da ausência de Deus.
Elas fazem de Deus um estranho na terra, impedem a vinda da alvorada.

A luz do dia vem sem nós.
A luz de Deus vem por nós.
Nada fazemos para o sol nascer.

Precisamos tudo fazer para Deus aparecer.
E Deus virá como luz.
A luz de Deus é o querer bem, alegria dos olhos,
presença tranquila, a bondade amiga a valorizar o irmão.
Onde há amor e caridade a luz vence as trevas,
lá Deus vem chegando para a festa final.

Feliz Natal!

Conversão "digital"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tradição de Natal no centro de São Paulo

O presépio como representação do nascimento de Cristo tem tudo a ver com os franciscanos. Foi São Francisco de Assis, em 1223, na cidade italiana de Greccio, quem pela primeira vez na história celebrou a noite de Natal com uma encenação plástica do nascimento de Jesus, tendo pessoas representando os personagens bíblicos e animais reais na manjedoura. Com isso, ao longo dos séculos, tornou-se uma tradição entre os franciscanos marcar a passagem do Natal sempre de forma artística, e não apenas litúrgica, com a montagem de presépios com seres vivos ou esculturas.

Pela 21ª vez, os frades do Convento São Francisco, no Centro de São Paulo, mantêm uma tradição franciscana: a Exposição de Presépios. Neste ano, a mostra foi aberta dia 8 de dezembro, às 11h30, no claustro do Convento São Francisco, e vai até o dia 2 de janeiro.

A organização está a cargo de Frei Róger Brunório, que é museólogo. Ele montou um total de 29 presépios, entre modelos nacionais e internacionais.

Frei Róger reuniu conjuntos da Europa, África, Ásia, Oriente Médio e América Latina. Entre eles, destaca o presépio da Filipinas, que em vez de Maria e José tem São Francisco e Santa Clara como imagens centrais. Outro presépio é um trabalho do artista plástico Adelino, que através da reciclagem aborda um tema bem atual e ecológico”, explica Frei Róger, que monta pela primeira vez uma exposição em São Paulo, já que antes residia no Rio de Janeiro.

Segundo o frade franciscano, procurou fazer uma exposição em que as peças se destacassem. “Os cenários são mais simplificados para que as esculturas tenham o destaque merecido”, acredita.

Frei Róger contou com o apoio de uma equipe de profissionais da Rainha de Copas Produções Culturais para montar o cenário: “A organização é do Convento São Francisco, que procura manter esta tradição franciscana. Tivemos também o apoio das Editorias Paulus e Vozes, e do Pró-Vocações Franciscanas”. Ele também destacou o apoio de Frei Estêvão Ottenbreit, que forneceu 8 conjuntos de sua coleção para a mostra.

Informações: A Exposição de Presépios está aberta diariamente, até o dia 2 de janeiro de 2011, das 10 às 18 horas, no Largo São Francisco, 133, interior do Convento São Francisco (não abrirá nos dias 24, 25, 31 e 1º).

Telefone: (11) 3291-2400

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Homenagem ao Rei do Baião

13 de Dezembro - Dia Nacional do Forró


O Dia Nacional do Forró foi idealizado por Paulo Rosa (proprietário da casa noturna Canto da Ema), que há anos buscava fazer com que sua idéia transformasse-se em lei. O projeto foi apresentado ao Congresso Nacional pela deputada Luiza Erundina. A lei número 11.176, que institui o Dia Nacional do Forró como o dia 13 de dezembro, foi promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de setembro de 2005. A data foi escolhida por ser o dia de nascimento de Luiz Gonzaga, o "Gonzagão", considerado o principal difusor do ritmo nordestino.

Para Paulinho, o dia não poderia ser comemorado em outra ocasião que não o dia do nascimento do Rei do Baião. "Gonzaga não só tocava as melodias da região, como cantava as letras que descreviam os costumes nordestinos e vestia o chapéu de couro e o gibão, peças tradicionais do vestuário da região. E, mais do que tudo isso, encarregou-se de ser o grande porta-voz da cultura nordestina", acredita ele. De acordo com o empresário, a lei que cria o Dia Nacional do Forró é importante, pois nos anos 60 e 70 o ritmo quase sumiu. "Não se trata apenas de homenagear um dos grandes baluartes da nossa cultura, mas de uma data que visa comemorar um dos mais importantes e genuínos ritmos brasileiros. Quanto mais valorizarmos nossa cultura, maior será o espírito de cidadania", pondera Paulo.

A história do forró

O forró possui as mesmas raízes que o samba, ou seja, ambos originaram-se da mistura de influências africanas e européias. A origem do forró é controversa. É certo que o ritmo nasceu no Nordeste e foi apresentado ao Sul do país por Luiz Gonzaga nos anos 40. Mas quando, onde e como ele apareceu lá no sertão ainda é, de certo modo, um mistério que vem dividindo muitos estudiosos e músicos. A versão mais popular de sua origem, até transformada em canção por Geraldo Azevedo em 1982, é que o nome viria dos dizeres For All (em inglês "para todos").

A frase vinha escrita nas portas dos bailes promovidos pelos ingleses em Pernambuco, no início do século, quando eles vieram para o Brasil construir ferrovias. Se a placa estivesse lá era sinal de que todos podiam entrar na festa, regada a ritmos dançantes que prenunciavam o forró de hoje. Nestes bailes, eram tocados todos os tipos de música e também o ritmo precursor do forró atual. A segunda versão é dada pelo historiador e pesquisador da cultura popular Luís da Câmara Cascudo, que diz que a origem é o termo africano "forrobodó", que significaria festa, bagunça. Em alguns povoados pequenos do País (como na Ilha Grande RJ ou na Ilha do Mel PR) forró significa bailão popular ou arrasta pé, onde se dança de tudo.

Atualmente, o forró está sofrendo alterações em relação ao seu perfil original, com o surgimento de novos grupos musicais e o sucesso que está fazendo entre os jovens. Da mesma forma que o pagode ressuscitou sambistas antigos, como Martinho da Vila e Paulinho da Viola, os novos grupos de forró estão ajudando a divulgar o ritmo e suscitar interesse nos velhos mestres, como Dominguinhos e Luiz Gonzaga. Para muitos músicos, o forró é um caldeirão de culturas de várias épocas e regiões que vai modificando-se e adaptando-se a cada geração.

Deputada justifica a lei

A deputada Luiza Erundina justifica a existência da lei argumentando que uma Nação se faz por sua gente, sua história, sua língua, seus laços culturais e econômicos.

No Brasil, país de dimensões continentais, com acentuadas diferenças culturais e econômicas existe um traço marcante que caracteriza nosso povo. Esse traço é a forma alegre e descontraída de ser e de se expressar.

