quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FELIZ 2010!!!


REJUVENESCER COMO ÁGUIAS
Leonardo Boff*

Mais que fazer um balanço de 2009, importa olhar para dentro de nós mesmos e identificar as energias que precisamos para enfrentar os desafios de 2010. Ao pensar nisso, lembrei-me de um mito da antiga cultura mediterrânea sobre o rejuvenescimento das águias. De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar perto do sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, ela se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. Através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente. Volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito constitui o substrato do salmo 103 quando diz: "O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia".

Fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação. O fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher. Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica.

A água nos faz pensar também nas grandes enchentes que com sua força tudo carregam, especialmente o que não tem consistência e solidez. São os infortúnios da vida. E o fogo nos faz imaginar as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que não é essencial. São as notórias crises existenciais. Ao fazermos esta travessia pela "noite escura e medonha", como dizem os mestres espirituais, deixamos aflorar nosso eu profundo. Então amadurecemos para aquilo que é autenticamente humano. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.

Mas abstraindo das metáforas, que significa concretamente rejuvenescer como águia? Significa entregar à morte tudo aquilo que de velho existe em nós para que o novo possa irromper e ser integrado. O velho em nós são os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem, como a falta de solidariedade para com os pobres, o desinteresse pelo bem comum, a vontade de ter razão e vantagem em tudo, o descuido para com o lixo, o desperdício da água e o desrespeito para com a natureza. Tudo isso deve ser entregue à morte para podermos inaugurar uma forma sustentada de convivência entre os humanos e com os demais seres da criação. Numa palavra, significa morrer e ressuscitar.

Rejuvenescer como águia significa também desprender-se de coisas que um dia foram boas e de idéias que foram luminosas mas que lentamente se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar o caminho da vida.

Rejuvenescer como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar. Não é isso que nos propomos a cada novo ano?

Que o ano que amanhã se inaugura, seja oportunidade de perguntar o quanto de galinha existe em nós que não quer outra coisa senão ciscar o chão ou o quanto de águia há ainda em nós, disposta a rejuvenescer ao confrontar-se valentemente com os tropeços e as crises da vida.

Que o Spiritus Creator nunca nos falte!

*Leonardo Boff é teólogo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O "CLIMA ESQUENTOU" em Copenhague!

Graças à prepotência dos países ricos e ao predomínio de um padrão de consumo ecologicamente insustentável, nosso planeta e a humanidade continuam em perigo!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!


O sol está chegando
Pe. Zezinho,scj


O sol está chegando.
Daqui a pouco vai brilhar e as trevas passarão.
A noite está morrendo.
Daqui a pouco vai chegar, o dia vai chegar.
Alguém está chegando.
Daqui a pouco vai brilhar a luz essencial.
É Deus nos visitando
E a esperança vai voltar: é noite de Natal!

Um novo dia despontará
E o mesmo sol, o mesmo sol nos iluminará.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

DICA CULTURAL EM SÃO PAULO - Artes natalinas


Para quem mora na Grande SP, uma boa dica é visitar o Convento São Francisco, próximo à Estação Sé do Metrô (centro da capital) e contemplar os presépios da 20ª Exposição Franciscana. Para saber mais, clique aqui. A seguir, curiosidade sobre esta arte.

 Presépio: expressão artística do nascimento de
Jesus de Nazaré

Depois da morte de Jesus, crucificado, os cristãos passaram a render homenagens ao seu martírio e à sua ressurreição, celebrados na Páscoa.

Dizem alguns historiadores que foi só no ano de 1223 que se comemorou pela primeira vez o seu nascimento. A idéia foi de uma personalidade polêmica e extremamente importante na história do cristianismo: Francisco de Assis. Sentindo o fim de seus dias na terra próximo, solicitou a um amigo, Frei Leão que preparasse a festa.

Convidou o Irmão Egídio para ser José e a irmãzinha Agnes, da Ordem das Clarissas, para representar Maria. Afirmou que a escolhia devido a seu nome. Agnes: cordeiro. A mansidão. Chamou pastores para estarem na gruta em contemplação. E alguns noviços da Porciúncula para fazerem o papel de Anjos.

Dessa forma, quando chegou ao local estava tudo pronto. No meio de um bosque, em uma clareira, haviam construído uma manjedoura, na qual pousava uma criança recém-nascida, filho de um habitante do lugar, e lá estavam a vaca e o jumento, conforme a tradição. O povo veio ver tudo em clima de festa e Francisco orou de joelhos junto ao presépio.

