domingo, 24 de março de 2013

Encarando a subida...


Três amigos que partilhavam o mesmo escritório no 60º andar de um prédio, se deparam ao entrar, que a força acabara. Entretanto, os compromissos marcados pro dia eram inadiáveis e eles se deram por vencidos. Deveriam subir os 60 andares pelas escadas.

Aí um deles teve uma ideia:
- Que tal fazermos alguma coisa pra nos distrairmos durante a subida? Assim não ficaria tão difícil, vocês não acham? Eu proponho o seguinte: Nos primeiros andares você (aponta um dos amigos) que gosta de contar piadas, vai contar todas que souber. Depois, do 20º ao 40º, eu conto todas as histórias românticas que conheço e nos últimos 20, você (apontando o outro amigo) conta todas as histórias tristes que insiste em colecionar, combinado?

Todos de acordo, começaram a subida. O contador de piadas foi contando as que sabia e não sabia e os 3, rindo, nem perceberam quando chegaram ao 20º andar. A partir daí, aquele que havia tido a ideia luminosa começou a descer a sua coletânea de histórias românticas e novamente a distração fez com que eles nem percebessem que já estavam no 40º andar.

A partir daí o entretenimento ficou por conta do contador de "casos" tristes que começou, lamuriando-se:
- Eu tenho uma história muito triste pra contar! Vocês não podem imaginar o tamanho da desgraça!

E ante a curiosidade dos outros dois, completou:
- É que esquecemos de pegar a chave do escritório na portaria.

quarta-feira, 13 de março de 2013

QUARESMA e VIDA NOVA

Marcelo Barros
monge beneditino e escritor

A cada ano, os cristãos de Igrejas mais antigas celebram Quaresma e Páscoa. É um tempo oportuno para que, ao lembrar a morte e ressurreição de Jesus, cada um possa se renovar interiormente e colabore para transformar o mundo e tornar toda a Igreja e o próprio mundo mais pascal. Ainda hoje, a Quaresma é associada a práticas de jejum e penitência. Em alguns lugares, o povo faz via sacra e procissões tradicionais. Quem vê de fora pode pensar na Quaresma como repetição anual dos mesmos textos e ritos. Entretanto, ao contrário, Paulo escreve aos cristãos de Roma: "Já que vos dais conta do tempo em que estamos vivendo, é hora de despertardes do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçamos a fé” (Rm 13, 11).

Para Paulo, a salvação não significa apenas o esforço para se santificar pessoalmente, mas a realização do projeto divino no mundo e nas comunidades. Ele insiste que, mesmo em meio às contradições da história, esse projeto se realiza pouco a pouco e progressivamente. Isso não significa que o mundo hoje seja mais humano ou justo do que há cem anos. Menos ainda que o tempo, por si mesmo, traga soluções para a vida melhorar. Há quem considere que, em vários aspectos, hoje, a sociedade seja mais violenta do que em outras épocas, o individualismo mais exacerbado, a natureza mais destruída e o futuro mais sombrio. Entretanto, apesar disso tudo, em meio a todas as dificuldades, germina uma semente de paz, justiça e amor que vem do Espírito e vai na direção do projeto divino no mundo. Seja como for, a consciência de direitos humanos, a luta pela liberdade e pela igualdade entre homens e mulheres, de todas as raças e culturas, tem crescido e é sinal de que aquilo que judeus e cristãos chamam de Páscoa vai progressivamente se realizando não somente nos corações dos crentes, mas mesmo nas estruturas do mundo.

A Campanha da Fraternidade dessa Quaresma e Páscoa foi decidida há mais de dois anos pela CNBB, alarmada pelas estatísticas que mostram o elevado número de assassinatos e violências cometidos contra os jovens mais pobres no Brasil, especialmente os de raça negra e moradores de favelas. Essa violência tem várias raízes na injustiça estrutural de nossa sociedade, mas se alimenta com os conflitos trazidos pela marginalização e pela frustração de muitos jovens privados de moradia, trabalho e condições de vida digna que deveriam ser direitos de todos. Para diagnosticar se um viaduto ou um edifício rachado estão sob o risco de desabar, engenheiros e arquitetos examinam as condições dos pontos mais frágeis. Se as ligaduras e junções consideradas mais fragilizadas suportarem bem a pressão cotidiana do uso, eles consideram o viaduto ou edifício seguro. Se estas se mostram sob o risco de caírem, todo o edifício está condenado. A sociedade humana também é assim. E, por várias razões, a sua parte mais fragilizada e mais vítima das injustiças sociais é justamente a juventude das periferias urbanas, das comunidades rurais e de modo especial dos grupos indígenas e negros. As estatísticas mostram que os jovens negros são as mais frequentes vítimas da violência urbana no Brasil. E em algumas regiões, como o Mato Grosso do Sul, as áreas indígenas continuam sofrendo com o número assustador de adolescentes e jovens que se suicidam. Estas sociedades precisam de novas condições de vida. A Páscoa é essa energia de esperança e de comunhão.
Para quem é cristão, o mais importante na Quaresma não é a prática de devoções penitenciais que podem não trazer nenhuma mudança concreta à vida pessoal e a da comunidade. O que Deus pede de nós e renunciarmos a tudo o que for necessário e nos dispor a uma maior solidariedade com os projetos que restituam à juventude do campo e da cidade uma possibilidade de vida nova e pascal. Isso também para nós será fonte de profunda alegria. No século IV, o bispo João Crisóstomo ensinava: "A Páscoa de Jesus vem fazer da vida da gente, mesmo no meio das lutas e das dores, uma festa permanente de esperança e comunhão”.

