quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DESEJOS PARA 2012


Que em 2012 tenhamos todos:

Muita Saúde para perseverar na luta,
Muita Esperança para alcançar os sonhos,
Muita Luz para escolher os caminhos,
Muita Serenidade para tomar atitudes,
Muita Humildade para reconhecer equívocos,
Muita Sabedoria para entender o mundo,
Muita Solidariedade para ajudar a quem precisa...

Muito Equilíbrio ao tomar decisões,
Muito Respeito pelas diferenças,
Muito Discernimento para valorizar o que realmente importa,
Muito Carinho para preservar a vida,
Muito Desprendimento para ensinar e aprender,
Muito Cuidado com a natureza
E muito, mas muito Senso de coletividade, de União pelo bem comum, de Amor ao próximo!

Senhor, faze de nós instrumentos de tua PAZ!!!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

UNIVERSIDADE PÚBLICA: Eficiência e Retorno Social

Há quem defenda a cobrança de mensalidades no ensino superior público e até mesmo a sua privatização completa. Na USP e em outras universidades públicas, há uma enorme quantidade de alunos com baixíssimo poder aquisitivo, a maioria deles em cursos como Filosofia, História, Ciências Contábeis e outras com menos "prestígio". O problema não é a desigualdade de oportunidades de acesso ao ensino superior público, mas as deficiências no ensino fundamental e médio nas escolas públicas. Estudos promovidos por diversas entidades mostram ser possível aumentar os investimentos em educação, a fim de solucionar esses problemas, aumentar as vagas nas universidades públicas e sem prejudicar a qualidade no ensino.

Veja a seguir a prova de que as nossas universidades públicas são muito mais eficientes e dão um retorno social muito maior às comunidades que a rodeiam do que as faculdades privadas.
O mito do custo do ensino superior
Muitas das decisões sobre políticas educacionais no país são tomadas com base em interesses  nada republicanos e “fundamentadas” em mitos fortemente propalados para dar àquelas decisões a aparência de seriedade. Um desses mitos diz respeito aos investimentos necessários para manter um estudante de graduação, que seriam muito inferiores nas instituições privadas quando comparados com os das públicas. Esse mito, como não poderia deixar de ser, é repetido à exaustão; afinal, é dessa forma que mitos sobrevivem.

A conta que embasa esse mito corresponde, simplesmente, a dividir o orçamento de uma instituição pública pelo número de matrículas nos cursos de graduação e comparar o resultado com as anuidades das instituições privadas. Mas esse critério está errado.

Os orçamentos usados para esse cálculo não são comparáveis, pois os das instituições públicas incluem muitas despesas não incluídas nos das instituições privadas, tais como pós graduação, pesquisa científica e tecnológica, o atendimento da população em seus hospitais, a prestações de serviços como museus, rádios, centros culturais, editoras etc. Em várias instituições públicas, os orçamentos incluem, ainda, o pagamento de aposentadorias (como é o caso das universidades estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp), enquanto as aposentadorias das instituições privadas são pagas principalmente pelo INSS. Portanto, para uma comparação imparcial dos investimentos para manter um estudante em um curso de graduação, devemos levar em conta esses fatos.

Outra questão a ser considerada é a distribuição dos estudantes pelas diferentes áreas de conhecimento. Por várias razões, inclusive puramente financeiras ou mercantis, as instituições privadas concentram seus cursos onde a combinação dos custos com o apelo mercadológico é mais favorável. Assim, por exemplo, embora cerca de 75% das matriculas em cursos superiores estejam nas instituições privadas, elas estão concentradas em cursos nos quais a relação entre a atratividade (cursos da moda ou cursos que dão a impressão de propiciar emprego fácil e bom no futuro) e os investimentos são mais favoráveis. Vamos a alguns dados. Na área de Administração, com cursos que exigem poucos investimentos e têm grande atratividade, a porcentagem de matrículas em instituições privadas é bem acima da média nacional, mais de 90%. Na área de Medicina, de alto apelo, mas de custos bastante elevados por causa da infraestrutura, dos laboratórios e da grande carga didática, a privatização é significativamente abaixo da média nacional, inferior a 60%, e em grande parte  correspondendo a instituições não mercantis. Na área de produção agrícola e pecuária, com algum apelo, mas custo relativamente alto, por envolver laboratórios complexos, a privatização está abaixo dos 30%. Como último exemplo, os cursos de bacharelado em Física, de custo relativamente alto e pouco atraente, ela é de apenas 5%.

Portanto, usar as médias dos investimentos necessários para manter um estudante de graduação em uma instituição pública e em uma instituição privada sem levar em conta o que foi mostrado acima, leva a conclusões erradas.

Quando são feitas essas correções, vemos que o mito é totalmente falso, pois a realidade mostra o inverso. Em um curso na mesma área de conhecimento e com mesma qualidade, os levantamentos já mostraram que os custos da USP, por exemplo, são comparáveis ou mesmo menores do que o que é cobrado pelas instituições privadas.

E se considerarmos os retornos dados à sociedade, como a adequação dos cursos às necessidades nacionais e suas distribuições geográficas, as instituições públicas se mostram ainda muito mais vantajosas. Devemos, também, considerar o abandono dos cursos, significativamente mais alto nas instituições privadas do que nas públicas, o que faz com que o custo efetivo de formação de quadros para o país por essas instituições seja ainda mais caro do que parece quando olhamos apenas suas mensalidades.

