quarta-feira, 27 de abril de 2011

TORCEDOR, boa notícia! Conheça e exija seus direitos!!!

Começa a funcionar o Juizado Especial de Defesa do Torcedor


O Tribunal de Justiça de São Paulo iniciou, nesse sábado (23), o funcionamento do Juizado Especial de Defesa do Torcedor, em uma das partidas das quartas de final do Campeonato Paulista de Futebol. O jogo aconteceu no estádio do Pacaembu, às 18h30, entre Corinthians x Oeste.

Para o desembagador Guilherme Strenger, que coordena o Juizado do Torcedor, o serviço tem caráter inibidor. “Estatísticas do antigo modelo de juizado, que funcionava nos estádios desde 2006, mostram que a presença do Judiciário numa partida de futebol reduz em cerca de 60% o número de ocorrências”, disse ele.

Na estreia do Juizado do Torcedor, apenas uma ocorrência foi registrada. Um rapaz, que não tinha antecedentes criminais, foi acusado de desacato à autoridade. O processo foi recebido no juizado e, como não houve composição (acordo), terá continuidade no Fórum Criminal da Barra Funda. O homem não foi preso.

O Juizado do Torcedor vem para substituir, nas competições esportivas, o antigo Jecrim (Juizado Especial Criminal), que tinha competência para atender apenas ocorrências de menor potencial ofensivo, com penas de até dois anos. Agora, é possível receber também casos de fraude nos resultados das competições e atividade de cambista.

Além disso, o Juizado passou a atender questões da área cível, onde o espectador pode exigir os direitos estabelecidos pelo Estatuto do Torcedor, como banheiros em condições de uso, assentos marcados e segurança nos estádios.

Saiba mais - O TJSP criou uma página na internet para esclarecer aos torcedores quais são seus direitos e deveres, os crimes previstos no Estatuto e explicar como funciona o juizado. Nesse espaço, também, é possível acompanhar uma história em quadrinhos, que será constantemente atualizada, e “cujo objetivo é atingir crianças e adolescentes com mensagens didáticas e educar os futuros torcedores”, explica Sérgio Hideo Okabayashi, juiz assessor da presidência da Seção de Direito Criminal, que idealizou as tiras e contou com a colaboração técnica da Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do TJSP. A ideia é, no futuro, fazer uma versão impressa para ser distribuída nas escolas.

Para a implantação da infraestrutura do juizado, o Tribunal firmou parceria com o Ministério dos Esportes e contou com o apoio da Federação Paulista de Futebol e da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis).

segunda-feira, 25 de abril de 2011

PARABÉNS, CONTABILISTA! HOJE É NOSSO DIA!

É importante destacar a responsabilidade que esse profissional exerce perante a sociedade. Uma das características dessa importante profissão, que contribui para a organização e o controle do patrimônio social, é a diversidade de atividades. A ênfase maior na formação do profissional da Contabilidade acaba sendo dada à atuação no setor privado. Porém, o contabilista pode prestar importantes serviços aos gestores públicos e à sociedade.

Na gestão pública, ele pode ser responsável pelo controle orçamentário, pelas auditorias financeiras, o registro das principais contas, planejamento dos investimentos, controle de gastos, orientação de pagamentos e balanços, e (o mais importante) auxiliar os governos no processo de prestação de contas à sociedade. Além disso, enquanto a Administração Pública ainda não possui os recursos necessários ao alcance dos objetivos preconizados no art. 3º da Constituição Federal (garantir o desenvolvimento nacional, promover o bem de todos, etc.), o contador é fundamental para o melhor resultado com o mínimo de recursos possível (eficiência máxima). Melhor resultado para o setor público é o máximo de bem-estar social. E eficiência máxima nem sempre significa melhor resultado para o setor público, pois diminuir gastos públicos pode significar queda no bem-estar social. Portanto, a administração pública deve buscar uma combinação ótima entre máxima eficiência e máximo bem-estar social com os recursos disponíveis.