Vemos, na música e na dança, a manifestação maior desse jeito brasileiro de ser e, dentre outras, sem dúvida o Forró, baile popular onde se dança o Baião, o Xote, a Toada e o Xaxado, é uma dessas manifestações que se difundiu em todo o país.

Acompanhando a saga do nordestino que migra em busca de um futuro melhor, o Forró não pertence mais só ao Nordeste, pertence a todo o Brasil.

E, ao se falar de Forró, não há como não lembrar do Rei do Baião, o velho Gonzagão, Luiz Gonzaga do Nascimento. Nordestino, de Exú/PE, nascido em 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga é uma das maiores expressões de nossa brasilidade. Respeita Januário, Vem Morena, Juazeiro, Assum Preto, Baião, Sabiá, Cintura Fina são algumas das músicas consagradas pela genialidade de sua sanfona. Asa Branca, do folclore nordestino, pelas suas mãos mágicas transformou-se em um verdadeiro hino da esperança por um Brasil justo, sem tamanhas judiações.

O Dia Nacional do Forró é uma homenagem ao povo nordestino que como brasileiros, contribuem, e em muito, para a grandeza de nossa Nação comemora a deputada.

Veja o brilhante depoimento de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Com que roupa? Festa do POETA DA VILA!!!

Foi em 11 de dezembro de 1910, que chegou ao mundo, em Vila Isabel, subúrbio carioca – bairro boêmio da cidade, berço de grandes sambistas – um dos maiores artistas do país: NOEL ROSA. Seu centenário faz matar a saudade do “Poeta da Vila”, patrimônio cultural do Brasil.

Sua obra foi marcada por geniais composições como Feitiço da Vila, Rapaz Folgado, Conversa de Botequim, Palpite Infeliz, As pastorinhas e tantas outras, mais de 300, cujo estilo era pontuado pelo bom humor e representava com fidelidade a alma boêmia do Rio de Janeiro. Noel foi responsável pela legitimação do samba do morro no asfalto, ao lado de grandes nomes, tais como Cartola, Lamartine Babo e Ary Barroso, e influenciou figuras como Chico Buarque, Paulinho da Viola e outros importantes nomes da MPB. Um de seus temas favoritos era o bairro onde nasceu que atualmente tem a gravação de partituras de suas músicas nas calçadas de pedras portuguesas, e esculturas, como sua estátua na entrada do bairro.

Para reverenciar e afastar as saudades, o Rio vem apresentando uma intensa programação, que começou com a escolha do enredo da escola de samba Unidos de Vila Isabel, com a música Noel: A Presença do “Poeta da Vila”, de autoria do compositor Martinho da Vila – também nascido, criado e identificado pelo bairro. A programação se estenderá ao longo do ano, a exemplo do lançamento do disco “Noel Rosa – 100 Anos de Samba, e de um livro que reúne 14 textos inéditos escritos por figuras do meio acadêmico. Na Universidade do Estado do RJ (UERJ), a exposição “Nos Passos de Noel”, mostra trabalhos de seis fotógrafos, que dão vida às suas composições. No dia 27/03, o Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel, fecha para receber o evento “100 Anos de Noel”, com dança, teatro e muito samba.

Ouça a música "Com que roupa?" do Noel Rosa, clicando aqui.

Em homenagem ao centenário destes dois grandes sambistas, a "BANDA MANTIQUEIRA COM FABIANA COZZA CANTAM ADONIRAN E NOEL" no SESC Belenzinho.
Quando? 18/12/2010 (sábado), às 21h30min; e 19/12/2010 (domingo), às 18h.

Fonte: Brasília Confidencial e SESC-SP

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Torcedores merecem respeito!

Não só espectador, nem só consumidor. O torcedor brasileiro também quer participar das decisões que envolvem o futebol. Com esse objetivo, torcedores de todo o país estão empenhados na criação da Associação Nacional dos Torcedores (ANT).

A proposta foi lançada oficialmente no dia 10 de outubro no Rio de Janeiro, em frente ao portão 18 do Estádio do Maracanã. Um dos idealizadores da ANT, o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcos Alvito, explica que a associação tem como principais metas a defesa dos direitos dos torcedores e do futebol como patrimônio popular.

"O objetivo é tentar barrar o processo de exclusão do povo brasileiro dos estádios e das decisões do futebol. Existe um processo para transformar o torcedor em um consumidor, e o 'cavalo de tróia' desse processo é a Copa do Mundo", afirma.

As reformas dos estádios para a Copa de 2014, para Alvito, são a evidência mais marcante da tentativa de elitizar as arenas brasileiras, que têm reduzida sua capacidade de público. O discurso da "modernização" do futebol brasileiro, no entanto, não atinge outros níveis.

"Não se moderniza o que tem que modernizar. O sistema de venda de ingressos, por exemplo. Ainda tem gente que dorme nas filas para comprar ingressos. O transporte é ruim, a segurança também ainda não é suficiente", elenca.

A ANT pretende questionar, ainda, as cifras milionárias que envolvem as reformas dos estádios. Segundo Alvito, a adequação dos locais às normas internacionais e aos padrões da Fifa devem consumir a maior parte dos 17 bilhões de recursos que devem ser gastos com a Copa. (...)

O descontentamento dos torcedores com as tabelas e horários das partidas também está na pauta da ANT, que promete lutar, inclusive judicialmente, contra o monopólio das transmissões televisivas de jogos de futebol.

Em setembro, o Ministério Público Federal (MPF), consultado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), emitiu parecer contra o Clube dos 13 e a TV Globo. De acordo com o MPF, há prática de cartel na negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

"A TV é a verdadeira dona do futebol hoje. O jogo é sobremesa das novelas, termina depois da meia-noite e aí já não tem mais transporte [para o torcedor]. A ANT quer lutar contra isso, fazendo pressão e inclusive juridicamente", explica Avilto.

Fonte: Jornal BRASIL DE FATO

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Informática com bom humor...

VIVENDO E APRENDENDO:

• Se mexer, pertence à Biologia.
• Se feder, pertence à Química.
• Se não funcionar, pertence à Física.
• Se ninguém entende, é Matemática.
• Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
• Se não mexe, não fede, não funciona, ninguém entende e não faz sentido, é Informática...