Mas mitos são mitos: suas existências independem da realidade e uma de suas funções é estabelecer modelos de pensamento. E os mitos, ao lado dos “impostômetros” e discursos amplamente propalados pela mídia, existem não apenas na educação, mas em muitos outros setores, servindo para “embasar” muitas de nossas políticas e impedindo que mais recursos sejam destinados à educação pública e a outras áreas de interesse social.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

NÓIS PEGA O PEIXE!!!

Livro ensina norma culta sem ridicularizar língua falada
Autores e especialistas em linguagem falam sobre a polêmica do livro didático "Por uma vida melhor" e esclarecem: livro não ensina o português errado

“Nós pega os peixe”. Essa foi a frase que causou frisson entre jornalistas, linguistas e interessados em português. Retirada do capítulo 1 do livro “Por uma vida melhor”, da Coleção “Viver, Aprender”, a frase é uma dentre outras que pretende mostrar ao aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a quem o livro é destinado, como as práticas linguísticas podem ser diferentes dependendo da situação do falante.

No entanto, pinçada de seu contexto, ela foi reiteradas vezes apresentada como sendo um estímulo ao uso “incorreto” da língua. O próprio uso do termo incorreto já estaria aqui induzindo a uma determinada compreensão do tema, que neste caso são as variações linguísticas, “pois não se trata de falar errado ou certo, mas de usar a forma apropriada ou inapropriada à situação dos falantes”, explica a professora Heloísa Ramos, uma das autoras do livro.

Segundo a autora, abordar isso nos livros didáticos é importante, pois se trata do ensino da língua materna. “Quando as pessoas vão à escola, elas já aprenderam seu idioma no ambiente familiar. Muitas vezes, a linguagem que o estudante leva para a escola não é aquela com a qual ele se depara nos livros, que tem a função de ensinar a norma culta. É importante que o estudante perceba que existem outras variantes”, explica.

Assim, no capítulo em questão, intitulado Escrever é diferente de falar, os autores buscaram partir da língua falada pelas camadas populares de jovens e adultos que vêm da periferia e da área rural (o que é uma realidade entre os alunos da EJA) para depois, dar um salto para a língua culta. Além da expressão “Nós pega os peixe” é possível encontrar no capítulo outras expressões que usam a variante popular como “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”, ambas dentro do eixo Concordância entre as palavras. Logo em seguida, explica cada um dos casos de concordância e apresenta exercícios para a adequação das frases à norma culta.

Qual a novidade?

O estudo e a incorporação das variações linguísticas no Ensino Fundamental não é nenhuma novidade. Esse conteúdo já estava presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), em 1997. Nas universidades, nos cursos de linguística esse tema tem pelo menos 40 anos, “desde que William Labov, nos Estados Unidos, fez suas pesquisas pioneiras sobre a heterogeneidade linguística”, explica o doutor em Linguística, Marcos Bagno, da Universidade de Brasília (UnB). Em outras palavras, “o tratamento da variação linguística nos livros didáticos só é novidade para quem está completamente por fora do que vem sendo feito no Brasil há mais de vinte anos no ensino de língua”, diz.

Além disso, após um mês de repercussões na chamada grande mídia, ficou evidente a tentativa, por parte de alguns meio de comunicação, de fazer deste um debate da agenda política nacional. “Sob pretexto de criticar o livro, quiseram na verdade desestabilizar o ministro da Educação [Fernando Haddad] e o governo em geral, simplesmente porque a grande mídia, comprometida até a medula com as classes dirigentes, não tolera nada que valorize as pessoas menos privilegiadas”, avalia Bagno.

Parâmetros

O livro “Por uma vida melhor” foi desenvolvido dentro dos parâmetros do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), adotado como legislação desde 1998. “Nesse sentido, cumpriu todas as etapas necessárias a sua aprovação”, explica Vera Masagao Ribeiro, coordenadora geral da organização não-governamental Ação Educativa, entidade responsável pedagógica pela publicação. “Além disso, o livro não ensina a falar a errado, como se difundiu, mas apresenta ao aluno as diferentes variações da língua para que ele tenha consciência da forma como falar em cada situação”, diz.

Fala e escrita

Outra questão levantada pelos críticos à obra foi o fato de ela supostamente manter uma supremacia do oral sobre o escrito, o que para Vera trata-se de um equívoco. “A obra em nenhum momento sugere tal supremacia. Ela enfatiza apenas que escrever é diferente de falar e, que, portanto, a língua deve adequar-se aos modos oral e escrito”.

De acordo com o doutor em Linguística, Jose Luiz Fiorin, professor do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), escrever é diferente de falar por diversos motivos, mas especialmente porque “na fala eu planejo e produzo o texto ao mesmo tempo em que o texto é recebido. Isso significa que todas as marcas de planejamento aparecem num texto falado, tais como hesitações, interrupções e correções. E o no texto escrito não. No texto escrito eu planejo, produzo, corrijo e só depois é que o texto é recebido”. “O texto oral é sempre um texto que está se fazendo, e o texto escrito é aquele que só é apresentado depois de feito e, essa é a grande diferença”.

Combater o preconceito

Conforme explica o professor Marcos Bagno o ensino da língua portuguesa não deve ser limitado ao ensino da norma padrão e nem mesmo à falsa noção de que a língua é um todo homogêneo. “O reconhecimento de que a língua não é uniforme, de que ela varia dentro da comunidade de falantes e muda ao longo do tempo, permite acolher de forma menos traumática os estudantes usuários das variedades linguísticas menos prestigiadas, compreender a língua que eles falam e prepará-los a incorporar as variedades urbanas de prestígio”, diz.