Para desempenhar esse papel, os contadores precisam conhecer a legislação fiscal, comercial, e do trabalho dentro de seu país, os princípios de funcionamento e o patrimônio da entidade onde trabalham. Também precisam de conhecimentos teóricos e práticos sobre finanças públicas, ciências sociais, estatística, matemática e de alguns ramos da administração e de recursos humanos. E, cada vez mais, o uso da informática e de novas tecnologias é um diferencial no perfil profissional do contabilista que sempre está se formando e aplicando seus conhecimentos em prol do controle econômico.

O contabilista também pode ser um importante auxiliar aos movimentos sociais e demais associações, contribuindo para o exercício ativo da cidadania. Dentre os seus papéis junto aos cidadãos, pode-se destacar:
  • traduzir, para a sociedade, informações contábeis contidas nos balancetes das prefeituras, governos estaduais e União, muitas vezes indecifráveis para o leigo;
  • detectar indícios de corrupção;
  • fazer análises dos balanços públicos (arrecadação de tributos e aplicação dos recursos), fornecendo informações úteis às reivindicações dos diversos setores da sociedade - profissionais do serviço público em geral (educação, justiça, segurança, etc.), aposentados e pensionistas, estudantes, sem terra, sem teto, associações de luta por ampliação e melhoria nos serviços públicos, dentre outras agremiações que estão relacionadas ao lado, na seção "BRAVA GENTE".
Veja no portal COSIF as principais áreas de atuação do profissional de Contabilidade nas empresas, no ensino, como autônomo e no setor público.

terça-feira, 19 de abril de 2011

JESUS ESTÁ NO MEIO DE NÓS!!!

Páscoa, a festa de Cristo ressuscitado

A Igreja Católica celebra um momento intenso de espiritualidade, a etapa final de preparação para a festa maior: a Páscoa. E para entender por que essa festa é A MAIS IMPORTANTE CELEBRAÇÃO para os cristãos, é necessário entender os motivos que levaram Jesus à morte na cruz, e daí compreender o sentido da ressurreição de Jesus na vida da comunidade cristã.

(aprecie o poema sobre o tema: "REINA, ALEGRIA!"

Jesus é a porta do Reino

Jesus proclama a Boa Notícia: o Reino de Deus! As atitudes que fazem acontecer o Reino de Deus em nosso meio são o amor e a reconciliação. Quando somos amorosos e nos perdoamos uns aos outros, somos libertos das amarras da violência e do pecado. Surge, então, uma sociedade nova, libertadora.

O Deus do Reino anunciado por Jesus é muito diferente do Deus dos escribas e fariseus: de um lado, o Deus da misericórdia e do perdão, o Deus que escolhe os marginalizados para fazer parte do Reino e rejeita os “puros” e os “piedosos”; de outro, uma religião que mantém uma situação de exclusão e de injustiças.

Diante das críticas de Jesus, os chefes judeus se sentiram agredidos. Com suas ações em favor da vida, Jesus desmascarava a violência romana (Jo 11,46-48). Com sua pregação e suas atitudes, Jesus desestabiliza o sistema religioso e social dominantes entre os judeus.

A conclusão a que chegaram os poderosos da época era de que Jesus representava um perigo e deveria ser morto.

Não há maior amor que dar a vida pelos amigos

Jesus conhecia a história de seu povo e sabia do destino dos profetas (Lc 6,26). Nem era preciso grande esperteza para saber que acabaria na cruz.

A morte na cruz não foi algo predeterminado por Deus, ou que “deveria acontecer assim”. Deus queria, mesmo, era que Jesus fosse aceito junto com sua mensagem do Reino. Como Deus, que é amor, não “força a barra” para que aceitemos ou não a sua proposta de vida, a rejeição de Jesus por parte do ser humano é totalmente possível.

