quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A paz que somos...

A paz que somos
Dom Pedro Casaldáliga

A paz não é apenas
a flor branca
nas pontas de uma vida.

A paz é a raiz e a seiva,
é a árvore toda.

A paz não se improvisa
num gesto de teatro
alvoroçando bandeiras.

A paz se é
estando em paz consigo,
com Deus e com o Mundo.

A paz é sermos paz,
pensando paz,
falando em paz,
fazendo paz.

Temos a paz que somos,
a paz que damos,
a paz que recebemos
d'Aquele que é a Paz.

Esperar, sim... Mas ESPERAR CAMINHANDO

DIA DA ESPERANÇA
Frei Betto

A esperança é uma das três virtudes teologais, ao lado da fé e do amor. Rima com confiança, termo que deriva de fé: quem acredita, espera; e quem espera, acredita. Esperar é confiar.

(...)

O marxismo foi a primeira grande religião secular, capaz de traduzir a esperança em sociedade ideal. Introduziu na cultura ocidental a consciência histórica, a percepção do tempo como processo histórico a tal ponto que o ser humano passou a prefigurar sua existência, não mais em referência aos valores subjetivos, mas ao devir, lutando contra os obstáculos que impedem a realização do que se espera como ideal libertador.

Para o cristão, a utopia do Reino supera as utopias seculares, sejam elas políticas, técnicas ou científicas. Espera-se, neste mundo a realização plena das promessas de Deus, o que plenifica e transfigura o mundo. Assim, à luz dessas promessas elencadas na Bíblia, o cristão mantém sempre uma postura crítica frente a toda realização histórica, bem como diante dos modelos utópicos. O homem novo e o mundo novo são resultados do esforço humano através do dom de Deus que, em última instância, os conduzem ao ápice.

A esperança é o caminhar na fé para o seu objeto. Esse processo não é contínuo, pois somos prisioneiros da finitude, embora trazendo a Infinitude em nossos corações. Por isso, o caminhar é entrecortado de dúvidas e dores, conquistas e alegrias, mas sabe que, se trilha as sendas do amor, tem Deus como guia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mensagem natalina


Natal, noite de luz
Frei Carlos Mesters


No princípio, criando o céu e a terra, Deus começou sua ação;
vencendo as trevas criou a luz.
Terminará sua obra eliminando as trevas, inundará tudo de luz.

A luz de Deus já está chegando, chega como o sol, projeta sua claridade antes de nascer.
A alvorada antecipa a luz do dia.
A alvorada de Deus é Jesus Cristo.
Ele nos antecipa a chegada de Deus.

Jesus é a vida humana nascido de Deus.
Ensinou querer bem, servir ao irmão, saber-se amado por um grande amor,
capaz de nos realizar e dar sentido à vida.

Esta é a luz que Jesus nos trouxe. Ele á a luz do mundo.
O amor é a luz que faz da terra a morada de Deus, possibilita a vida,
traz alegria e indica o caminho.
A falta de amor, - o nosso egoísmo - retarda o dia,
nos envolve em trevas, as trevas da ausência de Deus.
Elas fazem de Deus um estranho na terra, impedem a vinda da alvorada.

A luz do dia vem sem nós.
A luz de Deus vem por nós.
Nada fazemos para o sol nascer.

Precisamos tudo fazer para Deus aparecer.
E Deus virá como luz.
A luz de Deus é o querer bem, alegria dos olhos,
presença tranquila, a bondade amiga a valorizar o irmão.
Onde há amor e caridade a luz vence as trevas,
lá Deus vem chegando para a festa final.

Feliz Natal!

Conversão "digital"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tradição de Natal no centro de São Paulo

O presépio como representação do nascimento de Cristo tem tudo a ver com os franciscanos. Foi São Francisco de Assis, em 1223, na cidade italiana de Greccio, quem pela primeira vez na história celebrou a noite de Natal com uma encenação plástica do nascimento de Jesus, tendo pessoas representando os personagens bíblicos e animais reais na manjedoura. Com isso, ao longo dos séculos, tornou-se uma tradição entre os franciscanos marcar a passagem do Natal sempre de forma artística, e não apenas litúrgica, com a montagem de presépios com seres vivos ou esculturas.

Pela 21ª vez, os frades do Convento São Francisco, no Centro de São Paulo, mantêm uma tradição franciscana: a Exposição de Presépios. Neste ano, a mostra foi aberta dia 8 de dezembro, às 11h30, no claustro do Convento São Francisco, e vai até o dia 2 de janeiro.