O não reconhecimento dessas variações linguísticas pode incidir no chamado preconceito linguístico. “O preconceito linguístico existe e se manifesta principalmente ao se ridicularizar certas variedades regionais da fala. Isso é uma coisa séria. Ridicularizar as variedades regionais é mexer com a identidade da pessoa”, afirma o professor Jose Luiz Fiorin.

Para ele, isso não quer dizer que não se deva ensinar a norma culta. Mas sim, “que o professor não deve nunca ridicularizar a linguagem que o aluno traz. O ensino de português nunca será eficaz se o aluno vir o ensino como não tendo a ver com a sua forma de falar. É preciso iniciar o ensino a partir da linguagem que a pessoa traz para depois ensiná-la o padrão culto”, diz.

Hoje no Brasil existe uma gama muito grande de variações linguísticas, que podem ser regionais, como as citadas pelo Fiorin, mas podem ser também relacionadas ao prestígio social, como afirmou Bagno. Esse último acredita que, em ambos os casos está em jogo, não apenas a necessidade de adequar o ensino para melhor atender aos alunos, mas também o jogo de força do poder, pois aqueles que se arvoram falar o português “correto”, fazem disso uma prerrogativa de distinção social.

Fonte: Brasil de Fato
Veja também o sítio do linguista Marcos Bagno

NÓS MERECÍAMOS ESTE TÍTULO!


Futebol não é merecimento. Nem sempre quem ganha é o time que jogou melhor, mais bonito ou até que fez mais gols.

O Corinthians não foi brilhante em 2011, mas, bem ou mal, se manteve na liderança deste Brasileirão por 27 rodadas (das 38 disputadas), e se alguém merecia este título era o Timão e sua apaixonada e fiel torcida!

Leia mais, clicando abaixo:

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cultura indígena


Foi lançado recentemente o portal ÍNDIO EDUCA, que tem por objetivo divulgar - especialmente para professores e estudantes - material relacionado com as culturas indígenas do Brasil. Criado por universitários de várias etnias, o novo sítio pretende estabelecer um diálogo permanente com todos aqueles que estudam e se interessam pela história e pela realidade dos povos indígenas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Paraitinga e a Festa do Saci

"Saciata" é uma das atrações da 9ª edição do evento de valorização da cultura popular 
O município de São Luiz do Paraitinga tem um dia especial no calendário local dedicado ao resgate dos mitos da cultura popular. Através de um projeto de lei, o dia 31 de outubro foi instituído como o Dia do Saci e para comemorar a data, há nove anos acontece a Festa do Saci. Neste ano, entre os dias 25 de outubro e 6 de novembro, uma programação extensa foi preparada para os participantes.
O Mercado Municipal sediará a exposição “Vamos caçar o Saci” a partir do dia 25. Espetáculos, shows, oficinas e gincana estão entre os atrativos da festa. “Queremos divulgar a nossa mitologia e o saci é o personagem principal”, conta o fundador da Sociedade dos Observadores de Saci (SOSACI), Mário Candido da Silva Filho.
Segundo ele, o movimento em prol do resgate do folclore brasileiro organizou a primeira festa em setembro de 2003, intitulada “O Grito do Saci”. Desde então, anualmente, o evento é realizado em São Luiz do Paraitinga.
Filho explica que a origem do saci está ligada ao mito criado pelos índios guaranis. O personagem se transformou em negro com a disseminação da cultura africana no Brasil. Em 1917 foi realizada uma pesquisa por Monteiro Lobato que reuniu inúmeros relatos de pessoas de todo o país que vivenciaram situações com saci que se transformou em um livro. “Monteiro Lobato foi um dos grandes divulgadores do saci. Todos nós da entidade acreditamos em saci, por isso criamos uma sociedade de observação que hoje conta com 1.100 membros”, conta.
A Festa do Saci é gratuita e traz inúmeras atrações para o público. Entre as atividades que chamam a atenção está a “Saciata” com o Bloco do Saci, no dia 28 de outubro, às 20h. No dia 29, às 10h, os amantes do ciclismo podem participar do “Passeio Saciclístico” que partirá da Praça Dr. Oswaldo Cruz, nº 22.
Um dos momentos mais esperados pela comunidade local é a distribuição do Bolo do Saci. Neste ano será no dia 30 de outubro, às 9h30, no calçadão da cidade. Muitos shows e espetáculos serão apresentados durante o evento.
A programação completa pode ser conferida no site da prefeitura de São Luiz do Paraitinga (http://www.saoluizdoparaitinga.sp.gov.br).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dica cultural na faixa em Sampa

Edição tem filmes com entrada franca

Iniciou-se no dia 20, em São Paulo, a 35ª Mostra Internacional de Cinema. Até 3 de novembro, serão exibidos 250 filmes de diferentes países em 22 salas, entre cinemas, museus e centros culturais da capital paulista.

Nesta edição, dezenas de sessões são gratuitas ou têm ingressos com valor simbólico. No Cinusp e na Faap, as sessões têm entrada franca, enquanto no Cine Olido e no Centro Cultural São Paulo (CCSP), o ingresso custa R$ 1.

Existe ainda o 12º Festival da Juventude, um projeto específico para estudantes do Ensino Médio, com sessões no Cine Livraria Cultura, às 10h e 14h; Sabesp e Museu da Imagem e do Som (MIS), às 10h. Para entrar no cinema, basta apresentar a carteirinha de estudante comprovando a matrícula e ter a partir de 14 anos. Entre os filmes selecionados estão "O Palhaço", de Selton Mello, o indiano "O Som do Amor" e o documentário brasileiro "Malditos Cartunistas".