Jesus não sofreu e morreu por acaso. Tudo foi consequência de sua opção radical pela vida. Podemos dizer que a não aceitação da proposta do Reino de Deus é a causa da morte de Jesus. Por falar em libertação e para ser fiel ao seu povo até as últimas consequências, que Jesus foi punido com a morte na cruz.

O sofrimento e a cruz em si mesmos não são salvadores. Salvadora é a vida toda de Jesus, pois a vida de Jesus leva à vitória sobre o pecado e à realização do Reino de Deus em nosso meio. A cruz passou a ser salvadora por causa da vida de Jesus. A cruz é salvadora porque constitui o resumo e a radicalização máxima da entrega de Jesus, vivida durante toda a sua vida.

Ó morte, estás vencida pelo Senhor da Vida! (1Cor 15,55)

 
A morte de Jesus não passaria de uma triste lembrança dos discípulos, se um fato novo não tivesse ocorrido: Jesus foi ressuscitado pelo Pai! Esse é o fato que reanima as comunidades e as faz recomeçar a caminhada em busca do Reino!

A ressurreição de Jesus é a revanche de Deus, faz-nos entender que Deus não abandonou Jesus, nem abandona os seres humanos. Podemos comparar a ressurreição como a semente que, cultivada e regada, morre e renasce como planta.

Acreditar na ressurreição não muda o passado, nem evita o futuro, mas dá outro sentido ao presente. Faz a vida acontecer hoje. É descobrir na vida a força atual e presente de Deus que é Deus dos vivos (Mt 22,32).

A ressurreição de Jesus anuncia que temos possibilidade de uma vida baseada no amor, no respeito, na dignidade humana, olhando para os dias que temos com esperança e fé. É o próprio Deus que nos oferece, e, por isso, a cada Páscoa, esse Deus é exaltado, e sua ação em favor da humanidade, relembrada e celebrada.

O Senhor ressuscitado é sinal de que vale a pena querer viver e lutar pelo Reino de Deus, pela vida para todos. Deus não criou para a morte, mas para a vida! Vivendo a experiência do Cristo vivo e ressuscitado, nós temos a paz verdadeira, que conduz à prática da justiça e da misericórdia (Jo 20,19).

Quem estiver vivido no amor, no amor viverá para sempre!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Realengo, por uma professora

Ao contrário do espetáculo e das reflexões superficiais promovidos pela grande mídia sobre o que aconteceu em Realengo, a análise a seguir toca em aspectos não abordados pelos ditos "especialistas" de plantão. O assassino foi o único culpado? Que tipo de valores estão sendo incentivados? O que esperar de uma sociedade que exalta a criminalidade, os mafiosos, a violência, através de filmes e programas de TV, e quase nunca valoriza quem luta pela paz, é solidário aos pobres, trabalha anonimamente em favelas para, através do teatro e da música, salvar crianças de situações de risco? Estimula-se a violência, o preconceito, a competição e o desrespeito à vida de forma clara ou dissimulada (paredão, "eliminar" o concorrente, etc.). De nada adianta haver rigor na penalidade ao agressor ou aumentar a vigilância se não repensarmos a sociedade. Não adianta atacar o mal depois que ele aconteceu, se não fazemos nada para evitar que ele aconteça.

Isso não significa "inocentar" o agressor. Mas cabe um questionamento: será que nossa sociedade não está incentivando que tragédias como essa aconteçam no futuro?
Nenhuma escola é uma ilha
Ana Flávia C. Ramos é professora, historiadora pela Unicamp

Tragédias como a ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, sempre provocam grande comoção pública, indignação e, obviamente, tristeza pelas muitas crianças perdidas no atentado. Além desses sentimentos, tais fatos provocam também um grande tsunami de “especialistas”, mobilizados em velocidade estonteante pela mídia, para dar laudos e explicações quase matemáticas sobre as motivações do assassino. O atirador Wellington Menezes de Oliveira, segundo as informações desses “cientistas da tragédia” (que variam de “criminólogos” a policiais militares), era tímido, solitário, filho adotivo, “usuário” constante do computador (a “droga” dos tempos modernos segundo os “analistas”), ateu, islâmico, fanático, fundamentalista, portador do vírus da AIDS e, provavelmente, vítima de bullying na escola.