Desde esse dia passou a ser comemorado o Natal e construídos presépios. Foram necessários 1223 anos para que a cristandade comemorasse, em festa, o nascimento de Cristo, a Luz sobre a Terra.

Leonardo Boff - AQUECIMENTO GLOBAL E A CULTURA DA ESTUPIDEZ


Quem deve cuidar do Planeta?


Um teólogo famoso, no seu melhor livro - Introdução ao Cristianismo - ampliou a conhecida metáfora do fim do mundo formulada pelo dinamarquês Sören Kierkegaard, já referida nesta coluna. Ele reconta assim a história: Num circo ambulante, um pouco fora da vila, instalou-se grave incêndio. O diretor chamou o palhaço que estava pronto para entrar em cena que fosse até à vila para pedir socorro. Foi incontinenti. Gritava pela praça central e pelas ruas, conclamando o povo para que viesse ajudar a apagar o incêndio. Todos achavam graça pois pensavam que era um truque de propaganda para atrair o público. Quanto mais gritava, mais riam todos. O palhaço pôs-se a chorar e então todos riam mais ainda. Ocorre que o fogo se espalhou pelo campo, atingiu a vila e ela e o circo queimaram totalmente. Esse teólogo era Joseph Ratzinger. Ele hoje é papa e não produz mais teologia, mas doutrinas oficiais. Sua metáfora, no entanto, se aplica bem à atual situação da humanidade que tem os olhos voltados para o país de Kierkegaard e sua capital Copenhague. Os 192 representantes dos povos devem decidir as formas de controlar o fogo ameaçador. Mas a consciência do risco não está à altura da ameaça do incêndio generalizado. O calor crescente se faz sentir e a grande maioria continua indiferente, como nos tempos de Noé que é o "palhaço" bíblico alertando para o dilúvio iminente. Todos se divertiam, comiam e bebiam, como se nada pudesse acontecer. E então veio a catástrofe.

Mas há uma diferença entre Noé e nós. Ele construiu uma arca que salvou a muitos. Nós não estamos dispostos a construir arca nenhuma que salve a nós e a natureza. Isso só é possível se diminuirmos consideravelmente as substâncias que alimentam o aquecimento. Se este ultrapassar dois a três graus Celsius poderá devastar toda a natureza e, eventualmente, eliminar milhões de pessoas. O consenso é difícil e as metas de emissão, insuficientes. Preferimos nos enganar cobrindo o corpo da Mãe Terra com band-aids na ilusão de que estamos tratando de suas feridas.
Há um agravante: não há uma governança global para atuar de forma global. Predominam os Estados-Nações com seus projetos particulares sem pensarem no todo. Absurdamente dividimos esse todo de forma arbitrária, por continentes, regiões, culturas e etnias. Sabemos hoje que estas diferenciações não possuem base nenhuma. A pesquisa científica deixou claro que todos temos uma origem comum, pois que todos viemos da África.

Consequentemente, todos somos coproprietários da única Casa Comum e somos corresponsáveis pela sua saúde. A Terra pertence a todos. Nós a pedimos emprestado das gerações futuras e nos foi entregue em confiança para que cuidássemos dela. Se olharmos o que estamos fazendo, devemos reconhecer que a estamos traindo. Amamos mais o lucro que a vida, estamos mais empenhados em salvar o sistema econômico-financeiro que a humanidade e a Terra.
Aos humanos como um todo se aplicam as palavras de Einstein: "somente há dois infinitos: o universo e a estupidez; e não estou seguro do primeiro". Sim, vivemos numa cultura da estupidez e da insensatez. Não é estúpido e insano que 500 milhões sejam responsáveis por 50% de todas as emissões de gases de efeito estufa e que 3,4 bilhões respondam apenas por 7% e sendo as principais vitimas inocentes? É importante dizer que o aquecimento mais que uma crise configura uma irreversibilidade. A Terra já se aqueceu. Apenas nos resta diminuir seus níveis, adaptarmo-nos à nova situação e mitigar seus efeitos perversos para que não sejam catastróficos. Temos que torcer para que em Copenhague entre 7 e 18 de dezembro não prevaleça a estupidez mas o cuidado pelo nosso destino comum.


Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor, autor de Opção-Terra. A solução para a Terra não cai do céu, Record 2009.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Rei do Baião

"Meu nome é Luiz Gonzaga, não sei se sou fraco ou forte, só sei que graças a Deus té pra nascê tive sorte, apôs nasci im Pernambuco, o famoso Leão do Norte.
Nas terras do novo Exu, da Fazenda Caiçara, im novecentos e doze, viu o mundo minha cara.
Dia de Santa Luzia, purisso é qui sô Luiz, no mês qui Cristo nasceu, purisso é que sô feliz."

Para quem não sabe, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Gonzagão, nasceu no dia 13 de dezembro de 1912. Quem deseja conhecer um pouco dessa história, é só visitar o sítio Gonzagão Online.

Reflexão

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando;
A certeza de que é preciso continuar;
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!


Fernando Sabino

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS




No dia 10 DE DEZEMBRO, é comemorado o 61º aniversário de proclamação da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. O termo "Direitos Humanos" é cheio de preconceitos por parte de muitos que ainda não cultivam, no seu dia-a-dia, a cultura da paz. E a razão disso é que estamos numa cultura que prega a violência, o desprezo pela vida humana (especialmente daqueles grupos que, socialmente, são vistas como inferiores: mulheres, pobres, negros, indígenas, idosos, camponeses, etc.), o consumismo e o imediatismo. Além disso, faltam debates sérios acerca dos desrespeitos aos direitos das pessoas e de soluções necessárias e adequadas para a superação dos problemas do nosso cotidiano. Através deste ABC, colhido no sítio do DHNet, quero transmitir a todos que me visitam este espaço, de forma lúdica, o que são "Direitos Humanos".

Nota: a autoria do ABC a seguir não é do Ziraldo (autor do cartaz acima).


ABC BASEADO NA
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS HUMANOS


A Humanidade avançou
ao ter a DECLARAÇÃO
UNIVERSAL DOS DIREITOS
HUMANOS... Pena é que não
seja cumprida essa Lei
de alto sentido cristão.


Bonitos são os dizeres.
diversa a realidade.
Pois, se "todos nascem livres
e iguais em dignidade
e direitos"... faltam Amor,
Justiça, Fraternidade...


Cor ou sexo, raça ou língua,
religião, credo, enfim
nada deve empecilhar
possa o ser humano, assim,
de gozar de seus direitos,
que lhe são sagrados, sim.


Direito à vida, direito
à liberdade e, afinal,
direito que lhe garanta
segurança pessoal.
Como ter esses direitos
na Injustiça Social?


E como servo ou escravo
ninguém pode ser mantido.
Toda escravidão é crime.
Para sempre é proibido
o vil tráfico de escravos,
em todo e qualquer sentido.


Fazer alguém padecer
tortura, cruel castigo,
tratamento desumano,
degradante, que em perigo
ponha a pessoa, condena
desta Lei o 5º artigo.


Garante a DECLARAÇÃO
o direito ao humano ser
de como pessoa humana
em qualquer lugar se ver
reconhecido, perante
a lei, onde possa haver.


Haja Eqüidade, Justiça
em todos os tribunais
garantindo a todos os
direitos fundamentais,
sanando arbitrariedades,
contra os atos ilegais.


Ilegal é ser alguém
arbitrariamente preso
ou detido ou exilado.
Que a Justiça mostre o peso,
sendo livre e imparcial,
e o direito saia ileso.


Jamais se puna o inocente.
Que conte todo acusado
com garantias da lei
pra não ser injustiçado.
Nunca exceda à lei a pena
na punição do culpado.


Lar é recinto sagrado
que a lei não violará.
Família, vida privada
e a correspondência há
de a lei lhes dar proteção.
A honra respeitará.


Mulheres e homens possuem
o direito de ir e vir,
e em qualquer lugar do mundo
são livres de residir,
podendo, à sua vontade,
em qualquer tempo sair.


Não se negue ao ser humano
asilo em qualquer país,
sempre que for perseguido
pelo que pensa e o que diz.
Respeitadas exceções
por crimes e atos vis.


O direito de casar-se
É do homem e da mulher,
fundando a sua família
sem empecilhos quaisquer
pela vontade de ambos,
cumprindo o humano mister.


Propriedade é direito
quando bem adquirida.
A que vem da exploração,
em prejuízo da vida,
deixando os outros sem nada,
não deve ser permitida!


Qualquer um tem o direito
de crer e manifestar
a sua religião
do jeito que mais gostar.
Também de não ter nenhuma,
sem que o possam condenar.


Respeite-se a liberdade
de pensar e de opinar
transmitir informações
e as idéias expressar
seja de que forma for,
neste ou naquele lugar.