Veja, a seguir, a lista dos cinemas e a programação de cada um.

Cinusp
Rua do Anfiteatro, 181
(11) 3091-3540

Faap - Fundação Armando Álvares Penteado
Rua Alagoas, 903
(11) 3662-7321

Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Rua Vergueiro, 1000
(11) 3397-4002


Cine Olido
Avenida São João, 473
(11) 3397-0158

Masp - Vão Livre
Avenida Paulista, 1578
(11) 3251-5644


12º Festival da Juventude


Cine Livraria Cultura - Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073,
(11) 3285-3696

Cine Sabesp
Rua Fradique Coutinho, 361, Pinheiros
(11) 5096-0585

Museu da Imagem e do Som (MIS)
Avenida Europa, 158, Jd. Europa
(11) 2117-4777

Se quiser ver o restante da programação (com ingressos pagos) e outras informações, é só acessar a página da Mostra de Cinema clicando no cartaz.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Paulo Evaristo Arns, o bispo da esperança


"Francisco não teve nenhuma pretensão, a não ser dar-se. Quis estar junto do outro. Ser Menor, pequeno, para entender a grandeza do outro, não o atropelando em sua dignidade.

Viveria certamente hoje na América Latina uma busca contínua de comunhão com Deus, através de tudo e de todos os seres criados. Tornaria o Evangelho vivo e encarnado, comprometido com o oprimido e o marginalizado de nosso tempo."

Com estas palavras, Dom Paulo descreve um santo lembrado pelos católicos, de modo especial, no dia de hoje: Francisco de Assis, um jovem simples, mas que revolucionou com sua profunda fé, humildade, coragem e, sobretudo, amor. E Dom Paulo, com sua vida, foi um autêntico cristão inspirado pelo exemplo de Francisco.

Vinte e oito anos à frente da segunda maior comunidade católica do mundo, a Arquidiocese de São Paulo, com cerca de 7,8 milhões de fiéis, perdendo apenas para a da Cidade do México, dom Paulo Evaristo Arns foi uma das mais expressivas lideranças religiosas do Brasil. Aos 90 anos, dom Paulo Evaristo Arns, cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, é símbolo de luta pelos mais humildes e resistência contra a ditadura no Brasil.

Dom Paulo celebrou seus 90 anos no dia 14 setembro, em uma cerimônia simples, na capela da casa das Irmãs Franciscanas da Ação Pastoral, em Taboão da Serra. A celebração foi conduzida pelo cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, atual arcebispo da arquidiocese, ao lado do cardeal Dom Cláudio Hummes, oito bispos e 15 padres, assistida, ainda, por familiares e amigos, num total de 75 pessoas.

Biografia e contribuições de Dom Paulo Evaristo Arns na luta pelos direitos humanos

D. Paulo Evaristo Arns é de Forquilhinha, interior de Santa Catarina, mas foi nomeado arcebispo de São Paulo, em 1970. Logo que assumiu o cargo de arcebispo da cidade, em 1970, vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de doláres e empregou o dinheiro na construção de 1.200 centros comunitários na periferia. Impressionou o país e o mundo pelas suas atividades em defesa dos direitos humanos durante o período da ditadura militar, quando combateu a intransigência do regime militar e agiu em favor das vítimas da repressão.

Três anos depois, foi proclamado cardeal pelo papa Paulo 6º. Durante os anos de chumbo, o cardeal combateu a ditadura e as desigualdades sociais. Já recebeu mais de 30 prêmios e certamente figura entre os que mais contribuíram por um mundo melhor. Criou a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, que denuncia até hoje casos de tortura e assassinatos cometidos pelo regime militar, dando apoio às vítimas.

No ano de 1975, celebrou na Catedral da Sé – junto com o rabino Henry Sobel e o reverendo protestante James Wright – um culto ecumênico em função da morte do jornalista Vladimir Herzog.

O cardeal intercedeu no episódio que ficou conhecido como Chacina da Lapa, em 1976, quando parte da direção central do PCdoB foi atingida pela repressão matando três integrantes: Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drummond.

O objetivo da ditadura era dar fim ao núcleo dirigente do partido, que conseguia sobreviver minimamente e comandou a maior resistência armada ao regime: a Guerrilha do Araguaia. Por conta de um delator, Jover Telles, membro do PCB, localizaram o grupo que se reunia na Rua Pio XI, na Lapa. A atuação de Dom Paulo pela defesa dos direitos dos presos políticos e a pressão que exercia no regime militar evitou que outros militantes fossem mortos.

Defendeu também os líderes sindicais nas greves, apoiou a campanha contra o desemprego e o movimento pelas eleições diretas. Sua luta em defesa dos direitos dos pobres e pelo fim da desigualdade social lhe valeu dezenas de prêmios no mundo: título de doutor honoris causa em universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Holanda; prêmio do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (1985), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outros. É o primeiro e único brasileiro com chances reais de ser eleito para ganhar o Nobel da Paz. Perdeu para o Dalai Lama, em 1990.

Por causa de sua coragem em denunciar, Paulo Evaristo foi muito perseguido. Pelas costas era chamado de "bispo vermelho", de "subversivo". Em 1973, por apoiar as mulheres que reclamavam da carestia, recebeu um "castigo" duro: os militares cassaram a rádio 9 de Julho, da Arquidiocese (que foi devolvida, neste ano, no meio de muita festa). O jornal O São Paulo foi o último a deixar de ser censurado no país, em 1978. Foi ele quem criou a Comissão Justiça e Paz de São Paulo, que por muito tempo teve os telefones grampeados.