Certamente não há como contestar que todo ato humano, e por isso histórico, se explica a partir da análise de uma cadeia de relações complexas. Como digo aos alunos, nada tem resposta simples e direta. Entretanto, o tipo de questão levantada para entender o terrível ato de Wellington Menezes de Oliveira diz muito mais sobre nós mesmos do que sobre ele. Todos os nossos preconceitos estão embutidos nessas respostas. De fato, não sabemos, e talvez nunca saibamos, por que exatamente ele atirou contra cada uma das crianças (em sua maioria meninas), assim como não sabemos sobre as reais motivações dos muitos atentados como esse, ocorridos em países como Estados Unidos e Dinamarca. Mesmo depois de tudo o que se discutiu, ainda é difícil, por exemplo, explicar Columbine (abril de 1999).

Uma das coisas que mais tem me chamado a atenção é a recorrência da explicação que elege o bullying escolar como um dos fatores que podem desencadear esse tipo de ato violento. A explicação não é nova, Columbine é prova disso. Há mais de dez anos atrás, dois meninos entram em uma escola, de capa preta (quase como em um filme hollywoodiano) e atiram em seus colegas. “Especialistas”, gringos agora, se apressam em dizer as razões: divórcio nas famílias, videogames, filmes violentos, Marilyn Manson, porte de armas facilitado e, como não poderia faltar, bullying na escola.

É inegável que o bullying é uma realidade. É indiscutível que ele é extremamente nocivo e doloroso aos alunos que sofrem com ele. É evidente que há urgência em iniciar um debate para saber como sanar o problema. Mas a pergunta que fica é: o que de fato é o bullying? Ele é um sinal (histórico) de que? E ainda mais: ele é um problema restrito à escola? Por que os alunos são tão cruéis com seus colegas?

Michael Moore, cineasta norte-americano explosivo, tentou dar a sua interpretação para o atentado de Columbine com o documentário Bowling for Columbine (2002). Moore, ao invés de repetir os clichês da mídia, foi implacável na destruição do senso comum das justificativas moralistas para o evento. Item por item, desde a desagregação da família, Manson, até a polêmica questão do porte de armas foram desconstruídos em sua narrativa. O foco centrou-se em respostas muito mais interessantes, localizadas não nos dois jovens assassinos, mas na sociedade americana. O imperialismo militarista dos Estados Unidos, a ação violenta em outros países, a política do medo (incentivada pelo Estado e pela grande mídia), que reforça e superestima dados sobre a violência urbana, sobre o fim de mundo, e, principalmente, a intolerância com todo tipo de diferença. Racismo, preconceito, homofobia, conflitos religiosos e luta de classes são só alguns dos ingredientes do caldeirão de ódios em que se transformou a sociedade americana.

Como crescer no Colorado, na “livre” América, e não ser conspurcado por esses valores? Como não idolatrar armas e achar que elas são um meio prático de solucionar problemas? Como viver imune a uma sociedade individualista, capitalista, que divide os seus cidadãos o tempo todo em “winners” e “loosers”? E mais ainda, como não se deixar levar por uma sociedade que até hoje não consegue lidar com a diferença entre brancos e negros? Uma sociedade que até os anos 1960 não oferecia direitos, oportunidades e tratamentos iguais a todos os seus cidadãos, tem o que para oferecer ao pensamento dos estudantes? Os americanos, ainda hoje, estão preparados para o respeito à diferença? A relação que eles mantêm com os muçulmanos diz muito. Definitivamente a liberdade e o respeito ainda não se transformaram em uma unanimidade por lá.