Sagrado seja o direito
de se reunir em paz.
Que ninguém seja obrigado
a associar-se, se faz
questão de lutar sozinho,
uma vez que isso lhe apraz.


Todo o homem tem o direito
de ao governo ter acesso.
Só a vontade do povo
é que garante o progresso.
Sem eleições democráticas
só se espera o retrocesso.


Um ser humano que não
tem direito à segurança,
bens sociais, culturais,
dignidade, abastança
o nível de humanidade
desejado não alcança.


Vida digna, trabalho
que lhe garanta o sustento.
Justa remuneração.
Seja o sindicato isento
de pressões, perseguições,
pelegos, constrangimento.


Xis É "para quem trabalha "
ter o seu repouso e, perto
o lazer, a diversão,
as férias no tempo certo.
Trabalhar, mas descansar,
sempre pela lei coberto.


Zelar pelo cidadão
a sociedade deve:
dar saúde e bem estar
e tudo o mais que se inscreve
no direito de viver...
que aqui só toquei de leve...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"CONSTRUÍDA" A NOVA CASA NA REDE

Olá, amigos!



A minha "nova casa" está, enfim, completa!
"Razão de Nossa Esperança" é uma frase tirada da Bíblia na 1ª carta do apóstolo Pedro (3,15) e lema de um Encontro Nacional de Fé e Política (Poços de Caldas), do qual participei. Este blogue surgiu para ser uma bússola, a fim de orientar quem busca algo diferente na rede:
- para quem busca informação a partir de outra perspectiva: o ponto de vista dos pobres, daqueles que lutam e buscam dignidade para suas vidas;
- para quem, diante da correria da vida, acha que a vida tem de ser plenamente vivida, contemplada com alegria, apreciada tal qual uma obra de arte;
- para quem acredita na força da união entre as pessoas e na possibilidade de mudanças quando elas se juntam para promover a JUSTIÇA E A PAZ!
A maior parte das postagens são inéditas, enquanto que algumas são republicações de postagens de meu antigo blogue. Quem ainda quiser ver meu outro blogue, este é o endereço: http://denilson.lopes.zip.net/. Mas apressem-se, pois logo será desativado!
Espero que gostem e comentem sobre o que acham das ideias expostas neste espaço!

NÃO É TUDO E NÃO FEZ TUDO

Pe. Zezinho,scj


A um religioso de outra igreja, que, numa oração em família dissera que Deus é tudo, repeti o que digo agora. A um padre que, num programa de rádio dizia: "Meu Deus é meu Tudo", alertei contra o perigo de induzir as pessoas menos evangelizadas a uma espécie de panteísmo. Os dois aceitaram rever seu discurso. Deus não é tudo nem fez tudo. Ele é o criador do bem e não do pecado. O pecado tem outra origem.

Aquele que contém tudo, não é tudo. Às vezes, como eu disse, as pessoas usam a expressão "Meu Deus é meu tudo". Parafraseiam, errado, a frase de São Tomé: "Meu Senhor e meu Deus". Não sei de nenhum lugar na Bíblia onde esteja dito que Deus é tudo. Ela faz uma distinção entre o Deus que criou quase tudo e o tudo que Deus criou. E deixa muito claro que Deus não é autor do pecado. Então, Deus também não é o criador de tudo. O pai da mentira, por exemplo, não é Deus: é o demônio. Jesus mesmo diz isso. (Jo 8,44)


Dizer que Deus é nosso tudo é uma expressão muito bonita, mas deve ser entendida dentro de um contexto comparativo, de parábola, de simbolismo. Se "tudo" compreende tudo aquilo que existe, então, precisamos corrigir nossa linguagem. Se eu disser que Deus é tudo e tomar isso ao pé da letra, estarei dizendo que Deus também é pecado, porque o pecado faz parte de tudo que existe. A dor existe e está dentro do tudo. Este pedaço de pedra que eu tenho na mão existe e está dentro do tudo. Se eu disser que Deus é tudo, então eu estou dizendo que Deus pode ser esta pedra, pode ser pecado, crime, vingança, inveja, porque estas coisas existem. Se disséssemos que Deus é tudo o que existe então estaríamos dizendo que Deus é também o mal... O panteísmo leva a isto. Precisamos tomar cuidado com nossas pregações entusiasmadas.


