quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FELIZ 2010!!!


REJUVENESCER COMO ÁGUIAS
Leonardo Boff*

Mais que fazer um balanço de 2009, importa olhar para dentro de nós mesmos e identificar as energias que precisamos para enfrentar os desafios de 2010. Ao pensar nisso, lembrei-me de um mito da antiga cultura mediterrânea sobre o rejuvenescimento das águias. De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar perto do sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, ela se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. Através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente. Volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito constitui o substrato do salmo 103 quando diz: "O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia".

Fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação. O fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher. Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica.

A água nos faz pensar também nas grandes enchentes que com sua força tudo carregam, especialmente o que não tem consistência e solidez. São os infortúnios da vida. E o fogo nos faz imaginar as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que não é essencial. São as notórias crises existenciais. Ao fazermos esta travessia pela "noite escura e medonha", como dizem os mestres espirituais, deixamos aflorar nosso eu profundo. Então amadurecemos para aquilo que é autenticamente humano. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.

Mas abstraindo das metáforas, que significa concretamente rejuvenescer como águia? Significa entregar à morte tudo aquilo que de velho existe em nós para que o novo possa irromper e ser integrado. O velho em nós são os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem, como a falta de solidariedade para com os pobres, o desinteresse pelo bem comum, a vontade de ter razão e vantagem em tudo, o descuido para com o lixo, o desperdício da água e o desrespeito para com a natureza. Tudo isso deve ser entregue à morte para podermos inaugurar uma forma sustentada de convivência entre os humanos e com os demais seres da criação. Numa palavra, significa morrer e ressuscitar.

Rejuvenescer como águia significa também desprender-se de coisas que um dia foram boas e de idéias que foram luminosas mas que lentamente se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar o caminho da vida.

Rejuvenescer como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar. Não é isso que nos propomos a cada novo ano?

Que o ano que amanhã se inaugura, seja oportunidade de perguntar o quanto de galinha existe em nós que não quer outra coisa senão ciscar o chão ou o quanto de águia há ainda em nós, disposta a rejuvenescer ao confrontar-se valentemente com os tropeços e as crises da vida.

Que o Spiritus Creator nunca nos falte!

*Leonardo Boff é teólogo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O "CLIMA ESQUENTOU" em Copenhague!

Graças à prepotência dos países ricos e ao predomínio de um padrão de consumo ecologicamente insustentável, nosso planeta e a humanidade continuam em perigo!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!


O sol está chegando
Pe. Zezinho,scj


O sol está chegando.
Daqui a pouco vai brilhar e as trevas passarão.
A noite está morrendo.
Daqui a pouco vai chegar, o dia vai chegar.
Alguém está chegando.
Daqui a pouco vai brilhar a luz essencial.
É Deus nos visitando
E a esperança vai voltar: é noite de Natal!

Um novo dia despontará
E o mesmo sol, o mesmo sol nos iluminará.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

DICA CULTURAL EM SÃO PAULO - Artes natalinas


Para quem mora na Grande SP, uma boa dica é visitar o Convento São Francisco, próximo à Estação Sé do Metrô (centro da capital) e contemplar os presépios da 20ª Exposição Franciscana. Para saber mais, clique aqui. A seguir, curiosidade sobre esta arte.

 Presépio: expressão artística do nascimento de
Jesus de Nazaré

Depois da morte de Jesus, crucificado, os cristãos passaram a render homenagens ao seu martírio e à sua ressurreição, celebrados na Páscoa.

Dizem alguns historiadores que foi só no ano de 1223 que se comemorou pela primeira vez o seu nascimento. A idéia foi de uma personalidade polêmica e extremamente importante na história do cristianismo: Francisco de Assis. Sentindo o fim de seus dias na terra próximo, solicitou a um amigo, Frei Leão que preparasse a festa.

Convidou o Irmão Egídio para ser José e a irmãzinha Agnes, da Ordem das Clarissas, para representar Maria. Afirmou que a escolhia devido a seu nome. Agnes: cordeiro. A mansidão. Chamou pastores para estarem na gruta em contemplação. E alguns noviços da Porciúncula para fazerem o papel de Anjos.

Dessa forma, quando chegou ao local estava tudo pronto. No meio de um bosque, em uma clareira, haviam construído uma manjedoura, na qual pousava uma criança recém-nascida, filho de um habitante do lugar, e lá estavam a vaca e o jumento, conforme a tradição. O povo veio ver tudo em clima de festa e Francisco orou de joelhos junto ao presépio.

Desde esse dia passou a ser comemorado o Natal e construídos presépios. Foram necessários 1223 anos para que a cristandade comemorasse, em festa, o nascimento de Cristo, a Luz sobre a Terra.