CURIOSIDADE:

Para quem ainda tem dificuldade de saber a diferença entre Software e Hardware:

• Software é a parte que você xinga.
• Hardware é a parte que você chuta.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

20 de novembro - DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

315 anos do martírio de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares

O 20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra - é uma conquista do movimento negro brasileiro, simboliza a resistência e determinação do povo negro no Brasil, contra a opressão e pelo reconhecimento da dignidade. É um momento de reafirmação da luta contra o racismo, reflexão e proposição. A escolha da data é uma homenagem ao guerreiro Zumbi, líder histórico do quilombo de Palmares, que foi brutalmente assassinado, na mesma data, em 1695, após ser traído e entregue a Domingos Jorge Velho e seus bandeirantes. Alçado a ícone da resistência contra o racismo e a discriminação, Zumbi faz parte, desde 1995, do Panteão de Heróis da Pátria.

Dia Nacional da Consciência Negra: "reivindicação dos direitos da população afrobrasileira"

No próximo sábado, 20 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra. Para comemorar a data, entidades da sociedade civil, de modo especial as ligadas ao movimento negro, realizam eventos por todo o país.

O assessor da Pastoral Afrobrasileira, padre Ari Antônio dos Reis, diz que a data é um momento para garantir os direitos dos negros. “Estes eventos têm uma orientação comemorativa, mas também estão voltados a afirmação da consciência política, da pertença étnico racial e da reivindicação dos direitos da população afrobrasileira”.

O dia 20 de novembro é a data que comemora a Consciência Negra, tendo como figura mestre Zumbi dos Palmares que, na mesma data 1695, tombava como o grande ícone da resistência do povo negro e da luta contra a escravidão.

“A insistência em celebrar a memória de Zumbi dos Palmares no dia 20 de Novembro foi a resposta dada pelos negros organizados na perspectiva de lembrar que a abolição foi um processo inconcluso e que só seria plenamente completa pela pressão do movimento negro”, comenta padre Ari. Para ele, o Dia da Consciência Negra é fruto do amadurecimento do movimento negro que questionou o acento histórico dado ao dia 13 de maio, data que lembra a assinatura da Lei Áurea.

“Compreende-se que a assinatura da Lei Áurea não trouxe a verdadeira libertação. Apesar da legalidade da alforria viu-se a construção de outras formas de opressão e negação do direito à cidadania aos negros. Os mecanismos de exclusão continuaram assumindo facetas diferenciadas. Não foi permitido o acesso dos negros à educação, emprego renumerado, moradia digna e outras de beneficio à população em geral que já existiam no século XIX”, acentua o assessor.

Fonte: CNBB
 Diferentes e Iguais
Padre Alfredo Gonçalves*

Do ponto de vista cultural, a consciência do pluralismo étnico e religioso é, sem dúvida, um dos efeitos positivos da globalização. Povos e raças, grupos e pessoas reivindicam o direito à existência. Por outro lado, o volume e complexidade dos movimentos migratórios põem em pauta o debate sobre o conceito de cidadania universal. "A pátria é a terra que dá o pão", intuía o bispo João Batista Scalabrini já na virada do século XIX para o século XX. Em meio aos avanços devastadores da economia mundializada e do capital financeiro sem fronteiras, emergem movimentos de resistência em que a luta pela preservação da identidade ganha relevância crescente.

Está em jogo o direito à diferença. Mas aqui há uma armadilha que é preciso evitar. A luta pelo direito à diferença pode encobrir desigualdades sociais históricas e estruturais. Como se o direito de ser diferente pudesse justificar a riqueza e a opulência de uma minoria, ao lado da miséria e fome da imensa maioria. Em poucas palavras, reconhecer nossas diferenças de raça, cor, origem, sexo, credo, nacionalidade, etc. não nos exime de combater os abismos que separam hoje ricos e pobres, uns às custas dos outros.

O mais grave é quando a pobreza é agravada pelo estigma do preconceito diante do outro, do estranho, do diferente. Ou pior ainda, quando miséria e discriminação tornam-se, simultaneamente, causa e efeito uma da outra, entrelaçadas ambas num círculo vicioso de exclusão social. O resultado é perverso: pobre porque desempregado, desempregado porque desqualificado, desqualificado porque não teve meios de acesso à escola, e assim por diante. Racismo, xenofobia e marginalização social constituem, então, três faces da mesma moeda.

São os grilhões de aço que, mesmo depois da abolição, ainda prendem muitos negros e negras a uma "escravidão invisível", mas não menos dolorosa. Segundo pesquisa da ONU, realizada em 2002, o Brasil é o país de maior preconceito racial. Velada ou aberta, trata-se de uma marca impressa a ferro e fogo na pele e na alma do povo negro, como também em nossa cultura tida, não raro, como "cordial e acolhedora".

Felizmente estão em curso inúmeras iniciativas de resistência. A voz dos tambores, vinda do coração da África e do ventre da própria terra, ao mesmo tempo nega e afirma a chamada "convivência pacífica" da sociedade brasileira. Nega, na medida em que põe a nu as chagas de uma escravidão que se perpetua de mil formas e em milhões de pessoas; afirma, quando traz consigo a dança, a alegria e a festa de uma povo que não se deixa abater e que carrega na memória lições de resistência e solidariedade. Voz guerreira e, ao mesmo tempo, voz de paz! Grito surdo que insiste em assinalar as diferenças, mas luta bravamente pela igualdade de oportunidades, pelo direito à vida, à cidadania e a uma pátria sem fronteiras.

No dia da Consciência Negra, 20 de novembro, somos gratos a Zumbi e às comunidades negras. Tendo sofrido na carne a escravidão, mantiveram de pé o sonho de liberdade; passando pela cruz entendem melhor a ressurreição; conhecendo a senzala, construíram o quilombo; experimentando a exclusão social, apontam para a utopia do Reino.

*Setor Pastoral Social da CNBB

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Erros de arbitragem: seria o Corinthians beneficiado?

O ódio da imprensa para cegar o torcedor
Mauro Carrara

Não por acaso, o Sport Club Corinthians Paulista assume frequentemente o lugar do Partido dos Trabalhadores (PT) como alvo do ódio das elites. O modelo de acusação é idêntico.

A ordem é insultar, desqualificar e criminalizar. Sistematicamente. No caso do clube fundado por operários no bairro do Bom Retiro, esse bombardeio midiático acaba de completar 100 anos.

Desde a época do antigo Velódromo, se o vencedor era o Corinthians, havia na página grafada sempre uma adversativa, um desmerecimento e um delito apontado.

Afinal, a que glória podia aspirar a agremiação dos carroceiros do Mercadão, das lavadeiras do Glicério, dos amoladores, dos braçais, dos italianos rotulados de carcamanos, dos negros sem sobrenome, dos espanhóis malaguetas, dos índios sem tribo, dos japas de fala enrolada e dos mestiços de toda sorte, tão brasileiros que pareciam merecer somente a exclusão.

E onde foi parar toda essa fúria de preconceitos? Cessou?

Não! Mantém-se intacta (...).