Dom Paulo também foi um dos representantes da Teologia da Libertação na América do Sul. "O fato de fazer da libertação um modo de vida e um estilo de diálogo foi mais que um discurso ou um slogan. Defendeu a todos sem distinção de credo ou ideologia. E soube, sempre, ouvir com serenidade. Seu valor fundamental foi dizer a palavra correta na hora necessária", reforça Altemeyer. Para Leonardo Boff, o religioso representa o símbolo da "consciência e justiça social, um verdadeiro cardeal dos pobres".

Em 1992, Dom Paulo criou o Vicariato Episcopal da Comunicação, com a finalidade de fazer a Igreja estar presente em todos os meios de comunicação.

Pediu demissão do cargo de cardeal-arcebispo em 1998, como determinam as normas da Igreja. Incentivando a integração entre padres, religiosos e leigos, criou 43 paróquias e apoiou a criação de mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nas periferias da metrópole.

Ao completar 90 anos no último dia 14 de setembro, Dom Paulo Evaristo Arns foi lembrado como "a voz dos que não tinham voz" e um representante "incansável na defesa dos direitos humanos". Jornalista não-profissional registrado na 14º Delegacia Regional do Trabalho de Petrópolis (RJ), em 1961, e empossado como jornalista militante pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entre 1979 e 1985, coordenou com o Pastor Jaime Wright o projeto “Brasil: Nunca Mais”, contra a tortura.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lição UBUNTU

A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), presenteou-nos com um caso de uma tribo da África chamada Ubuntu.

Ela contou que um antropólogo estudava os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve de esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto, de volta para casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas, na cidade. Botou tudo num cesto bem bonito, com um belo laço de fita, e colocou debaixo de uma árvore. Então, chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto. A que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente, todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e os comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas tinham ido todas juntas, se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam:

"Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz, se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...

sábado, 25 de junho de 2011

Poeta do querido Nordeste, da região do Cariri...

Dois Quadros
Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré)

Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terra do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,
Se acaba a esperança da gente roceira,
Na mesma lagoa da festa do sapo,
Agita-se o vento levando a poeira.

A grama no campo não nasce, não cresce:
Outrora este campo tão verde e tão rico,
Agora é tão quente que até nos parece
Um forno queimando madeira de angico.

Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata.

O dia desponta mostrando-se ingrato,
Um manto de cinza por cima da serra
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato
De um bolo de sangue nascendo da terra.
Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
Do canto das aves louvando a natura.

Alegre esvoaça e gargalha o jacu,
Apita o nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre as verduras,
Beijando os primores do meu Cariri.

De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes.

Se o dia desponta, que doce harmonia!
A gente aprecia o mais belo compasso.
Além do balido das mansas ovelhas,
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.

E o forte caboclo da sua palhoça,
No rumo da roça, de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo, contente,
Lançar a semente na terra molhada.

Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso de nosso país.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

História das quadrilhas juninas

Quadrilha no São João de Campina Grande-PB. Denilson Lopes, 2004


Uma das danças mais tradicionais das festas juninas e da cultura brasileira, a quadrilha teve sua origem numa dança das áreas rurais da Inglaterra dos séculos XIII e XIV chamada "country dance". Durante a Guerra dos Cem Anos, entre a Inglaterra e a França, houve também uma transferência cultural entre esses países. Com isso, a França adotou essa dança, o "country dance" virou "contredance" e levou-a para os palácios, tornando-se uma dança presente em todas as festividades da nobreza não só na França, mas em toda a Europa, a partir do século XVIII. Daí, passou a ser mais conhecida por "quadrille", porque era dançada por dois pares (quatro dançantes) ou quatro pares de pessoas. 

A quadrilha foi introduzida no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, possivelmente em 1820, por membros da elite imperial. Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte.
Da mesma forma como viria a acontecer com o samba - de início um ritmo restrito aos morros e que acabou ganhando as ruas - a quadrilha, pelo seu ritmo sincopado e suas marcações dançantes, acabou perdendo o formalismo dos salões e virou uma mania popular que atingiu todos os recantos do país (especialmente nas festas juninas). Aos poucos, foi ganhando um tempero brasileiro, com o povo assimilando a sua coreografia aristocrática: dando-lhe novas características e nomes regionais, alterando as evoluções básicas e introduzindo a sanfona, o triângulo e a zabumba.

No sertão do Nordeste encontrou um colorido especial, associando-se à música, aos fogos de artifícios e à comida da Região. Como as coreografias eram indicadas em francês, o povo repetindo certas palavras ou frases levou também à folclorização das marcações aportuguesadas do francês, o que deu origem ao matutês, mistura do linguajar matuto com o francês, que caracteriza a maioria dos passos da quadrilha junina: anavantu ("en avant tout"), anarriê ("en arrière"), changê-de-dama ("changez de dames")... A criatividade popular encarregou-se de acrescentar novos passos como Olha a chuva! É mentira, A Ponte quebrou, Nova ponte, Caminho da roça e também outros figurantes como os do casamento matuto: o noivo e a noiva, o padre, o pai da noiva, o sacristão, o juiz e o delegado.

