sábado, 25 de junho de 2011

Poeta do querido Nordeste, da região do Cariri...

Dois Quadros
Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré)

Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terra do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,
Se acaba a esperança da gente roceira,
Na mesma lagoa da festa do sapo,
Agita-se o vento levando a poeira.

A grama no campo não nasce, não cresce:
Outrora este campo tão verde e tão rico,
Agora é tão quente que até nos parece
Um forno queimando madeira de angico.

Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata.

O dia desponta mostrando-se ingrato,
Um manto de cinza por cima da serra
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato
De um bolo de sangue nascendo da terra.
Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
Do canto das aves louvando a natura.

Alegre esvoaça e gargalha o jacu,
Apita o nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre as verduras,
Beijando os primores do meu Cariri.

De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes.

Se o dia desponta, que doce harmonia!
A gente aprecia o mais belo compasso.
Além do balido das mansas ovelhas,
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.

E o forte caboclo da sua palhoça,
No rumo da roça, de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo, contente,
Lançar a semente na terra molhada.

Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso de nosso país.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

História das quadrilhas juninas

Quadrilha no São João de Campina Grande-PB. Denilson Lopes, 2004


Uma das danças mais tradicionais das festas juninas e da cultura brasileira, a quadrilha teve sua origem numa dança das áreas rurais da Inglaterra dos séculos XIII e XIV chamada "country dance". Durante a Guerra dos Cem Anos, entre a Inglaterra e a França, houve também uma transferência cultural entre esses países. Com isso, a França adotou essa dança, o "country dance" virou "contredance" e levou-a para os palácios, tornando-se uma dança presente em todas as festividades da nobreza não só na França, mas em toda a Europa, a partir do século XVIII. Daí, passou a ser mais conhecida por "quadrille", porque era dançada por dois pares (quatro dançantes) ou quatro pares de pessoas. 

A quadrilha foi introduzida no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, possivelmente em 1820, por membros da elite imperial. Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte.
Da mesma forma como viria a acontecer com o samba - de início um ritmo restrito aos morros e que acabou ganhando as ruas - a quadrilha, pelo seu ritmo sincopado e suas marcações dançantes, acabou perdendo o formalismo dos salões e virou uma mania popular que atingiu todos os recantos do país (especialmente nas festas juninas). Aos poucos, foi ganhando um tempero brasileiro, com o povo assimilando a sua coreografia aristocrática: dando-lhe novas características e nomes regionais, alterando as evoluções básicas e introduzindo a sanfona, o triângulo e a zabumba.

No sertão do Nordeste encontrou um colorido especial, associando-se à música, aos fogos de artifícios e à comida da Região. Como as coreografias eram indicadas em francês, o povo repetindo certas palavras ou frases levou também à folclorização das marcações aportuguesadas do francês, o que deu origem ao matutês, mistura do linguajar matuto com o francês, que caracteriza a maioria dos passos da quadrilha junina: anavantu ("en avant tout"), anarriê ("en arrière"), changê-de-dama ("changez de dames")... A criatividade popular encarregou-se de acrescentar novos passos como Olha a chuva! É mentira, A Ponte quebrou, Nova ponte, Caminho da roça e também outros figurantes como os do casamento matuto: o noivo e a noiva, o padre, o pai da noiva, o sacristão, o juiz e o delegado.

O casamento matuto, hoje associado à quadrilha é a representação onde os jovens debocham com malícia da instituição do casamento, da severidade dos pais, do sexo pré-nupcial e suas consequências, do machismo. O enredo é quase sempre o mesmo com poucas variantes: a noiva fica grávida antes do casamento e os pais obrigam o noivo a casar. Este se recusa, sendo necessário a intervenção da polícia. O casamento é realizado com o padre e o juiz, sob as garantias do delegado e até de soldados. A quadrilha é o baile em comemoração ao casamento. O enredo é desenvolvido em linguagem alegórica, satirizando a situação com humor e carregando no sotaque do interior.

Veja sugestão para a evolução da Quadrilha, caso você vá participar de alguma, no sítio "FESTA JUNINA"!

domingo, 5 de junho de 2011

Música de Renato Russo vira filme

Baseado numa das músicas mais famosas da banda Legião Urbana e de mesmo nome, o filme Faroeste Caboclo não está com data prevista de estreia. No entanto, a equipe do longa metragem já encerrou as gravações na capital federal, Brasília, e agora estão em Paulínia, se preparando para mais uma etapa de gravação. Em Brasília, a equipe buscou locais reais e que se encaixassem perfeitamente no contexto que a música traz. Os protagonistas do filme, são: Fabrício Boliveria fará João de Santo Cristo, Isis Valverde será Maria Lúcia e Felipe Abib viverá Jeremias.

A música Faroeste Caboclo virou roteiro de cinema graças a adaptação de Paulo Lins e Marcos Bernstein e espera-se que o longa chegue nas telonas em 2012. A história fala sobre a saída de João de Santo Cristo de Salvador para Brasília, onde se envolve com o tráfico de drogas e acaba comprando briga com o maior dos traficantes da localidade, Jeremias. Entre todas essas desavenças, ai tem o triângulo amoroso com Maria Lúcia, e que de forma trágica apresenta um desfecho traumático.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Piada, mas tem um fundo de verdade...

 Num acampamento do MST

Chega um circo na cidade e se instala ao lado de um acampamento dos Sem Terra. Um belo dia, um dos leões foge da jaula e investe contra o acampamento. Tumulto, correrias, medo, pânico tudo ao mesmo tempo. O leão faminto se aproxima de um grupo de crianças. Ele já está para investir contra as crianças quando um dos homens do acampamento se enche de coragem, pega uma foice e decide enfrentar o animal. E lá estão eles, o sem terra e o leão, po leão e o sem terra, frente a frente, olho no olho. O leão dá um salto, o sem terra se esquiva e acerta uma foiçada, duas, três, muitas foiçadas no leão que fica todo ensangüentado e morre na hora. No dia seguinte, os 'grandes' jornais da grande imprensa "isenta e descompromissada" publicam a notícia com a manchete:

SEM TERRA IMPIEDOSO MATA POBRE E INDEFESO LEÃO
COM REQUINTES DE CRUELDADE

Anda circulando um boato de que membros do MST roubam ovos de tartaruga para vender. Isso é lenda! Veja nos sítios abaixo.
A farsa revelada! Veja a mentira e o que é verdade:

http://terceirocaderno.wordpress.com/2010/10/27/mst-seria-o-movimento-dos-sem-tartaruga/
Links que falam do manejo dos ovos de tartaruga na Praia de Ostional:
http://www.quatrocantos.com/LENDAS/430_ovos_tartaruga_costa_rica_mst.htm
http://www.inbio.ac.cr/es/estudios/tortuga_lora.htm