É claro que mesmo Moore não chega a dar respostas definitivas sobre a questão. E mais ainda: é evidente que ele considera a forma pela qual a instituição ESCOLA trata seus alunos (hierarquias e classificações hostis), ignorando muitas vezes o bullying, tem sua responsabilidade no massacre. Assim como é nítido que a venda facilitada de armas e munição são coadjuvantes importantes da história. Mas Moore foi corajoso ao lançar em cada um dos americanos a responsabilidade da tragédia e discutir aquilo que ninguém teve coragem (ou má fé) de fazer. Nem a mídia, nem o governo, nem a sociedade. É preciso encarar os “monstros”, com franqueza, e não apenas “satanizar” o ambiente escolar, para dar algum significado para esses eventos.

Ontem no Terra Magazine o antropólogo Roberto Albergaria afirmou que a mídia e a sociedade brasileira desejavam o impossível: explicações para um “desvario sem significado”. Segundo ele, o que Wellington Menezes praticou foi o que os estudos franceses chamam de “violência pós-moderna”, caracterizada por uma ruptura irracional, sem explicação. De fato, talvez tenha sido um “ato irracional”, fruto de um momento de insanidade. Mas acredito que esse tipo de resposta não nos ajuda a resolver coisas importantes sobre nós mesmos. A tragédia no Realengo, a meu ver, pode e deve ser início de um debate importante sobre a nossa sociedade.

A tragédia na escola do Rio de Janeiro acontece num contexto bastante relevante. Em outubro de 2009, Geyse Arruda foi hostilizada por seus colegas de faculdade porque, segundo eles, ela não sabia se vestir de modo “apropriado” para freqüentar as aulas. Em junho de 2010, Bruno, goleiro do Flamengo, é suspeito de matar a ex-namorada, Elisa Samudio, por não querer pagar pensão ao filho. Suposta garota de programa, Samudio foi hostilizada na opinião de muitos brasileiros. Após rompimento, Mizael Bispo, inconformado, mata sua ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010. Em novembro de 2010, grupos de jovens agridem homossexuais na Avenida Paulista, enquanto Mayara Petruso incita o assassinato de nordestinos pelo Twitter. E mais recentemente, em cadeia nacional, Jair Bolsonaro faz discurso de ódio contra homossexuais e negros. Tudo isso instigado e complementado pelo discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República. A mídia? Estava ao lado de Serra, corroborando em suas artimanhas, reforçando preconceitos contra Dilma, contra as mulheres e contra os tantos mais “adversários” do candidato tucano.

Wellington matou mais meninas na escola carioca. Se, por um lado, jamais saberemos as reais razões que o fizeram agir dessa forma, por outro sabemos o quanto a sociedade brasileira tem sido, no mínimo, indulgente com atos de intolerância, machismo, ódio e preconceito contra mulheres, negros e homossexuais. Se não há uma ligação direta entre esses diversos acontecimentos, eles pelo menos nos fazem pensar o quanto vale a vida de alguém em um contexto de tantos ódios? Quantas mulheres morrerão hoje vítimas do machismo? Quantos gays sofreram violência física? Quantos negros sentirão declaradamente o ódio racial que impregna o nosso país? O que é o bullying se não o prolongamento para a escola desse tipo de mentalidade? Quantas pessoas apoiaram as declarações de ódio de Bolsonaro via Facebook? Aquilo que acontece no ambiente escolar nada mais é do que um microcosmo do que a sociedade elege como valores primordiais. E o Brasil, que por tanto tempo negou a “pecha” de racista e preconceituoso, vê sua máscara cair.