Na verdade, posso dizer que Deus sabe de tudo, mas não posso dizer que Deus é tudo, nem que Ele concorda com tudo. Deus sabe da existência do pecado, mas não peca nem aceita o pecado. Ele é santo. Ele é Ele. Deus não é a criação: apenas a criou. Toda vez que eu disser que Deus é tudo estarei comparando-o com as coisas que existem. Estou fazendo o que Ele pediu que não fizéssemos com Ele ao proibir que fizemos imagens dele. Seriam erradas desde o primeiro traço.


Acertaríamos melhor, se disséssemos que Deus é mais do que tudo. Aí sim, estamos com filosofia e teologia corretas. Deus não é tudo. Ele é mais do que tudo. Ao dizer que Ele é mais do que tudo, então, estamos dizendo que Ele não é o pecado, não é a pedra, não é a criação. Há coisas na criação que certamente Ele não quis que fossem assim. Mas, como criar também supõe dar liberdade, de repente aconteceu o pecado. E Deus sabe conviver com os limites humanos, inclusive os limites do pecado. Por isso é que Ele perdoa. Ele não poderia perdoar, se não fosse mais forte do que o pecado. Se perdoa é porque é muito maior e muito mais forte do que o pecado. Por isso Ele perdoa. Dá muito mais do que a gente merece. Eu volto a falar sobre isso!


Fonte: Catolicanet/Padre Zezinho/Catequese Urgente (Nov/2004)

domingo, 29 de novembro de 2009

VINGANÇA DO ESTAGIÁRIO

Um homem viaja num balão de ar quente, quando descobre que está totalmente perdido. Apavorado, ele diminui a velocidade e a altitude do balão e avista um rapaz andando calmamente pelo campo. Ele grita para o outro:
- Hei, você! Pode me dizer onde estou?
O rapaz responde:
- Você está num balão a uns dez metros de altura do solo.
Constrangido com a resposta, o homem retruca, de cima do balão:
- Você com certeza é estagiário, não é?
- Sou sim, como o senhor sabe?
- É que a informação que você me deu é tecnicamente perfeita, só que não serve pra absolutamente nada.
- Bom, e o senhor... é gerente, não é?
- Sou sim, como você adivinhou?!
- Foi moleza! O senhor não sabe onde está, nem muito menos pra onde vai. Está perdido, ferrado e a primeira coisa que faz é botar a culpa num estagiário!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Gente é pra brilhar!!!

Ao prestar atenção na música "Gente", interpretada pelo Caetano Veloso (feita em 1977 e transcrita parcialmente a seguir), pensei no sentido que a nossa vida tem (ou deveria ter). Não fomos criados para sobreviver apenas.

Como a própria música diz: "Nascemos pra brilhar", temos uma missão a cumprir. Primeiramente, somos chamados para a VIDA: não qualquer vida, mas a VIDA PLENA, onde todos possam viver felizes. Tenhamos a consciência que a infelicidade do meu irmão em qualquer parte reflete, de alguma forma, em nossa vida quotidiana de forma negativa (violência, injustiças, etc.). E que, diante desse quadro de infelicidade que nos cerca, somos chamados a transformar o mundo, conforme nossas capacidades. Indepentemente do que saibamos fazer, juntos somos capazes de tornar realidade o nosso sonho pela PAZ! Juntos somos capazes de fazer com que a VIDA possa vencer afinal!...


Gente
Caetano Veloso


Gente quer comer, gente que ser feliz.
Gente quer respirar ar pelo nariz.
Não, meu nego, não traia nunca essa força não,
Essa força que mora em seu coração.
Gente lavando roupa, amassando pão,
Gente pobre arrancando a vida com a mão.
No coração da mata, gente quer prosseguir,
Quer durar, quer crescer, gente quer luzir.
(...)
Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

COMO PODE "NASCER" UMA NOTÍCIA

Veja através desse simples e bem-humorado exemplo como a grande imprensa pode distorcer as notícias.

Dois menininhos estavam saindo do Morumbi quando um deles foi atacado por um Rottweiler feroz. O outro menino imediatamente pegou um pedaço de pau e deu na cabeça do cachorro, fazendo com que o cão caísse morto e o amiguinho ficasse apenas com alguns arranhões.
Ao ver a cena, um repórter que passava correu para ser o primeiro a cobrir a fantástica história. Pensou em voz alta:
"Já estou até vendo a manchete: ‘Jovem são-paulino salva amigo de animal feroz’."
"Mas, eu não sou são paulino" - disse o menino.
"Me desculpe, apenas presumi que fosse, já que estamos na saída do Morumbi... Então, vou escrever: ‘Bravo pequeno palmeirense evita tragédia com amigo’."
"Mas, eu também não sou palmeirense" - disse novamente o menino.
"Ok, então: ‘Pequenino santista vira herói’."
"Não sou santista, moço."
"Mas afinal, pra que time você torce?"
"Sou corinthiano."
E o repórter escreve em seu caderninho:
"Delinqüente corinthiano assassina brutalmente adorável animal doméstico."