Ora, mas basta a dúvida para se revitalizar o ódio centenário.

Esta noite de sábado, estive com a neta ao estádio do Pacaembu. De lá das arquibancadas, assistimos ao fogo do prélio. E vimos também, inequivocamente, um zagueiro forte arremeter-se desastrosamente contra as costas do artilheiro Ronaldo.

Ora, pois, pênalti, indiscutível. Pênalti! Está na regra!

Fosse no meio-campo ou aos cinco minutos do primeiro tempo e seríamos poupados do teatro acusatório contra o árbitro.

Em casa e pude rever o lance na telinha, várias vezes. Não há disputa da bola pelo alto, e sim um golpe claramente faltoso do azulino. As câmeras oferecem registro límpido e cristalino da jogada.

Entretanto, a mídia precisa enodoar, mais uma vez, o triunfo do time do povo. Não me surpreendi, pois, ao topar com os comentários de Mauro Cezar Pereira, o mesmo que criminalizou a paixão de Lula pelo Corinthians, o mesmo que criou uma fábula para ver delito petista no projeto do estádio mosqueteiro.

Recentemente, o Corinthians viu surrupiados dois gols legítimos em Campinas, diante do Guarani. Os erros custaram ao clube dois pontos, caríssimos nesta reta final do campeonato.

Antes ainda, no primeiro turno, o Cruzeiro fora beneficiado pelo mesmo Sandro Meira Ricci, que desconheceu pênalti de Henrique sobre o alvinegro Bruno Cesar.

Tampouco se viu indignação de locutores e comentaristas quando o Fluminense foi auxiliado no jogo contra o Grêmio, no Engenhão. Um pênalti clamoroso de Leandro Eusébio sobre Jonas acabou desconsiderado pelo árbitro.

Mas os jogos do Corinthians são sempre um Enem em potencial. Há sempre um detalhe a ser midiaticamente convertido em escândalo. Afinal, a ordem é criminalizar os intrusos, os penetras da festa chique.

(...)

Em boca fechada, não entra mosquito. Dedos inteligentes poupam articulistas da vergonha da ignorância e da contradição.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ESTATUTO DO IDOSO

Em 1º de outubro de 2003 foi editada a Lei nº 10.741, que trata do Estatuto do Idoso, cuja entrada em vigor ocorreu em 1º de janeiro de 2004. Tal instituto foi criado para regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. O estatuto tem por objetivo promover e facilitar a inclusão social e garantir os direitos desses cidadãos da terceira idade, uma vez que devido a fatores sociais diversos essa parcela da população geralmente carece de proteção.

Nesse estatuto são abordados os pontos em que os direitos dos idosos devem ser garantidos, tal qual prioridade no atendimento de saúde, transporte coletivo grátis e garantias contra violência e abandono, com penalidade de prisão para quem pratica tais atos. Foram vários avanços que trazem ao idoso o direito de envelhecer com dignidade, liberdade e respeito, por parte de familiares e do poder público.

Estes são alguns dos principais direitos assegurados pelo Estatuto do Idoso:

1 - Distribuição gratuita de medicamentos e próteses dentárias pelos poderes públicos;
2 - Nos contratos novos feitos pelos planos de saúde não poderá haver reajustes em função da idade após os 60 anos;
3 - Desconto mínimo de 50% no ingresso de atividades culturais e de lazer, além de preferência no assento aos locais onde as mesmas estão sendo realizadas;
4 - Proibição e limite de idade para vagas de empregos e concursos, salvo os acessos em que a natureza do cargo exigir;
5 - O critério para desempate de concursos será a idade, favorecendo-se aos mais velhos;
6 - Idosos com 65 anos ou mais que não tiverem como se sustentar terão direito ao benefício de um salário mínimo;
7 - Processos judiciais envolvendo pessoas com mais de 60 anos terão prioridades, nos programas habitacionais para aquisição de imóveis e transporte coletivo urbano e semi-urbano gratuito para maiores de 65 anos.
PRIORIDADES

- Atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população.

- Prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda.

SAÚDE

- O poder público deve fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos, especialmente os de uso continuado, assim como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação.

- É vedada a discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade.

- Os idosos portadores de deficiência ou com limitação incapacitante terão atendimento especializado, nos termos da lei.

- Ao idoso internado ou em observação é assegurado o direito a acompanhante, devendo o órgão de saúde proporcionar as condições adequadas para a sua permanência em tempo integral, segundo o critério médico.

EDUCAÇÃO E CULTURA

- O idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade.

- O poder público criará oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados.

- Os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna.

- A participação dos idosos em atividades culturais e de lazer será proporcionada mediante descontos de pelo menos 50% nos ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer, bem como o acesso preferencial aos respectivos locais.

TRABALHO

- O idoso tem direito ao exercício de atividade profissional, respeitadas suas condições físicas, intelectuais e psíquicas.

- Na admissão do idoso em qualquer trabalho ou emprego, é vedada a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, inclusive para concursos, ressalvados os casos em que a natureza do cargo o exigir.

- O primeiro critério de desempate em concurso público será a idade, dando-se preferência ao de idade mais elevada.

PREVIDÊNCIA SOCIAL

- Aos idosos, a partir de 65 anos, que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de um salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas).

HABITAÇÃO

- O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada.

- Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, o idoso goza de prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria, observado o seguinte:
a) Reserva de 3% das unidades residenciais para atendimento aos idosos;
b) Implantação de equipamentos urbanos comunitários voltados ao idoso;
c) Eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas, para garantia de acessibilidade ao idoso;
d) Critérios de financiamento compatíveis com os rendimentos de aposentadoria e pensão.

TRANSPORTE

- Aos maiores de 65 anos, fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semiurbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados paralelamente aos serviços regulares.

- Para ter acesso à gratuidade, basta que o idoso apresente qualquer documento pessoal que faça prova de sua idade.

- Nos veículos de transporte coletivo de que trata este artigo, serão reservados 10% dos assentos para os idosos, devidamente identificados com a placa de reservado preferencialmente para idosos.

- No caso das pessoas compreendidas na faixa etária entre 60 e 65 anos, ficará a critério da legislação local dispor sobre as condições para exercício da gratuidade nos meios de transporte.

- No sistema de transporte coletivo interestadual será observado nos termos da legislação específica:
a) Reserva de duas vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a dois salários mínimos;
b) Desconto de 50%, no mínimo, no valor das passagens, para os idosos que excederem as vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a dois salários mínimos.

- É assegurada a reserva, para os idosos, nos termos da lei local, de 5% das vagas nos estacionamentos públicos e privados, as quais deverão ser posicionadas de forma a garantir a melhor comodidade ao idoso.