A organização está a cargo de Frei Róger Brunório, que é museólogo. Ele montou um total de 29 presépios, entre modelos nacionais e internacionais.

Frei Róger reuniu conjuntos da Europa, África, Ásia, Oriente Médio e América Latina. Entre eles, destaca o presépio da Filipinas, que em vez de Maria e José tem São Francisco e Santa Clara como imagens centrais. Outro presépio é um trabalho do artista plástico Adelino, que através da reciclagem aborda um tema bem atual e ecológico”, explica Frei Róger, que monta pela primeira vez uma exposição em São Paulo, já que antes residia no Rio de Janeiro.

Segundo o frade franciscano, procurou fazer uma exposição em que as peças se destacassem. “Os cenários são mais simplificados para que as esculturas tenham o destaque merecido”, acredita.

Frei Róger contou com o apoio de uma equipe de profissionais da Rainha de Copas Produções Culturais para montar o cenário: “A organização é do Convento São Francisco, que procura manter esta tradição franciscana. Tivemos também o apoio das Editorias Paulus e Vozes, e do Pró-Vocações Franciscanas”. Ele também destacou o apoio de Frei Estêvão Ottenbreit, que forneceu 8 conjuntos de sua coleção para a mostra.

Informações: A Exposição de Presépios está aberta diariamente, até o dia 2 de janeiro de 2011, das 10 às 18 horas, no Largo São Francisco, 133, interior do Convento São Francisco (não abrirá nos dias 24, 25, 31 e 1º).

Telefone: (11) 3291-2400

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Homenagem ao Rei do Baião

13 de Dezembro - Dia Nacional do Forró


O Dia Nacional do Forró foi idealizado por Paulo Rosa (proprietário da casa noturna Canto da Ema), que há anos buscava fazer com que sua idéia transformasse-se em lei. O projeto foi apresentado ao Congresso Nacional pela deputada Luiza Erundina. A lei número 11.176, que institui o Dia Nacional do Forró como o dia 13 de dezembro, foi promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de setembro de 2005. A data foi escolhida por ser o dia de nascimento de Luiz Gonzaga, o "Gonzagão", considerado o principal difusor do ritmo nordestino.

Para Paulinho, o dia não poderia ser comemorado em outra ocasião que não o dia do nascimento do Rei do Baião. "Gonzaga não só tocava as melodias da região, como cantava as letras que descreviam os costumes nordestinos e vestia o chapéu de couro e o gibão, peças tradicionais do vestuário da região. E, mais do que tudo isso, encarregou-se de ser o grande porta-voz da cultura nordestina", acredita ele. De acordo com o empresário, a lei que cria o Dia Nacional do Forró é importante, pois nos anos 60 e 70 o ritmo quase sumiu. "Não se trata apenas de homenagear um dos grandes baluartes da nossa cultura, mas de uma data que visa comemorar um dos mais importantes e genuínos ritmos brasileiros. Quanto mais valorizarmos nossa cultura, maior será o espírito de cidadania", pondera Paulo.

A história do forró

O forró possui as mesmas raízes que o samba, ou seja, ambos originaram-se da mistura de influências africanas e européias. A origem do forró é controversa. É certo que o ritmo nasceu no Nordeste e foi apresentado ao Sul do país por Luiz Gonzaga nos anos 40. Mas quando, onde e como ele apareceu lá no sertão ainda é, de certo modo, um mistério que vem dividindo muitos estudiosos e músicos. A versão mais popular de sua origem, até transformada em canção por Geraldo Azevedo em 1982, é que o nome viria dos dizeres For All (em inglês "para todos").

A frase vinha escrita nas portas dos bailes promovidos pelos ingleses em Pernambuco, no início do século, quando eles vieram para o Brasil construir ferrovias. Se a placa estivesse lá era sinal de que todos podiam entrar na festa, regada a ritmos dançantes que prenunciavam o forró de hoje. Nestes bailes, eram tocados todos os tipos de música e também o ritmo precursor do forró atual. A segunda versão é dada pelo historiador e pesquisador da cultura popular Luís da Câmara Cascudo, que diz que a origem é o termo africano "forrobodó", que significaria festa, bagunça. Em alguns povoados pequenos do País (como na Ilha Grande RJ ou na Ilha do Mel PR) forró significa bailão popular ou arrasta pé, onde se dança de tudo.