domingo, 22 de novembro de 2009

Levante sua voz! - VEJA VÍDEO

Será que existe, em nosso país, a tão falada "liberdade de expressão"? Com uma ironia leve e bem humorada, este vídeo é bem didático para mostrar que apenas 11 famílias controlam tudo o que é transmitido através do rádio e da televisão. Dessa forma, torna-se fácil para todos entenderem como uma concessão PÚBLICA (ou seja, DE TODOS) é explorada pelas grandes redes de comunicação para interesses de poucos.
A Constituição Federal afirma que é garantido para todas as pessoas a liberdade de expressão. Só que essa liberdade não é exercida nos meios de comunicação de massa (rádio e televisão, principalmente).
Clique no título desta postagem ou veja no final desta página o vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

O vídeo foi produzido com o apoio da Lei de Incentivo ao "Te Vira".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

20 de novembro - DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Muita gente questiona se devemos mesmo comemorar o Dia da Consciência Negra ou se ele deve ser mesmo feriado... Mas não procura saber o porquê dessa data, ou não questiona outros feriados, como o da Inconfidência Mineira (feriado nacional de 21 de abril), em memória ao martírio de Tiradentes – que, assim como Zumbi, foi morto pelo mesmo ideal, a LIBERDADE!

O feriado de 20 de novembro lembra a morte de Zumbi dos Palmares - no ano de 1695. Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no Brasil. Segundo cronologia publicada no site da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Palmares surgiu a partir da reunião de negros fugidos da escravidão nos engenhos de açúcar da Zona da Mata nordestina, em torno do ano de 1600. Eles se estabeleceram na Serra da Barriga, onde hoje é o município de União dos Palmares, em Alagoas. Ali, devido às condições de difícil acesso, puderam organizar-se em uma comunidade que, estima-se, chegou a reunir mais de 30 mil pessoas.

O Dia da Consciência Negra é uma data para a reflexão de todos nós brasileiros. Durante o período da escravidão, os negros sofreram inúmeras injustiças. E ás custas do seu sofrimento nas senzalas, nos campos e nas cidades, foi erguido tudo o que havia no Brasil daquela época. Os negros resistiram de diversas formas, nas muitas revoltas, fugas e com a formação de quilombos em várias partes do país. Assim, surgiu o Quilombo dos Palmares e o seu sonho de liberdade, que teve como principal líder Zumbi.

Veio a Abolição em 1888, o Brasil mudou e hoje é uma das maiores economias do mundo. No entanto, os negros continuaram em situação de desigualdade, ocupando as funções menos qualificadas no mercado de trabalho, sem acesso às terras ancestralmente ocupadas no campo, e na condição de maiores agentes e vítimas da violência nas periferias das grandes cidades. Sua luta, inspirada em Zumbi e em outros heróis negros que tombaram ao longo do caminho, precisava continuar.

Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, e seu corpo foi exibido em praça pública para semear o medo entre os escravos e impedir novas revoltas e fugas. Mas o efeito foi oposto, despertando em muitos a consciência de que era preciso lutar contra a escravidão e as desigualdades, como Zumbi ousou fazer. A memória deste herói nacional, no Dia da Consciência Negra, nos compromete com a construção de uma sociedade na qual todos tenham não apenas a igualdade formal dos direitos, mas a igualdade real das oportunidades.

Mártires pela liberdade

ZUMBI E TIRADENTES

Temos dois heróis no Brasil: Zumbi dos Palmares e Tiradentes.

Ambos representam os mesmos valores, os mesmos desejos, o mesmo sacrifício fundamental. São heróis não porque tenham vencido batalhas - ambos foram derrotados e punidos com a morte.

Ambos saem do mais profundo do povo brasileiro, até mesmo na vulgaridade absoluta de seus nomes. Ambos têm uma biografia sem importância no cômputo geral da História.

Mais do que seres de carne e osso, são símbolos de uma nacionalidade que se está formando e por cujos valores tiveram sacrificada a vida.

O que há de positivo nestes valores é que deve interessar-nos: o desejo absoluto de liberdade ao preço da própria vida - esta é a lição de Zumbi e do Tiradentes.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Você pode... E deve ser feliz!!!