- É assegurada a prioridade do idoso no embarque no sistema de transporte coletivo.

ACESSO À JUSTIÇA

- É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 anos, em qualquer instância.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

HUMOR REAL: "Beiçola na face de uma donzela" virou caso de polícia

Veja esse interessante e bem humorado caso jurídico a seguir...
Tentativa frustrada de beijo no rosto não é crime
Por Marília Scriboni

A tentativa de bicotinha no rosto de uma moça levou Rodrigo Ramos de Lima a a responder por uma ação penal por atentado ao pudor. Como resultado do beijo roubado, o rapaz apanhou da moça no interior de veículo onde a cena se sucedeu e também na delegacia. O juiz substituto Fábio Martins de Lima, da 1ª Vara de Entorpecentes e Contravenções Penais do Distrito Federal, determinou a absolvição do réu por entender que não houve crime.

O juiz qualifica a acusação como "pitoresca". A vítima contou que estava no transporte coletivo no dia 20 de fevereiro de 2006 quando "foi surpreendida pelo inopinado beijoqueiro" que, "não tendo resistido aos encantos da donzela, direcionou-lhe a beiçola, tendo como objetivo certo a face alva da passageira que se encontrava a seu lado". Foi quando a confusão se instaurou.

Em juízo, a moça declarou que havia desferido um tapa no rosto do rapaz, tendo-o esmurrado por diversas vezes. "Além disso", narra o juiz em tom bem humorado, "quando estava na delegacia teria cravado as unhas no pescoço do rapaz e sacudido para impedir-lhe a fuga". As pessoas que ouviam os relatos da vítima, "uma mulher forte e corpulenta", "se puseram a pensar em quem teria sido a verdadeira vítima do episódio".

O Ministério Público chegou a aplicar ao caso o princípio da insignificância. No entanto, o juiz discordou e remeteu os autos a um procurador de Justiça. Ele, por sua vez, entendeu que a aplicação de uma medida de segurança poderia trazer auxílio à família da vítima. "Medida de segurança é sempre medida de segurança: tanto a internação pode, circunstancialmente, se converter em tratamento ambulatorial, quanto esta pode se transformar na primeira. E o mais grave é que não há prazo legal para o término da pena infamante", alerta Fábio Lima.

Para o juiz que decidiu pela absolvição, o caso envolve diversos profissionais à toa. Ele conta que nos autos constam as assinaturas de dez juízes de Direito, oito promotores de Justiça, cinco procuradores de Justiça, nove defensores públicos, oito médicos e três delegados de polícia. "Por certo, não foi mensurado o inevitável custo do impacto ambiental gerado desde antes da instauração do inquérito até a instauração e encerramento da relação jurídica processual", ressalta.

Em sua decisão, o magistrado indaga o propósito do Direito Processual Penal: "Ou deveria esse ramo do direito se voltar a apurar aquelas condutas que atinjam bens jurídicos que realmente mereçam a tutela penal?". Ele também pergunta como se pode ignorar que "o acusado foi solenemente espancado pela "vítima" após o triste episódio do beijo frustrado e continuou a sê-lo até a chegada à delegacia de polícia".

"O Direito Penal e Processual Penal, é óbvio, reserva-se à tutela daqueles bens jurídicos da vida mais relevantes. A hipótese dos autos não está a merecer, ao menos em desfavor do acusado, a atenção da seara penal. Qualquer controvérsia poderia ser solucionada por meio de outros mecanismos e instrumentos de apaziguamento social", escreveu o juiz.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Raloim com jerimum? Não. VIVA O SACI!

 
São Luís do Paraitinga satiriza dia das bruxas com 'raloim caipira', dedicado ao Saci

Cidade conhecida por sua tradição festeira, São Luís do Paraitinga realiza a Festa do Saci anualmente, sempre no final de outubro. O mito do moleque arteiro motivou a comemoração no município, que se nega a celebrar o halloween – dia das bruxas nos moldes "importados" dos Estados Unidos. Entre contos de "causos", histórias, música, teatro, brincadeiras e oficinas, a festa reúne observadores, curiosos e interessados em saber mais sobre a cultura popular.

Em São Luís, a festa, em 2010, ganhou um significado maior. No início daquele ano, a cidade enfrentou uma enchente que deixou seu patrimônio arquitetônico parcialmente destruído, e agora está sendo reerguida do estrago que as chuvas causaram ao município. Mas, ao visitá-la, é possivel perceber que a festividade da população não foi abalada na tragédia.

Mesmo ainda com o centro histório cercado de obras, resultado da lentidão com que os recursos públicos têm entrado na cidade, São Luís e seus moradores esperam pelos turistas com a mesma receptividade costumeira. Praticamente todos os restaurantes e pousadas já estão reabertos.

O "Raloim caipira" é uma iniciativa da Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci). A festa insere na cultura local uma comemoração dedicada a um personagem genuinamente brasileiro. Das suas artimanhas, ouve-se histórias de moradores que afirmam conviver há anos com as traquinagens do Saci.

No estado de São Paulo, 31 de outubro é oficialmente o "Dia do Saci e seus Amigos". Leis semelhantes definiram a data em São Paulo (SP), São Luís do Paraitinga (SP), Guaratinguetá (SP), Embu das Artes (SP), São José do Rio Preto (SP), Uberaba (MG), Poços de Caldas (MG), Vitória (ES), Fortaleza (CE) e Independência (CE).

Fonte: Rede Brasil Atual

Acesse aqui a interessante crônica "Que raloín, que nada!", de Mouzar Benedito. A seguir, alguns trechos:
"Ela é uma velha feia e malvada. Tem uma verruga peluda na ponta do nariz, encurvado que nem bico de gavião. No raloín, quer dizer, Halloween, como escrevem os gringos e os que os seguem, lembram-se dela e ameaçam: um suborno (em forma de doces) ou usam as maldades dela contra nós (travessuras)."

"O Saci não é antibruxas, gosta delas. E a festa delas, com brincadeiras também para o Saci, inclui uma abóbora, só que não para assustar pessoas: como boas catarinenses, elas apreciam abóbora com camarão."

"Escolhemos o Saci como símbolo do dia 31 porque ele é o nosso mito mais conhecido em todo o Brasil, não há lugar onde não o reconheçam. Além disso, é o mais simbólico: no início era um índio, depois foi adotado pelos negros e virou negro também e, por fim, ganhou o gorrinho mágico dos europeus. É a síntese do brasileiro."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

MOSTRA DE CINEMA em São Paulo

A Mostra Internacional de Cinema começou na sexta-feira (22) em São Paulo. Em sua 34ª edição, o evento traz mais de 450 filmes e, em parceria com o Instituto Tomie Ohtake e o Museu de Arte de São Paulo (Masp), apresenta exposições em homenagem ao centenário de Akira Kurosawa e fotos inéditas do cineasta alemão Wim Wenders, responsável pela criação de um dos cartazes usados para divulgar o evento deste ano.