Leonardo Boff - AQUECIMENTO GLOBAL E A CULTURA DA ESTUPIDEZ


Quem deve cuidar do Planeta?


Um teólogo famoso, no seu melhor livro - Introdução ao Cristianismo - ampliou a conhecida metáfora do fim do mundo formulada pelo dinamarquês Sören Kierkegaard, já referida nesta coluna. Ele reconta assim a história: Num circo ambulante, um pouco fora da vila, instalou-se grave incêndio. O diretor chamou o palhaço que estava pronto para entrar em cena que fosse até à vila para pedir socorro. Foi incontinenti. Gritava pela praça central e pelas ruas, conclamando o povo para que viesse ajudar a apagar o incêndio. Todos achavam graça pois pensavam que era um truque de propaganda para atrair o público. Quanto mais gritava, mais riam todos. O palhaço pôs-se a chorar e então todos riam mais ainda. Ocorre que o fogo se espalhou pelo campo, atingiu a vila e ela e o circo queimaram totalmente. Esse teólogo era Joseph Ratzinger. Ele hoje é papa e não produz mais teologia, mas doutrinas oficiais. Sua metáfora, no entanto, se aplica bem à atual situação da humanidade que tem os olhos voltados para o país de Kierkegaard e sua capital Copenhague. Os 192 representantes dos povos devem decidir as formas de controlar o fogo ameaçador. Mas a consciência do risco não está à altura da ameaça do incêndio generalizado. O calor crescente se faz sentir e a grande maioria continua indiferente, como nos tempos de Noé que é o "palhaço" bíblico alertando para o dilúvio iminente. Todos se divertiam, comiam e bebiam, como se nada pudesse acontecer. E então veio a catástrofe.

Mas há uma diferença entre Noé e nós. Ele construiu uma arca que salvou a muitos. Nós não estamos dispostos a construir arca nenhuma que salve a nós e a natureza. Isso só é possível se diminuirmos consideravelmente as substâncias que alimentam o aquecimento. Se este ultrapassar dois a três graus Celsius poderá devastar toda a natureza e, eventualmente, eliminar milhões de pessoas. O consenso é difícil e as metas de emissão, insuficientes. Preferimos nos enganar cobrindo o corpo da Mãe Terra com band-aids na ilusão de que estamos tratando de suas feridas.
Há um agravante: não há uma governança global para atuar de forma global. Predominam os Estados-Nações com seus projetos particulares sem pensarem no todo. Absurdamente dividimos esse todo de forma arbitrária, por continentes, regiões, culturas e etnias. Sabemos hoje que estas diferenciações não possuem base nenhuma. A pesquisa científica deixou claro que todos temos uma origem comum, pois que todos viemos da África.

Consequentemente, todos somos coproprietários da única Casa Comum e somos corresponsáveis pela sua saúde. A Terra pertence a todos. Nós a pedimos emprestado das gerações futuras e nos foi entregue em confiança para que cuidássemos dela. Se olharmos o que estamos fazendo, devemos reconhecer que a estamos traindo. Amamos mais o lucro que a vida, estamos mais empenhados em salvar o sistema econômico-financeiro que a humanidade e a Terra.
Aos humanos como um todo se aplicam as palavras de Einstein: "somente há dois infinitos: o universo e a estupidez; e não estou seguro do primeiro". Sim, vivemos numa cultura da estupidez e da insensatez. Não é estúpido e insano que 500 milhões sejam responsáveis por 50% de todas as emissões de gases de efeito estufa e que 3,4 bilhões respondam apenas por 7% e sendo as principais vitimas inocentes? É importante dizer que o aquecimento mais que uma crise configura uma irreversibilidade. A Terra já se aqueceu. Apenas nos resta diminuir seus níveis, adaptarmo-nos à nova situação e mitigar seus efeitos perversos para que não sejam catastróficos. Temos que torcer para que em Copenhague entre 7 e 18 de dezembro não prevaleça a estupidez mas o cuidado pelo nosso destino comum.


Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor, autor de Opção-Terra. A solução para a Terra não cai do céu, Record 2009.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Rei do Baião

"Meu nome é Luiz Gonzaga, não sei se sou fraco ou forte, só sei que graças a Deus té pra nascê tive sorte, apôs nasci im Pernambuco, o famoso Leão do Norte.
Nas terras do novo Exu, da Fazenda Caiçara, im novecentos e doze, viu o mundo minha cara.
Dia de Santa Luzia, purisso é qui sô Luiz, no mês qui Cristo nasceu, purisso é que sô feliz."

Para quem não sabe, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Gonzagão, nasceu no dia 13 de dezembro de 1912. Quem deseja conhecer um pouco dessa história, é só visitar o sítio Gonzagão Online.

Reflexão

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando;
A certeza de que é preciso continuar;
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!