Atualmente, o forró está sofrendo alterações em relação ao seu perfil original, com o surgimento de novos grupos musicais e o sucesso que está fazendo entre os jovens. Da mesma forma que o pagode ressuscitou sambistas antigos, como Martinho da Vila e Paulinho da Viola, os novos grupos de forró estão ajudando a divulgar o ritmo e suscitar interesse nos velhos mestres, como Dominguinhos e Luiz Gonzaga. Para muitos músicos, o forró é um caldeirão de culturas de várias épocas e regiões que vai modificando-se e adaptando-se a cada geração.

Deputada justifica a lei

A deputada Luiza Erundina justifica a existência da lei argumentando que uma Nação se faz por sua gente, sua história, sua língua, seus laços culturais e econômicos.

No Brasil, país de dimensões continentais, com acentuadas diferenças culturais e econômicas existe um traço marcante que caracteriza nosso povo. Esse traço é a forma alegre e descontraída de ser e de se expressar.

Vemos, na música e na dança, a manifestação maior desse jeito brasileiro de ser e, dentre outras, sem dúvida o Forró, baile popular onde se dança o Baião, o Xote, a Toada e o Xaxado, é uma dessas manifestações que se difundiu em todo o país.

Acompanhando a saga do nordestino que migra em busca de um futuro melhor, o Forró não pertence mais só ao Nordeste, pertence a todo o Brasil.

E, ao se falar de Forró, não há como não lembrar do Rei do Baião, o velho Gonzagão, Luiz Gonzaga do Nascimento. Nordestino, de Exú/PE, nascido em 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga é uma das maiores expressões de nossa brasilidade. Respeita Januário, Vem Morena, Juazeiro, Assum Preto, Baião, Sabiá, Cintura Fina são algumas das músicas consagradas pela genialidade de sua sanfona. Asa Branca, do folclore nordestino, pelas suas mãos mágicas transformou-se em um verdadeiro hino da esperança por um Brasil justo, sem tamanhas judiações.

O Dia Nacional do Forró é uma homenagem ao povo nordestino que como brasileiros, contribuem, e em muito, para a grandeza de nossa Nação comemora a deputada.

Veja o brilhante depoimento de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Com que roupa? Festa do POETA DA VILA!!!

Foi em 11 de dezembro de 1910, que chegou ao mundo, em Vila Isabel, subúrbio carioca – bairro boêmio da cidade, berço de grandes sambistas – um dos maiores artistas do país: NOEL ROSA. Seu centenário faz matar a saudade do “Poeta da Vila”, patrimônio cultural do Brasil.

Sua obra foi marcada por geniais composições como Feitiço da Vila, Rapaz Folgado, Conversa de Botequim, Palpite Infeliz, As pastorinhas e tantas outras, mais de 300, cujo estilo era pontuado pelo bom humor e representava com fidelidade a alma boêmia do Rio de Janeiro. Noel foi responsável pela legitimação do samba do morro no asfalto, ao lado de grandes nomes, tais como Cartola, Lamartine Babo e Ary Barroso, e influenciou figuras como Chico Buarque, Paulinho da Viola e outros importantes nomes da MPB. Um de seus temas favoritos era o bairro onde nasceu que atualmente tem a gravação de partituras de suas músicas nas calçadas de pedras portuguesas, e esculturas, como sua estátua na entrada do bairro.

Para reverenciar e afastar as saudades, o Rio vem apresentando uma intensa programação, que começou com a escolha do enredo da escola de samba Unidos de Vila Isabel, com a música Noel: A Presença do “Poeta da Vila”, de autoria do compositor Martinho da Vila – também nascido, criado e identificado pelo bairro. A programação se estenderá ao longo do ano, a exemplo do lançamento do disco “Noel Rosa – 100 Anos de Samba, e de um livro que reúne 14 textos inéditos escritos por figuras do meio acadêmico. Na Universidade do Estado do RJ (UERJ), a exposição “Nos Passos de Noel”, mostra trabalhos de seis fotógrafos, que dão vida às suas composições. No dia 27/03, o Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel, fecha para receber o evento “100 Anos de Noel”, com dança, teatro e muito samba.

Ouça a música "Com que roupa?" do Noel Rosa, clicando aqui.

Em homenagem ao centenário destes dois grandes sambistas, a "BANDA MANTIQUEIRA COM FABIANA COZZA CANTAM ADONIRAN E NOEL" no SESC Belenzinho.
Quando? 18/12/2010 (sábado), às 21h30min; e 19/12/2010 (domingo), às 18h.

Fonte: Brasília Confidencial e SESC-SP

terça-feira, 7 de dezembro de 2010