O direito e o dever de ser feliz


Marcelo Barros, monge beneditino

Ser feliz é não somente o direito, mas um dever de todo ser humano. A tradição cristã fala de um santo asceta que, ao morrer, soube que, antes de ir ao céu, deveria se purificar no purgatório. Mas, pensava ele, purificar-se de que? Por que não ia direto ao céu? Conforme a lenda, São Pedro lhe respondeu: "Por que, em sua vida, você não fez o esforço suficiente para ser feliz".

Em uma sociedade de consumo, ser feliz está ligado a ter dinheiro, a comprar os objetos propostos pela publicidade e gozar as benesses que a sociedade reserva à minoria privilegiada. Para as diversas tradições espirituais da humanidade, o Shallom bíblico, paz e salvação, assim como o Axé das religiões afro-descendentes, a felicidade é a alegria da pessoa se sentir em sintonia com as outras e em comunhão com todo o universo. Amar e se saber amado/a é o dom divino presenteado a todo ser humano e que pode ser fonte íntima desta alegria.

Fonte: Adital

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pra descontrair...

EMPREGO

O cara envia um currículo para uma empresa. Pedia R$ 15 mil reais de salário, mais um carro, um apartamento e 10 salários extras por ano. Uma semana depois foi chamado pela empresa.
O entrevistador lhe disse:
- Estudamos seu currículo e vamos lhe dar R$ 20 mil reais de salário, um apartamento de 4 quartos, um carro 0km e, não 10, mas 18 salários extras durante o ano.
Abismado, o candidato falou:
- Você está brincando..!!!!???
- Sim, estou. Mas foi você quem começou!!!

Disse tudo...

"Sei que meu trabalho é uma gota no oceano;
mas, sem ele, o oceano seria menor."
(Madre Teresa de Calcutá)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Por amor à vida!


É por amor!


Sim, é por amor à vida que cantamos
e tantas vezes choramos também.

É por amor à vida que estamos lutando
e vamos andando lentamente para buscar a luz
e a liberdade das manhãs de sol!

É por amor!
Sim, é por amor à vida, evidentemente,
que encaramos de frente essa imensa dor
que se nos impõe nesse reinado amargo do ódio presente!

É por amor à vida
que estamos nas ruas, nas praças, nas estradas
e gritamos palavras de ordem de uma nova ordem!

Sim, é por amor
É por amor à vida que marchamos nas madrugadas de lua nova
levando nos braços a fúria das tempestades
prontos a resgatar a terra que nos tomaram.
Vamos replantar as flores e as sementes
Que há séculos estão em cio!

É por amor!
Sim, é por amor à vida que profundamente doloridos recolhemos em nossos braços os que foram brutalmente feridos e quando já não podemos devolver-lhes a respiração nós comungamos de seu sangue e os fazemos ressuscitar em milhares de vidas e sorrisos!


É por amor!
Sim, é por amor à vida
que escrevemos nas pedras os poemas da esperança rebelde
que pichamos nos muros e nas portas
as frases corajosas de um futuro novo
que dançamos nas festas de sábado
no batuque do carnaval de um povo livre!

É por amor que nos abraçamos
Que nos beijamos na esquina
e já não tememos andar de braços dados
seguindo a bandeira da paz e da ternura conseqüente!

É por amor!
Sim, é por amor à vida
que desesperadamente amamos!

Zé Vicente

Lições jurídicas para "us manu"