O casamento matuto, hoje associado à quadrilha é a representação onde os jovens debocham com malícia da instituição do casamento, da severidade dos pais, do sexo pré-nupcial e suas consequências, do machismo. O enredo é quase sempre o mesmo com poucas variantes: a noiva fica grávida antes do casamento e os pais obrigam o noivo a casar. Este se recusa, sendo necessário a intervenção da polícia. O casamento é realizado com o padre e o juiz, sob as garantias do delegado e até de soldados. A quadrilha é o baile em comemoração ao casamento. O enredo é desenvolvido em linguagem alegórica, satirizando a situação com humor e carregando no sotaque do interior.

Veja sugestão para a evolução da Quadrilha, caso você vá participar de alguma, no sítio "FESTA JUNINA"!

domingo, 5 de junho de 2011

Música de Renato Russo vira filme

Baseado numa das músicas mais famosas da banda Legião Urbana e de mesmo nome, o filme Faroeste Caboclo não está com data prevista de estreia. No entanto, a equipe do longa metragem já encerrou as gravações na capital federal, Brasília, e agora estão em Paulínia, se preparando para mais uma etapa de gravação. Em Brasília, a equipe buscou locais reais e que se encaixassem perfeitamente no contexto que a música traz. Os protagonistas do filme, são: Fabrício Boliveria fará João de Santo Cristo, Isis Valverde será Maria Lúcia e Felipe Abib viverá Jeremias.

A música Faroeste Caboclo virou roteiro de cinema graças a adaptação de Paulo Lins e Marcos Bernstein e espera-se que o longa chegue nas telonas em 2012. A história fala sobre a saída de João de Santo Cristo de Salvador para Brasília, onde se envolve com o tráfico de drogas e acaba comprando briga com o maior dos traficantes da localidade, Jeremias. Entre todas essas desavenças, ai tem o triângulo amoroso com Maria Lúcia, e que de forma trágica apresenta um desfecho traumático.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Piada, mas tem um fundo de verdade...

 Num acampamento do MST

Chega um circo na cidade e se instala ao lado de um acampamento dos Sem Terra. Um belo dia, um dos leões foge da jaula e investe contra o acampamento. Tumulto, correrias, medo, pânico tudo ao mesmo tempo. O leão faminto se aproxima de um grupo de crianças. Ele já está para investir contra as crianças quando um dos homens do acampamento se enche de coragem, pega uma foice e decide enfrentar o animal. E lá estão eles, o sem terra e o leão, po leão e o sem terra, frente a frente, olho no olho. O leão dá um salto, o sem terra se esquiva e acerta uma foiçada, duas, três, muitas foiçadas no leão que fica todo ensangüentado e morre na hora. No dia seguinte, os 'grandes' jornais da grande imprensa "isenta e descompromissada" publicam a notícia com a manchete:

SEM TERRA IMPIEDOSO MATA POBRE E INDEFESO LEÃO
COM REQUINTES DE CRUELDADE

Anda circulando um boato de que membros do MST roubam ovos de tartaruga para vender. Isso é lenda! Veja nos sítios abaixo.
A farsa revelada! Veja a mentira e o que é verdade:

http://terceirocaderno.wordpress.com/2010/10/27/mst-seria-o-movimento-dos-sem-tartaruga/
Links que falam do manejo dos ovos de tartaruga na Praia de Ostional:
http://www.quatrocantos.com/LENDAS/430_ovos_tartaruga_costa_rica_mst.htm
http://www.inbio.ac.cr/es/estudios/tortuga_lora.htm

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Peixe, símbolo cristão

O símbolo mais reconhecido do cristianismo é sem dúvida a cruz, que pode apresentar uma grande variedade de formas de acordo com a denominação: crucifixo para os católicos, a cruz de oito braços para os ortodoxos e uma simples cruz latina para os protestantes evangélicos. Outro símbolo cristão, que remonta aos começos da religião. é o Ichthys ou peixe estilizado: 
Uma outra versão contendo o acrônimo ΙΧΘΥΣ. Ictus, Icthus ou Ichthus (do grego antigo ἰχθύς, em maiúsculas ΙΧΘΥΣ ou ΙΧΘΥC, significando "peixe") é o símbolo ou marca do cristão.
Significado

"ΙΧΘΥΣ": trata-se de um acrônimo, utilizado pelos cristãos primitivos, da expressão "Iesus Christos Theou Uios Soter" (em grego, conforme se vê acima), que significa "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador". Foi um dos primeiros símbolos cristãos, juntamente com o crucifixo e continua a ser usado. A figura tinha, ademais, um significado místico, porque, como os peixes, também os cristãos eram "nascidos nas águas".

Histórico

O Ictus era utilizado para marcar catacumbas cristãs na época de perseguição aos cristãos. Outra utilidade era o uso para comunicação: um cristão marcava um lugar com uma meia-lua para baixo, se o outro também fosse cristão, marcava a meia lua para cima, formando o símbolo.

O peixe foi e ainda é um dos símbolos do Cristianismo. O peixe era alimento básico entre os judeus. Embora duas vezes tenha sido objeto de milagre, e assim como o pão tornou-se símbolo de Cristo, assim também o peixe pôde ser lembrado como provisão de Deus. Uma vez que o peixe era um alimento essencial, a profissão de pescador era comum. O Senhor Jesus usou a figura do pescador e da pesca para exemplificar o discipulado e a abrangência do Reino de Deus.

domingo, 1 de maio de 2011

DIA DO "TRABALHADOR": veja como surgiu...

Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos indignos porta-vozes das instituições, que trazem os trabalhadores encadeados! Um dia no qual o trabalhador faça suas próprias leis e tenha o poder de executá-las! Tudo sem o consentimento nem a aprovação dos que oprimem e governam. Um dia no qual com tremenda força o exército unido dos trabalhadores se mobilize contra os que hoje dominam o destino dos povos de todas as nações.

Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e as guerras de todo tipo. Um día para começar a desfrutar de oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas para o que nos der gana.

(Panfleto que circulava em Chicago em 1885)

A cada ano, o 1º de Maio rememora o assassinato de cinco sindicalistas estadunidenses, em 1886, numa das maiores mobilizações operárias celebradas naquele país, reivindicando a jornada laboral de oito horas.

Em julho de 1889, o 1º Congresso da 2ª Internacional acordou celebrar o 1º de Maio como jornada de luta do proletariado de todo o mundo e adotou a seguinte resolução histórica: “Deve organizar-se uma grande manifestação internacional numa mesma data de tal maneira que os trabalhadores de cada um dos países e de cada uma das cidades exijam simultaneamente das autoridades públicas limitar a jornada laboral a oito horas e cumprir as demais resoluções deste Congresso Internacional de Paris”.

Chicago, maio de 1886

O retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos diretamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extração da mais-valia, através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.

Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.

Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.

No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.
 
Os oradores se revesavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.

A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se “Estado de Sítio” e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.

A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

TORCEDOR, boa notícia! Conheça e exija seus direitos!!!

Começa a funcionar o Juizado Especial de Defesa do Torcedor


O Tribunal de Justiça de São Paulo iniciou, nesse sábado (23), o funcionamento do Juizado Especial de Defesa do Torcedor, em uma das partidas das quartas de final do Campeonato Paulista de Futebol. O jogo aconteceu no estádio do Pacaembu, às 18h30, entre Corinthians x Oeste.

Para o desembagador Guilherme Strenger, que coordena o Juizado do Torcedor, o serviço tem caráter inibidor. “Estatísticas do antigo modelo de juizado, que funcionava nos estádios desde 2006, mostram que a presença do Judiciário numa partida de futebol reduz em cerca de 60% o número de ocorrências”, disse ele.

Na estreia do Juizado do Torcedor, apenas uma ocorrência foi registrada. Um rapaz, que não tinha antecedentes criminais, foi acusado de desacato à autoridade. O processo foi recebido no juizado e, como não houve composição (acordo), terá continuidade no Fórum Criminal da Barra Funda. O homem não foi preso.

O Juizado do Torcedor vem para substituir, nas competições esportivas, o antigo Jecrim (Juizado Especial Criminal), que tinha competência para atender apenas ocorrências de menor potencial ofensivo, com penas de até dois anos. Agora, é possível receber também casos de fraude nos resultados das competições e atividade de cambista.

Além disso, o Juizado passou a atender questões da área cível, onde o espectador pode exigir os direitos estabelecidos pelo Estatuto do Torcedor, como banheiros em condições de uso, assentos marcados e segurança nos estádios.

Saiba mais - O TJSP criou uma página na internet para esclarecer aos torcedores quais são seus direitos e deveres, os crimes previstos no Estatuto e explicar como funciona o juizado. Nesse espaço, também, é possível acompanhar uma história em quadrinhos, que será constantemente atualizada, e “cujo objetivo é atingir crianças e adolescentes com mensagens didáticas e educar os futuros torcedores”, explica Sérgio Hideo Okabayashi, juiz assessor da presidência da Seção de Direito Criminal, que idealizou as tiras e contou com a colaboração técnica da Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do TJSP. A ideia é, no futuro, fazer uma versão impressa para ser distribuída nas escolas.

Para a implantação da infraestrutura do juizado, o Tribunal firmou parceria com o Ministério dos Esportes e contou com o apoio da Federação Paulista de Futebol e da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis).

segunda-feira, 25 de abril de 2011

PARABÉNS, CONTABILISTA! HOJE É NOSSO DIA!

É importante destacar a responsabilidade que esse profissional exerce perante a sociedade. Uma das características dessa importante profissão, que contribui para a organização e o controle do patrimônio social, é a diversidade de atividades. A ênfase maior na formação do profissional da Contabilidade acaba sendo dada à atuação no setor privado. Porém, o contabilista pode prestar importantes serviços aos gestores públicos e à sociedade.

Na gestão pública, ele pode ser responsável pelo controle orçamentário, pelas auditorias financeiras, o registro das principais contas, planejamento dos investimentos, controle de gastos, orientação de pagamentos e balanços, e (o mais importante) auxiliar os governos no processo de prestação de contas à sociedade. Além disso, enquanto a Administração Pública ainda não possui os recursos necessários ao alcance dos objetivos preconizados no art. 3º da Constituição Federal (garantir o desenvolvimento nacional, promover o bem de todos, etc.), o contador é fundamental para o melhor resultado com o mínimo de recursos possível (eficiência máxima). Melhor resultado para o setor público é o máximo de bem-estar social. E eficiência máxima nem sempre significa melhor resultado para o setor público, pois diminuir gastos públicos pode significar queda no bem-estar social. Portanto, a administração pública deve buscar uma combinação ótima entre máxima eficiência e máximo bem-estar social com os recursos disponíveis.

Para desempenhar esse papel, os contadores precisam conhecer a legislação fiscal, comercial, e do trabalho dentro de seu país, os princípios de funcionamento e o patrimônio da entidade onde trabalham. Também precisam de conhecimentos teóricos e práticos sobre finanças públicas, ciências sociais, estatística, matemática e de alguns ramos da administração e de recursos humanos. E, cada vez mais, o uso da informática e de novas tecnologias é um diferencial no perfil profissional do contabilista que sempre está se formando e aplicando seus conhecimentos em prol do controle econômico.