Os mais de 450 títulos estão divididos entre as seções: Perspectiva Internacional, Competição Novos Diretores e Mostra Brasil. O Festival da Juventude completa sua 11ª edição, com sessões gratuitas, em três salas: Cine Livraria Cultura, Cine Sabesp e Museu da Imagem e do Som (MIS).

Em 2009, a Mostra foi o primeiro festival a ter uma seleção online através de exibições na internet. A 34ª edição manterá a iniciativa que funcionará como uma opção de programação, aberta a todo o Brasil. O streaming é gratuito, roda em todos os navegadores e estará disponível para os 500 primeiros acessos. Haverá legendas em português e os filmes escolhidos serão disponibilizados depois da primeira exibição na programação da Mostra. Os filmes selecionados podem ser consultados no site da Mostra e a exibição será no site Mubi.
Desde o sábado (16), a Central da Mostra (localizada no Conjunto Nacional, na Paulista), está vendendo ingressos para as sessões mas alerta que o pacote de 20 ingressos já está esgotado. O evento segue até o dia 4 de novembro.

A programação completa da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está disponível na página oficial.

Fonte: Rede Brasil Atual (cuja revista foi censurada pelo PSDB, conforme decisão do TSE).

Para você, ELEITOR INDECISO...

Serve e muito, para os que já decidiram também:

Esta mensagem é dedicada a você, eleitor consciente e crítico, cujo voto é fundamentado em argumentos, que ainda está indeciso. Ela é dividida em tópicos para facilitar: você pode ir direto onde lhe interessa.

Tudo o que será exposto nesta mensagem terá dados e respectivas fontes (clique nos links), diferentemente de tantos spams eleitorais e correntes apócrifas que surgem por aí.

Se você discordar de algo - o que é perfeitamente legítimo - o debate poderá se dar em cima de evidências, em vez de boatos e achismos.

Os argumentos defendidos são:

Tópico 1: Não é verdade que houve "aparelhamento da máquina administrativa" na Era Lula;
Tópico 2: Não é verdade que "houve mais corrupção no governo Lula"; pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal;
Tópico 3: Não é verdade que "a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC";
Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula "enfraqueceu as instituições democráticas"; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas;
Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.

Boa leitura e boa reflexão: e um desejo para que a campanha, doravante, seja marcada pelo debate de projetos de país, propostas concretas e dados, não por calúnias, boatos e achismos.

Votei nos candidatos do PSOL no 1º turno. Porém, diante das circunstâncias, defendo um "voto crítico" para Dilma 13 - Presidente, baseado na reflexão a seguir.


Tópico 1: Não é verdade que houve "aparelhamento da máquina administrativa" na Era Lula.

Você já deve ter ouvido por aí, tantas vezes, que o PT e o governo Lula "aparelharam o Estado", usando dos cargos em comissão para empregar amigos, apaniguados e militantes, certo?

Pois bem, então lhe perguntamos: quantos são esses cargos em comissão no Poder Executivo federal? São 200 mil, 80 mil, 20 mil? Você faz ideia de qual é esse número preciso?

Primeiramente, acesse este documento aqui: o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, última edição, de julho deste ano.

Vejamos: na página 33, você pode ver que há hoje, no Executivo federal, um total de 570 mil servidores civis na ativa.

Os ocupantes de DAS (cargos de direção e assessoramento superior) são 21,6 mil (página 107).

Porém, os de recrutamento amplo, ou seja, aqueles que foram nomeados sem concurso, sem vínculo prévio com a administração, são quase 6 mil (página 109), ou pouco mais de 1% do total de servidores civis. Se você considerar apenas os cargos que são efetivamente de chefia (DAS 4, 5 e 6), não chegam a mil e quinhentos.

Parece bem menos do que se diz por aí, não é mesmo? Agora vamos lá: para que servem esses cargos? Não custa dizer o óbvio: em democracias contemporâneas, o grupo que ganha o poder via eleições imprime ao Estado as suas orientações políticas. Em alguns países, o número de comissionados é maior (caso dos EUA); em outros, menor (como na Inglaterra). É natural que seja assim.

O que dizem os estudos internacionais sérios sobre a máquina administrativa brasileira? Vá aqui e baixe um estudo da OCDE sobre o tema. No Sumário Executivo, você verá que o Brasil não tem servidores públicos em excesso, embora o contingente de servidores esteja em expansão e ficando mais caro; que há necessidade de servidores sim, para atender às crescentes demandas sociais; que uma boa gestão de RH é essencial para que isso se concretize; e que o governo federal deve ser elogiado pelos seus esforços em construir um funcionalismo pautado pelo mérito.

Vamos então falar de meritocracia? O que importa é que o governo Lula perseguiu uma política de realização de concursos e de valorização do servidor público concursado sem precedentes. Basicamente, com os novos concursos, a força de trabalho no serviço público federal retomou o mesmo patamar quantitativo de 1997. A maior parte dos cargos criados pelo PT, porém, foi para a área de educação: para as universidades e institutos técnicos já existentes ou que foram criados. Volte no Boletim Estatístico e veja a página 90, sobre as nov as contratações em educação. Houve muitos concursos para Polícia Federal e advocacia pública, além de outras áreas essenciais para o bom funcionamento do Estado.

O governo Lula regulamentou os concursos na área federal (veja os arts.10 a 19 deste Decreto), recompôs as carreiras do ciclo de gestão, dotou as agências reguladoras de técnicos concursados (veja a página 92 do Boletim Estatístico), sendo que nos tempos de Fernando Henrique, elas estavam ocupadas por servidores ilegalmente nomeados.

E então? você ainda acha que houve inchaço da máquina pública? Dê uma olhada nos dados deste estudo aqui.

E os tucanos, que alegam serem exímios na gestão pública? O que têm para mostrar?

Nos tempos de FHC, o contingenciamento levou à sistemática não realização de concursos. Para atender às demandas de serviço, a Esplanada nos Ministérios se encheu de terceirizados, temporários e contratados via organismos internacionais, de forma ilegal e irregular. Eram dezenas de milhares deles. Em 2002, apenas 30 servidores efetivos foram nomeados! O governo Lula teve de reverter isso, daí a realização de tantos concursos públicos.

Você sabia? O Estado de São Paulo, governado por José Serra, tem proporcionalmente mais ocupantes de cargos em comissão por habitante do que o governo federal.

E os técnicos, concursados, como são tratados por lá? Bem, eles não estão muito felizes com o Serra não.