Fonte: Adital

sexta-feira, 1 de março de 2013

13 dicas para colocar a CF 2013 em ação


por Rogerio Oliveira, assessor da PJ Sul 1 e editor do Blog "Pejotando"

Se você é um coordenador, assessor ou liderança de grupo ou está ligado pastoralmente à articulação juvenil, não tem como desconhecer que o ano de 2013 tem como marca um olhar da Igreja para a juventude. Sim, certamente teremos aqueles que farão um ano somente para cumprir protocolos e obrigações. Mas, pessoalmente, considero esta uma oportunidade fantástica para colocarmos a mão na massa e nos organizarmos mais para a missão pastoral.

Certamente, entre muitos de nós, há aqueles que, com tantas possibilidades, não sabem por onde começar. E, claro, não há uma dica prática que sirva para todos. Pensando nisso, diante do pouco tempo que temos para o início da Campanha da Fraternidade, lanço 13 dicas para botar a CF 2013 em ação. Alguma delas talvez sirva para você. Adapte se for o caso. Sinta-se livre para criar também, caso alguma lhe dê inspiração. Vamos a elas.

1- Capacitar os coordenadores, assessores e lideranças

Formações, cursos, palestras, vivências são semeaduras contínuas, urgentes e necessárias. Lançamos as sementes. E devemos cuidar daquilo que brotar. Se assim o fizermos, teremos “plantas” que poderão durar muitos e muitos anos, não só o tempo de uma quaresma.

2- Trabalhar em unidade no campo pastoral

Não é só sua comunidade ou só seu grupo que viverão os tempos de uma Campanha da Fraternidade. Se sua paróquia tem comunidades, anime todos os jovens que lá estão a trabalharem juntos. Procure se articular com paróquias vizinhas, com os diversos grupos juvenis, nas diferentes experiências.

3- Montar e organizar grupos onde eles não existem ou estejam fracos

Grupos de jovens podem nascer da catequese de crisma ou de grupos de perseverança. Podem nascer da galera que se reúne para jogar bola na quadra da paróquia ou por convocações depois das missas. Podem nascer pela amizade de alguns jovens ou pela realização de alguma atividade de massa que envolva a juventude. Há muitas formas. Mas um grupo só vai para frente se tiver acompanhamento constante de alguém com mais experiência e amor pela juventude.

4- Mapear a realidade juvenil da região onde você mora

A Igreja precisa ser um sinal de presença diferenciada no meio social. Para interagir com este meio, precisa conhecê-lo. Como é possível para qualquer instituição interagir com uma realidade sem conhecê-la? Sabe quantos jovens estudam, trabalham, vivem sós ou são arrimos de família? Qual a principal causa de morte dos jovens? Quantos vivem a realidade das drogas ou do álcool? Qual a infraestrutura local que pode acolhê-los? Há quadras de esporte, espaços de teatro ou cinema, praças para artes e cultura em geral?

5- Propiciar momentos de oração e encontro pessoal com Jesus Cristo

Se não focarmos nisso, perdemos uma oportunidade singular e o sentido primeiro da Quaresma que é a conversão para se preparar adequadamente para a Páscoa. Aproveitem, portanto, o tempo quaresmal para a realização de retiros e formações com enfoque na espiritualidade. O uso da leitura orante e do ofício divino são instrumentos privilegiados nestes momentos.

6- Favorecer momentos para elaboração de projetos de vida

Este é outro pedido dos objetivos desta Campanha da Fraternidade. É preciso que os jovens possam dar sentido àquilo que se faz. Orientação e acompanhamento são fundamentais para este passo.

7- Trazer para a comunidade a discussão sobre a realidade juvenil

Todo conteúdo e discussão sobre a realidade juvenil não pode ficar somente nos grupos de jovens. O tempo da CF é para toda a Igreja. Há muitas ideias errôneas sobre os jovens que são propagadas na sociedade e a comunidade cristã é um dos elementos que ajudam a formar opinião. Portanto, ela deve estar esclarecida sobre os fatos. Fóruns e seminários sobre a temática são instrumentos interessantes para este fim.