Fernando Sabino

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS




No dia 10 DE DEZEMBRO, é comemorado o 61º aniversário de proclamação da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. O termo "Direitos Humanos" é cheio de preconceitos por parte de muitos que ainda não cultivam, no seu dia-a-dia, a cultura da paz. E a razão disso é que estamos numa cultura que prega a violência, o desprezo pela vida humana (especialmente daqueles grupos que, socialmente, são vistas como inferiores: mulheres, pobres, negros, indígenas, idosos, camponeses, etc.), o consumismo e o imediatismo. Além disso, faltam debates sérios acerca dos desrespeitos aos direitos das pessoas e de soluções necessárias e adequadas para a superação dos problemas do nosso cotidiano. Através deste ABC, colhido no sítio do DHNet, quero transmitir a todos que me visitam este espaço, de forma lúdica, o que são "Direitos Humanos".

Nota: a autoria do ABC a seguir não é do Ziraldo (autor do cartaz acima).


ABC BASEADO NA
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS HUMANOS


A Humanidade avançou
ao ter a DECLARAÇÃO
UNIVERSAL DOS DIREITOS
HUMANOS... Pena é que não
seja cumprida essa Lei
de alto sentido cristão.


Bonitos são os dizeres.
diversa a realidade.
Pois, se "todos nascem livres
e iguais em dignidade
e direitos"... faltam Amor,
Justiça, Fraternidade...


Cor ou sexo, raça ou língua,
religião, credo, enfim
nada deve empecilhar
possa o ser humano, assim,
de gozar de seus direitos,
que lhe são sagrados, sim.


Direito à vida, direito
à liberdade e, afinal,
direito que lhe garanta
segurança pessoal.
Como ter esses direitos
na Injustiça Social?


E como servo ou escravo
ninguém pode ser mantido.
Toda escravidão é crime.
Para sempre é proibido
o vil tráfico de escravos,
em todo e qualquer sentido.


Fazer alguém padecer
tortura, cruel castigo,
tratamento desumano,
degradante, que em perigo
ponha a pessoa, condena
desta Lei o 5º artigo.


Garante a DECLARAÇÃO
o direito ao humano ser
de como pessoa humana
em qualquer lugar se ver
reconhecido, perante
a lei, onde possa haver.


Haja Eqüidade, Justiça
em todos os tribunais
garantindo a todos os
direitos fundamentais,
sanando arbitrariedades,
contra os atos ilegais.


Ilegal é ser alguém
arbitrariamente preso
ou detido ou exilado.
Que a Justiça mostre o peso,
sendo livre e imparcial,
e o direito saia ileso.


Jamais se puna o inocente.
Que conte todo acusado
com garantias da lei
pra não ser injustiçado.
Nunca exceda à lei a pena
na punição do culpado.


Lar é recinto sagrado
que a lei não violará.
Família, vida privada
e a correspondência há
de a lei lhes dar proteção.
A honra respeitará.


Mulheres e homens possuem
o direito de ir e vir,
e em qualquer lugar do mundo
são livres de residir,
podendo, à sua vontade,
em qualquer tempo sair.


Não se negue ao ser humano
asilo em qualquer país,
sempre que for perseguido
pelo que pensa e o que diz.
Respeitadas exceções
por crimes e atos vis.


O direito de casar-se
É do homem e da mulher,
fundando a sua família
sem empecilhos quaisquer
pela vontade de ambos,
cumprindo o humano mister.


Propriedade é direito
quando bem adquirida.
A que vem da exploração,
em prejuízo da vida,
deixando os outros sem nada,
não deve ser permitida!


Qualquer um tem o direito
de crer e manifestar
a sua religião
do jeito que mais gostar.
Também de não ter nenhuma,
sem que o possam condenar.


Respeite-se a liberdade
de pensar e de opinar
transmitir informações
e as idéias expressar
seja de que forma for,
neste ou naquele lugar.


Sagrado seja o direito
de se reunir em paz.
Que ninguém seja obrigado
a associar-se, se faz
questão de lutar sozinho,
uma vez que isso lhe apraz.


Todo o homem tem o direito
de ao governo ter acesso.
Só a vontade do povo
é que garante o progresso.
Sem eleições democráticas
só se espera o retrocesso.


Um ser humano que não
tem direito à segurança,
bens sociais, culturais,
dignidade, abastança
o nível de humanidade
desejado não alcança.


Vida digna, trabalho
que lhe garanta o sustento.
Justa remuneração.
Seja o sindicato isento
de pressões, perseguições,
pelegos, constrangimento.


Xis É "para quem trabalha "
ter o seu repouso e, perto
o lazer, a diversão,
as férias no tempo certo.
Trabalhar, mas descansar,
sempre pela lei coberto.