O contabilista também pode ser um importante auxiliar aos movimentos sociais e demais associações, contribuindo para o exercício ativo da cidadania. Dentre os seus papéis junto aos cidadãos, pode-se destacar:
  • traduzir, para a sociedade, informações contábeis contidas nos balancetes das prefeituras, governos estaduais e União, muitas vezes indecifráveis para o leigo;
  • detectar indícios de corrupção;
  • fazer análises dos balanços públicos (arrecadação de tributos e aplicação dos recursos), fornecendo informações úteis às reivindicações dos diversos setores da sociedade - profissionais do serviço público em geral (educação, justiça, segurança, etc.), aposentados e pensionistas, estudantes, sem terra, sem teto, associações de luta por ampliação e melhoria nos serviços públicos, dentre outras agremiações que estão relacionadas ao lado, na seção "BRAVA GENTE".
Veja no portal COSIF as principais áreas de atuação do profissional de Contabilidade nas empresas, no ensino, como autônomo e no setor público.

terça-feira, 19 de abril de 2011

JESUS ESTÁ NO MEIO DE NÓS!!!

Páscoa, a festa de Cristo ressuscitado

A Igreja Católica celebra um momento intenso de espiritualidade, a etapa final de preparação para a festa maior: a Páscoa. E para entender por que essa festa é A MAIS IMPORTANTE CELEBRAÇÃO para os cristãos, é necessário entender os motivos que levaram Jesus à morte na cruz, e daí compreender o sentido da ressurreição de Jesus na vida da comunidade cristã.

(aprecie o poema sobre o tema: "REINA, ALEGRIA!"

Jesus é a porta do Reino

Jesus proclama a Boa Notícia: o Reino de Deus! As atitudes que fazem acontecer o Reino de Deus em nosso meio são o amor e a reconciliação. Quando somos amorosos e nos perdoamos uns aos outros, somos libertos das amarras da violência e do pecado. Surge, então, uma sociedade nova, libertadora.

O Deus do Reino anunciado por Jesus é muito diferente do Deus dos escribas e fariseus: de um lado, o Deus da misericórdia e do perdão, o Deus que escolhe os marginalizados para fazer parte do Reino e rejeita os “puros” e os “piedosos”; de outro, uma religião que mantém uma situação de exclusão e de injustiças.

Diante das críticas de Jesus, os chefes judeus se sentiram agredidos. Com suas ações em favor da vida, Jesus desmascarava a violência romana (Jo 11,46-48). Com sua pregação e suas atitudes, Jesus desestabiliza o sistema religioso e social dominantes entre os judeus.

A conclusão a que chegaram os poderosos da época era de que Jesus representava um perigo e deveria ser morto.

Não há maior amor que dar a vida pelos amigos

Jesus conhecia a história de seu povo e sabia do destino dos profetas (Lc 6,26). Nem era preciso grande esperteza para saber que acabaria na cruz.

A morte na cruz não foi algo predeterminado por Deus, ou que “deveria acontecer assim”. Deus queria, mesmo, era que Jesus fosse aceito junto com sua mensagem do Reino. Como Deus, que é amor, não “força a barra” para que aceitemos ou não a sua proposta de vida, a rejeição de Jesus por parte do ser humano é totalmente possível.

Jesus não sofreu e morreu por acaso. Tudo foi consequência de sua opção radical pela vida. Podemos dizer que a não aceitação da proposta do Reino de Deus é a causa da morte de Jesus. Por falar em libertação e para ser fiel ao seu povo até as últimas consequências, que Jesus foi punido com a morte na cruz.

O sofrimento e a cruz em si mesmos não são salvadores. Salvadora é a vida toda de Jesus, pois a vida de Jesus leva à vitória sobre o pecado e à realização do Reino de Deus em nosso meio. A cruz passou a ser salvadora por causa da vida de Jesus. A cruz é salvadora porque constitui o resumo e a radicalização máxima da entrega de Jesus, vivida durante toda a sua vida.

Ó morte, estás vencida pelo Senhor da Vida! (1Cor 15,55)

 
A morte de Jesus não passaria de uma triste lembrança dos discípulos, se um fato novo não tivesse ocorrido: Jesus foi ressuscitado pelo Pai! Esse é o fato que reanima as comunidades e as faz recomeçar a caminhada em busca do Reino!

A ressurreição de Jesus é a revanche de Deus, faz-nos entender que Deus não abandonou Jesus, nem abandona os seres humanos. Podemos comparar a ressurreição como a semente que, cultivada e regada, morre e renasce como planta.

Acreditar na ressurreição não muda o passado, nem evita o futuro, mas dá outro sentido ao presente. Faz a vida acontecer hoje. É descobrir na vida a força atual e presente de Deus que é Deus dos vivos (Mt 22,32).

A ressurreição de Jesus anuncia que temos possibilidade de uma vida baseada no amor, no respeito, na dignidade humana, olhando para os dias que temos com esperança e fé. É o próprio Deus que nos oferece, e, por isso, a cada Páscoa, esse Deus é exaltado, e sua ação em favor da humanidade, relembrada e celebrada.

O Senhor ressuscitado é sinal de que vale a pena querer viver e lutar pelo Reino de Deus, pela vida para todos. Deus não criou para a morte, mas para a vida! Vivendo a experiência do Cristo vivo e ressuscitado, nós temos a paz verdadeira, que conduz à prática da justiça e da misericórdia (Jo 20,19).

Quem estiver vivido no amor, no amor viverá para sempre!