Talvez porque as práticas que o PSDB mais condena no governo federal sejam justamente aquelas que eles praticam no governo estadual...

Tópico 2: Não é verdade que "houve mais corrupção no governo Lula do que no FHC"; pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal.

Muitos eleitores revelam a sua insatisfação com o governo Lula enumerando casos como o mensalão, as sanguessugas, Erenice Guerra, Waldomiro Diniz, Correios. Porém, uma memória que não seja curta pode se lembrar de casos como SUDAM, SUDENE, Anões do Orçamento, mensalão da reeleição, SIVAM, etc, para ponderar que mais do que exclusividade deste ou daquele governo, escândalos de corrupção são um mal da nossa cultura política.

Cientistas sociais sabem que é muito difícil "medir" a corrupção. Como a maior parte dela nunca vem à tona, não chega a ser descoberta, noticiada e investigada, nunca se tem uma noção clara do quanto um governo é realmente corrupto. O que importa, então, é o que um governo faz para combater essa corrupção. E nisso, o governo Lula fica muito bem na fita.

Vamos começar pela Polícia Federal. Logo no início do governo, foi feita uma limpeza no órgão (até a revista Veja chegou a publicar uma elogiosa reportagem de capa). Desde então, foram realizados uma série de megaoperações contra corruptos, traficantes de drogas, máfias de lavagem de dinheiro, criminosos da Internet e do colarinho branco (veja uma relação dessas operações aqui). Só em 2009, foram 281 operações e 2,6 mil presos. Desde 2003, foram quase dois mil servidores públicos corruptos presos. Quem compara os números não pode negar que a PF de FHC não agia, e que a PF de Lula tem uma atuação exemplar.

E a Controladoria-Geral da União? Inicialmente, FHC criou a tímida Corregedoria-Geral da União. Foi Lula que, a partir de 2003, realizou concursos públicos para o órgão e expandiu sua atuação. Hoje, a CGU é peça-chave no combate à corrupção. Graças ao seu trabalho, quase 3 mil servidores corruptos já foram expulsos. A CGU contribuiu no combate ao nepotismo e zela pelo emprego das verbas federais via sorteios de fiscalização. E o Portal da Transparência, você conhece? Aquele "escândalo" do mau uso dos cartões corporativos só apareceu na imprensa porque todos os gastos das autoridades estavam acessíveis a um clique do mouse na Internet.

Vamos ficar nesses casos, mas poderíamos citar muitos outros: o fortalecimento do TCU como órgão de controle, um Procurador-Geral da República que não tem medo de peitar o governo (o do FHC era chamado de "engavetador-geral da República", lembra-se?), o Decreto contra o nepotismo no Executivo Federal. Numa expressão, foi o governo Lula quem "abriu a tampa do esgoto".

Se uma pessoa acreditar menos numa mídia que é claramente parcial, e mais nas evidências, a frase "o governo Lula foi o mais republicano da nossa história" deixará de parecer absurda. Que tal abrir a cabeça para isso?

Tópico 3: Não é verdade que "a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC".

Quando se fala em política macroeconômica implantada por FHC, refere-se geralmente ao tripé câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário. Vamos poupar o leitor do economês: basicamente, o preço do real em relação ao dólar não é fixo, flutuando livremente; o Banco Central administra os juros para manter a inflação dentro de um patamar; e busca-se bons resultados nas transações com o exterior para pagar as contas do governo.

Nem sempre foi assim, nem mesmo no governo FHC: até 1998, o câmbio era fixo. Todo mundo se lembra que, em janeiro de 1999, o dólar, que valia pouco mais de um real, valorizou subitamente para quatro reais. Talvez não se lembre que isso ocorreu porque FHC tinha mantido artificialmente o câmbio fixo durante 1998, para ganhar a sua reeleição - que teve um custo altíssimo para o país - e logo depois, vitorioso, mudou o regime cambial (no que ficou conhecido como "populismo cambial"). O regime de metas de inflação foi adotado só depois disso. Ou seja, FHC não só não adotou uma mesma política macroeconômica o tempo em que esteve no Planalto, como também deu um "cavalo-de-pau" na economia, que jogou o Brasil nos braços do FMI, para ser reeleito.

Que política macroeconômica de FHC então é essa, tão "genial", que o Lula teria mantido? A estabilidade foi mantida, sim, e a implementação do Plano Real pode ser atribuída ao governo FHC (embora Itamar Franco, hoje apoiador de Serra, discorde disso).

Mas Lula fez muito mais do que isso. A inflação não voltou: as taxas de inflação foram mantidas, entre 2003 e 2008, num patamar inferior ao do governo anterior. E com uma diferença: a estagnação econômica foi substituída por taxas de crescimento econômico bem maiores, com redução da dívida pública.

A alta do preço das commodities no mercado externo favoreceu esse quadro (reduzindo a inflação de custos), mas não foi tudo. O crescimento da economia também foi favorecido pelo crescente acesso ao crédito: em 2003, foi criado o crédito consignado, para o consumo de massa de pessoas físicas - e deu certo, puxando o crescimento do PIB ; o BNDES se tornou um agente importantíssimo na concessão de crédito de longo prazo (veja esta tabela), induzindo outros bancos a paulatinamente fazerem o mesmo.

Os aumentos reais do salário mínimo e os benefícios do Bolsa Família foram decisivos para uma queda da desigualdade social igual não se via há mais de 40 anos: foi a ascensão da classe C.

Isso tudo é inovação em relação à política econômica de FHC.

E quando bateu a crise? Aí o governo Lula foi exemplar. Ao aumentar as reservas em dólar desde o princípio do governo, dotou o país de um colchão de resistência essencial. Os aumentos reais do salário mínimo e o bolsa família possibilitaram que o consumo não se retraísse e a economia não parasse - o mercado interno segurou as pontas enquanto a crise batia lá fora. E, seguindo o receituário keynesiano - num momento em que os economistas tucanos sugeriam o contrário - aumentou os gastos do governo como forma de conter o ciclo de crise. Deu certo. E a receita do nosso país virou motivo de admiração lá fora.

No meio da pior crise global desde a de 1929, o Brasil conseguiu criar milhões de empregos formais. Provamos que é possível crescer, num momento de crise, respeitando direitos trabalhistas, sendo que a agenda do PSDB era flexibilizá-los para, supostamente, crescer.

Você ainda acha que tucanos são ótimos de economia e petistas são meros imitões?

Então vamos ao argumento mais poderoso: imagens valem como mil palavras.

Dedique alguns minutos a este vídeo, e depois veja se você estaria feliz se Serra fosse presidente quando a crise de 2008/2009 tomou o Brasil de assalto.