Não adianta culpar o bullying, achando que ele é um problema de jovens, um problema das escolas. Não adiante grades e detectores de metal nas entradas ou a proibição da venda de armas. Como professora, sei que o que os alunos reproduzem em sala nada mais é do que ouviram da boca de seus pais ou na mídia. Não adiante pedir paz e tolerância no colégio enquanto a mídia e a sociedade fazem outra coisa. Na escola, o problema do bullying é tratado como algo independente da realidade política, econômica e social do país. Mas dá pra separar tudo isso? Dá pra colocar a questão só em “valores” dos adolescentes, da influência do malvado do computador ou dos videogames? Ou é suficiente chamar o ato de Wellington de uma “violência pós-moderna” sem explicação? Das muitas agressões cotidianas, a da escola do Realengo é apenas uma demonstração da potencialidade de nossos ódios. A única coisa que me pergunto é: teremos a coragem de fazer esse tipo de discussão?

sábado, 2 de abril de 2011

Mudando o rumo de vida...


A caminho da Páscoa do Senhor
Dom Nelson Westrupp, scj, presidente do Regional Sul 1 da CNBB

A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã. Ajuda as pessoas e as comunidades eclesiais a se prepararem dignamente para a celebração da Páscoa do Senhor.

O período quaresmal é tempo sobremaneira apropriado à conversão de vida e à renovação interior. Aliás, não há Quaresma sem conversão. Converter-se é separar-se do mal e voltar-se para o bem. É mudar radicalmente de vida e de critérios. A conversão radical insere-se no coração da vida.

Exige gestos concretos de amor e de misericórdia, de partilha fraterna e de justiça. Podemos dizer que o cristão é um convertido em estado de conversão, pois a conversão dura, enquanto perdurar nosso peregrinar neste mundo.

Converter-se é procurar viver todos os dias a “vida nova”, da qual Cristo nos revestiu, transformando-nos Nele, para fazer um só corpo com Ele e com os irmãos.

Há em nós atitudes que devem morrer. Converter-se cada dia exige morrer aos poucos, sepultar-nos com Cristo para ressuscitarmos com Ele.

O amor de Deus chama-nos à conversão, a renunciar a tudo o que Dele nos afasta. O que mais nos afasta de Deus é o pecado. Pecar é estar no lugar errado, longe da amizade e da graça de Deus.

A conversão quaresmal significa, portanto, crescer na prática das virtudes cristãs. Somos sempre catecúmenos em formação permanente, progredindo no conhecimento e no amor de Cristo.

Ao longo da Quaresma, somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, entrando em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-nos semelhantes a Ele na Sua morte, para alcançarmos a Ressurreição dentre os mortos (cf. Fl 3, 10-11). Isso exige uma transformação profunda pela ação do Espírito Santo, orientando nossa vida segundo a vontade de Deus, libertando-nos de todo egoísmo, superando o instinto de dominação sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo (cf. Bento XVI, Mensagem da Quaresma 2011).

O período quaresmal é ainda tempo favorável para reconhecermos a nossa fragilidade, abeirando-nos do trono da graça, mediante uma purificadora confissão de nossos pecados (cf. Hb 4, 16). Na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência” (Santo Ambrósio). Vale a pena derramar essas lágrimas, através de uma boa confissão sacramental.

Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc, 1, 15).
O itinerário quaresmal é um convite à prática de exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna e às obras de caridade (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1438).

É igualmente um tempo forte de escuta mais intensa da Palavra de Deus e de oração mais assídua.

Quanto mais fervorosa for a prática dos exercícios quaresmais, maiores e mais abundantes serão os frutos que colheremos e hauriremos do Mistério de nossa redenção.

Também a vivência da Campanha da Fraternidade ajuda a fazermos uma boa preparação para a Páscoa. A CNBB propõe para este ano o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, e como Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22).

Maria Santíssima, Mãe do Redentor, guie-nos neste itinerário quaresmal, caminho de conversão ao encontro pessoal com Cristo ressuscitado. Com o coração voltado para Cristo, vencedor da morte e do pecado, vivamos intensamente o período santo e santificador da Quaresma.

Fonte: CNBB