8- Criar momentos de convivência e relações entre a comunidade eclesial e o grupo juvenil

Além do ponto anterior, é preciso quebrar algumas barreiras que existem em certas comunidades. Nelas, os jovens estão de um lado e os outros movimentos e pastorais estão de outro. É preciso abrir espaço, dar voz aos jovens, sem preconceito e sem medo. Tardes de lazer comunitário com interações dos diversos grupos podem ser momentos interessantes para se saber quem é quem e como os grupos funcionam.

9- Realizar atividades culturais abertas a toda comunidade com temáticas juvenis

É fato conhecido que os movimentos culturais são atrativos para toda comunidade, em especial para os jovens. É preciso fomentar momentos como estes, em especial neste tempo, trazendo para a pauta as temáticas juvenis. Podem-se utilizar diversos formatos: festivais de música, literatura, peças e poesia ou rodas de discussão de filmes.

10- Aproximar-se do jovem fora do ambiente eclesial apresentando a temática da realidade juvenil

A massa juvenil não está dentro das paredes eclesiais. É preciso trazê-los para discutir esta pauta juvenil. A realização de seminários abertos, bem como a interação com as escolas, faculdades, ONGs da região são algumas possibilidades.

11- Denunciar o sistema de morte que cerca a juventude

É necessário levar à mídia os levantamentos feitos acerca da morte e da violência sofrida pela juventude, bem como da situação escolar, cultural e de desemprego. Há a crescente ideia de que a juventude é o problema, quando, na verdade, na maioria dos casos ela é a vítima.

12- Dar visibilidade aos bons trabalhos realizados pela juventude

Nem só de morte e dor vive a juventude. É preciso valorizar as boas iniciativas. Este pode ser um dos enfoques dos seminários abertos, dos festivais culturais, ou de exposições, vídeos e postagens nas redes sociais. É preciso quebrar o paradigma do jovem problema. Uma mentira repetida muitas e muitas vezes corre o risco de ser assimilada como verdade.

13- Manter-se focado nas razões pelas quais fazemos nosso trabalho pastoral

Há um sentido para que a Campanha da Fraternidade aconteça no tempo da Quaresma. É tempo de preparação e conversão. Preparar-se adequadamente para celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus e converter o caminho da própria vida para sermos melhores seguidores do Mestre. Refletir sobre a juventude neste tempo quaresmal nos ajuda a enxergar o mesmo Senhor passando novamente pela Paixão, Morte e Ressurreição na figura de tantos jovens. E deve nos ajudar a converter nossa vida diante desta realidade juvenil. Não nos esqueçamos disto. Qualquer ação que fizermos neste tempo está baseada nesta motivação.

FRATERNIDADE E JUVENTUDE: há caminhos a serem abertos

Os jovens representam um quarto da população do país. Hoje são mais de 50 milhões. Nunca foram tantos. Apesar de importantes conquistas em relação à garantia dos direitos juvenis, eles ainda compõem um dos grupos mais desprotegidos do Brasil: são os mais afetados pelo desemprego, pela violência, pela falta das políticas culturais, de saúde, moradia e outras.

Quase dois milhões de jovens não cursam o ensino médio e dos que têm entre 18 e 24 anos, quando poderiam estar na universidade, cerca de 70% não estuda. Em 2010, 27 mil jovens foram mortos no Brasil e 60% da população carcerária brasileira tem entre 18 e 29 anos de idade. Em dez anos, o índice de jovens desempregados aumentou, passando para 20% entre as mulheres e 9% entre homens com idades entre 15 e 24 anos. Esses e outros números indicam o quanto é preciso avançar nas políticas públicas para a juventude.

Colocar este tema em evidência, mobilizar a sociedade e criar espaços para a participação dos jovens são alguns dos passos fundamentais para reverter esse quadro. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pretende fazer isso com a 50ª edição da Campanha da Fraternidade (CF), que tem a juventude como tema central.

A CF pretende chamar a atenção da sociedade sobre a vida dos jovens, convidando-a para refletir sobre a sua realidade e, sobretudo, a se solidarizar com eles, promovendo espaços, projetos e políticas públicas que possam ajudá-los a organizarem a própria vida a partir de escolhas fundamentais. "Dentro do sentido da palavra 'acolher' está o valorizar, o respeitar o jovem que vive nesta situação de mudança de época e isso não pode ser esquecido", destaca o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, dom Eduardo Pinheiro.

Fonte: Revista Viração, ed. 93 (Copie sem moderação! Basta dar o crédito para a Vira!)