Se você tem mais interesse nessa discussão, baixe este documento aqui e veja como andam os indicadores econômicos do Brasil neste período de crescimento, inflação baixa e geração de empregos.

Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula "enfraqueceu as instituições democráticas"; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas.

Mostramos no tópico 2 que os órgãos de controle e combate à corrupção se fortaleceram no governo Lula. Além deles, os outros Poderes continuaram sendo independentes do Executivo. O Legislativo não deixou de ser espaço de oposição ao governo (que Arthur Virgílio não me deixe mentir), e lhe impôs ao menos uma derrota importante. O Judiciário... bem, além de impor ao governo derrotas, como no caso da Lei de Anistia, está no momento julgando o caso do mensalão, o que dispensa maiores comentários.

E a imprensa? Ela foi silenciada, calada, em algum momento? Uma imagem vale por mil palavras - clique aqui.

O que se vê, na verdade, é o oposto. Foi o Estadão, que se diz guardião da liberdade, quem censurou uma articulista por escrever este texto, favorável ao voto em Dilma.

Neste vídeo, uma discussão sobre as verdadeiras ameaças à liberdade de expressão.

Sobre democracia, é impossível não abordar um tema que foi tratado à exaustão neste ano de 2010: o terceiro Plano Nacional dos Direitos Humanos, PNDH-3.

Muito se escreveu sobre seu caráter "autoritário", sobre a "ameaça" que ele representaria à democracia. Pouco se escreveu sobre o fato de ele ser não uma lei, mas um Decreto do Poder Executivo, incapaz, portanto, de gerar obrigações em relação a terceiros. Não se falou que se tratava de uma compilação de futuros projetos de governo, que teriam que passar pelo crivo do Poder Legislativo. Não foi mencionado que ele não partiu do governo, mas de uma Conferência Nacional, que reuniu os setores da sociedade civil ligados ao tema. E pior, a imprensa deliberadamente omitiu que seus pontos polêmicos já estavam presentes nos Planos de Direitos Humanos lançados no governo FHC.

Duvida? Leia este texto e este aqui. Ou ainda, veja com seus próprios olhos: neste link, os três PNDH's.

Olha lá, por exemplo, a temática do aborto no PNDH-2, de 2002 (itens 179 e 334).

Por fim: você realmente acha que um governo que traz a sociedade civil para discutir em Conferências Nacionais, para, a partir delas, formular políticas públicas, é antidemocrático? Pense nisso.

Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.

Quem acompanhou as eleições de 2004 e 2008 para a Presidência dos Estados Unidos sabe quais golpes baixos o Partido Republicano - aquele mesmo, conservador, belicista, ultrarreligioso - utilizou para tentar desqualificar os candidatos do Partido Democrata. Em 2004, John Kerry foi pintado como o "flip flop", o "duas caras". Em 2008, lançaram-se dúvidas sobre a origem de Obama: questionaram se ele era mesmo americano, ou se era muçulmano, etc. Em comum, uma campanha marcada pelo ódio, pela boataria na Internet, pela disseminação do medo contra o suposto comunismo dos candidatos da esquerda e a ameaça que representariam à democracia e aos valores cristãos.

Você nota aí alguma coincidência com a campanha de José Serra, a partir de meados de setembro de 2010?

Não?

Então vamos compilar algumas acusações, boatos e promessas que surgiram nas ruas, na internet, na televisão e nos jornais, com o objetivo de desconstruir a imagem da candidata adversária, ao mesmo tempo em que tentam atrair votos com base em mentiras e oportunismo.

Campanha terceirizada:

- Panfletos distribuídos de forma apócrifa disseram que Dilma é assassina, terrorista e bandida, com argumentos dignos da época da Guerra Fria;

- E você acha que isso foi iniciativa isolada de apoiadores, sem vínculo com o comando central da campanha? Sinto lhe informar, mas não é o caso: é o PSDB mesmo que financiou e fomentou esse tipo de campanha de baixo nível.

Oportunismo religioso:

- José Serra começou a ir a missas constantemente, de forma tão descarada que chamou atenção dos fiéis;

Promessas de campanha oportunistas:

- O PSDB criticou o Bolsa Família durante boa parte do governo Lula; mas agora, José Serra propõe o 13º do Bolsa Família;

- O PSDB defende a bandeira da austeridade fiscal e da contenção dos gastos públicos - foi no governo FHC que se criou o "fator previdenciário"; mas para angariar votos, Serra prometeu um salário mínimo de 600 reais e reajuste de 10% para os aposentados;

- O PSDB criticou o excesso de Ministérios criados por Lula, mas nesta campanha, Serra já falou que vai criar mais Ministérios;

- O DEM do vice de Serra ajuizou ação no STF contra o ProUni, mas agora diz que defende o programa;

- O PSDB se pintou de verde para atrair os eleitores de Marina no 1º turno, mas é justamente o partido de preferência da bancada ruralista e dos desmatadores da Amazônia;

Incoerência nas acusações:


- Serra tentou tirar votos de Dilma dizendo que ela era favorável ao aborto, sendo que ele, como Ministro, regulamentou a prática no SUS;

- Mônica Serra chamou Dilma de "assassina de crianças", sendo que ela mesma já teve que promover um aborto;


- Serra acusa Dilma de esconder seu passado, mas ele mesmo esconde muita coisa;

- A campanha de Serra lança dúvidas sobre o passado de resistência de Dilma, mas omite que dois dos seus principais apoiadores, Fernando Gabeira e Aloysio Nunes Ferreira, pegaram em armas na resistência contra a ditadura, e que ele, Serra, também militou numa organização do tipo;

- Serra associa Dilma a figuras controversas como Renan Calheiros, Fernando Collor e José Sarney, mas esconde o casal Roriz, Roberto Jefferson, Paulo Maluf, ACM Neto, Orestes Quércia e outros apoiadores nada abonadores. Aliás, antes do Indio da Costa (que aliás pertence a uma família de tutti buona gente), quem era cotado para vice dele era o Arruda, do mensalão do DEM, lembra-se?


E então: você ainda acha que a campanha de Serra é propositiva, digna, limpa? Um candidato que se vale de expedientes tão sujos para chegar ao poder merece o seu voto?

Por fim: então por que votar em Dilma Rousseff?

Se você está disposto a dar uma chance para Dilma nestas eleições e quer saber bons motivos para tanto, remetemos aos três textos abaixo.


http://www.amalgama.blog.br/10/2010/para-voce-que-nao-votou-na-dilma/ (especialmente para quem votou em Marina no 1º turno)

http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/10/10/frei-betto-dilma-e-a-fe-crista/ (se você acha que a questão religiosa importa, quando bem utilizada no debate eleitoral)