Zelar pelo cidadão
a sociedade deve:
dar saúde e bem estar
e tudo o mais que se inscreve
no direito de viver...
que aqui só toquei de leve...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"CONSTRUÍDA" A NOVA CASA NA REDE

Olá, amigos!



A minha "nova casa" está, enfim, completa!
"Razão de Nossa Esperança" é uma frase tirada da Bíblia na 1ª carta do apóstolo Pedro (3,15) e lema de um Encontro Nacional de Fé e Política (Poços de Caldas), do qual participei. Este blogue surgiu para ser uma bússola, a fim de orientar quem busca algo diferente na rede:
- para quem busca informação a partir de outra perspectiva: o ponto de vista dos pobres, daqueles que lutam e buscam dignidade para suas vidas;
- para quem, diante da correria da vida, acha que a vida tem de ser plenamente vivida, contemplada com alegria, apreciada tal qual uma obra de arte;
- para quem acredita na força da união entre as pessoas e na possibilidade de mudanças quando elas se juntam para promover a JUSTIÇA E A PAZ!
A maior parte das postagens são inéditas, enquanto que algumas são republicações de postagens de meu antigo blogue. Quem ainda quiser ver meu outro blogue, este é o endereço: http://denilson.lopes.zip.net/. Mas apressem-se, pois logo será desativado!
Espero que gostem e comentem sobre o que acham das ideias expostas neste espaço!

NÃO É TUDO E NÃO FEZ TUDO

Pe. Zezinho,scj


A um religioso de outra igreja, que, numa oração em família dissera que Deus é tudo, repeti o que digo agora. A um padre que, num programa de rádio dizia: "Meu Deus é meu Tudo", alertei contra o perigo de induzir as pessoas menos evangelizadas a uma espécie de panteísmo. Os dois aceitaram rever seu discurso. Deus não é tudo nem fez tudo. Ele é o criador do bem e não do pecado. O pecado tem outra origem.

Aquele que contém tudo, não é tudo. Às vezes, como eu disse, as pessoas usam a expressão "Meu Deus é meu tudo". Parafraseiam, errado, a frase de São Tomé: "Meu Senhor e meu Deus". Não sei de nenhum lugar na Bíblia onde esteja dito que Deus é tudo. Ela faz uma distinção entre o Deus que criou quase tudo e o tudo que Deus criou. E deixa muito claro que Deus não é autor do pecado. Então, Deus também não é o criador de tudo. O pai da mentira, por exemplo, não é Deus: é o demônio. Jesus mesmo diz isso. (Jo 8,44)


Dizer que Deus é nosso tudo é uma expressão muito bonita, mas deve ser entendida dentro de um contexto comparativo, de parábola, de simbolismo. Se "tudo" compreende tudo aquilo que existe, então, precisamos corrigir nossa linguagem. Se eu disser que Deus é tudo e tomar isso ao pé da letra, estarei dizendo que Deus também é pecado, porque o pecado faz parte de tudo que existe. A dor existe e está dentro do tudo. Este pedaço de pedra que eu tenho na mão existe e está dentro do tudo. Se eu disser que Deus é tudo, então eu estou dizendo que Deus pode ser esta pedra, pode ser pecado, crime, vingança, inveja, porque estas coisas existem. Se disséssemos que Deus é tudo o que existe então estaríamos dizendo que Deus é também o mal... O panteísmo leva a isto. Precisamos tomar cuidado com nossas pregações entusiasmadas.


Na verdade, posso dizer que Deus sabe de tudo, mas não posso dizer que Deus é tudo, nem que Ele concorda com tudo. Deus sabe da existência do pecado, mas não peca nem aceita o pecado. Ele é santo. Ele é Ele. Deus não é a criação: apenas a criou. Toda vez que eu disser que Deus é tudo estarei comparando-o com as coisas que existem. Estou fazendo o que Ele pediu que não fizéssemos com Ele ao proibir que fizemos imagens dele. Seriam erradas desde o primeiro traço.


Acertaríamos melhor, se disséssemos que Deus é mais do que tudo. Aí sim, estamos com filosofia e teologia corretas. Deus não é tudo. Ele é mais do que tudo. Ao dizer que Ele é mais do que tudo, então, estamos dizendo que Ele não é o pecado, não é a pedra, não é a criação. Há coisas na criação que certamente Ele não quis que fossem assim. Mas, como criar também supõe dar liberdade, de repente aconteceu o pecado. E Deus sabe conviver com os limites humanos, inclusive os limites do pecado. Por isso é que Ele perdoa. Ele não poderia perdoar, se não fosse mais forte do que o pecado. Se perdoa é porque é muito maior e muito mais forte do que o pecado. Por isso Ele perdoa. Dá muito mais do que a gente merece. Eu volto a falar sobre isso!


Fonte: Catolicanet/Padre Zezinho/Catequese Urgente (Nov/2004)