Lições propedêuticas de Direito


Princípio da boa-fé, ou lealdade processual - "se vier na crocodilagem, vai levá pipoco".
Princípio da ampla defesa - "aí mano, aqui tem pra trocá".
Princípio da oralidade - "abre a boca aí maluco".
Princípio do duplo grau de jurisdição - "vai pensando que tá bão".
Princípio da iniciativa das partes - "faz a sua que eu faço a minha".
Princípio da inércia jurisdicional - "na boa brother, num posso fazer nada".
Princípio da isonomia - "aqui é todo mundo na humildade".
Princípio da insignificância - "grande bosta".
Princípio pacta sunt servanda - "quem tem cu pequeno num faz contrato com pica grande".
Princípio da supremacia do interesse público sobre o privado - "nóis é nóis, e o resto é bosta".
Princípio da fungibilidade - "só tem tu, vai tu mesmo" (parte da doutrina e da jurisprudência entende como sendo "quem não tem cão caça com gato").
Princípio da publicidade - "põe na banca aí, maluco". (doutrina minoritária, "sem muquiá a parada").
Princípio da moralidade - "aí, mano, sem patifaria".
Princípio da indisponibilidade - "ah! Agora já era".
Princípio da formalidade dos atos processuais - "aí, vai reto senão zoa o bagulho".
Princípio da economia processual - "tem que ser ligeiro". (ou "não embaça doido").
Princípio da motivação das decisões judiciais - "vai falando que eu tô ouvindo".
Trânsito em julgado das decisões - "vai chorar na cama que é lugar quente", ou "já elvis".
Litigância de má-fé - "o mal do urubu é pensar que o boi ta morto".
Princípio da legalidade - "não adianta caçar assunto".
Sucumbência - "a casa caiu !!!"
Legítima defesa - "folgou, levou".
Legitima defesa de terceiro - "folgou com o mano leva na oreia".
Legítima defesa putativa - "foi mal".
Oposição - "sai quicando que o barato é meu".
Nomeação à autoria - "vou cagoetar todo mundo".
Chamamento ao processo - "o maluco ali também deve".
Assistência - "então brother, é nóis."
Direito de apelar em liberdade - "fui!" (parte da doutrina entende como "só se for agora").
Princípio do Juiz Natural - "vô chamar minha mãe".
Princípio da pás de nullité sans grief - "cê faz a parada errada e qué paga de gatinho?"
Ilegitimidade de parte - "dá linha na pipa, mano".
Representação na ação penal pública condicionada - "adianta o lado aí."
Princípio contraditório - "agora é eu".
Princípio da ação - "vamo, vamo,vamo."
Princípio da persuasão racional do juiz - "eu to ligado".
Revelia, preclusão, perempção, prescrição e decadência - "camarão que dorme a onda leva".
Honorários advocatícios - "cada um com os seus problemas".
Assistência judiciária - "o pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada".
Co-autoria, e litisconsórcio passivo - "o que importa é estar junto" ou "é nóis na fita, mano" ou passarinho que voa junto com morcego acorda de ponta cabeça".
Autotutela - "vô da uma só, só pra ficar esperto".
Reconvenção - "cê é louco, mano. A culpa é sua".
Ônus da prova - "palavra de homem num faz curva".
Inversão do ônus da prova - "é tudo contigo mesmo, mermão..." ou "vai que é tua Taffarel".
Comoriência - "um pipoco pra dois" ou "dois coelhos com uma paulada só".
Jurisdição contenciosa - "é muita treta", ou ainda "o barato é louco".
Falta de ética - "essas coisas enfraquecem a amizade".
Sucessão - "o que é seu ta guardado".
Crimes contra a Honra - "forgô um caminhão", ou ainda, "ta tirando a favela?".
Dignidade da pessoa humana - "nóis é pobre mais é limpinho".
Coação ao curso do processo - "o cara tocou o foda-se", ou ainda "o cara ta pilotando todo mundo".
Preparo - "então..., deixa uma merrequinha aí."
Deserção - "deixa quieto".
Recurso adesivo - "eu vou no vácuo".
Sigilo profissional - "na miúda, só entre a gente".
Crime tentado - "ah, nem deu. Deixa pra próxima".
Estelionato - "malandro é malandro, e mané é mané".
Falso testemunho - "fala sério...".
Inimputabilidade - "o cara é treze".
Obediência hierárquica - eu não tenho nada a ver, o tiozinho que mandou fazer essa parada aqui, ó".
Contradita - "o cara é café com leite".
Reincidência - "porra meu, de novo?".
Revisão criminal - "num falei que não fui eu?".
Investigação de paternidade - "toma que o filho é teu".
Execução de alimentos - "quem não chora não mama".
Processo de conhecimento - "vamo ver essa parada certinho".
Nunciação de obra nova - "cê tá zuando meu barato aqui, doido".
Res nullius - "achado não é roubado".
De cujus - "presunto".
Posse mansa e pacífica - "na bola de meia".
Esbulho - "cheguei chegando e tá tomado".
Despejo coercitivo - "sai fincado".
Condução coercitiva - "não tem pinote".
Usucapião - "ta dominado, ta tudo dominado".
Embriaguez voluntária - "não agüenta bebe leite".
Interdito proibitório - "nem vem que não tem".
Ato libidinoso - "quem tem dó do cu toma sopa".
Felação - "cuspo ou engulo?".
Morosidade da justiça - "o barato é louco, mas o processo é lento".

Enquanto houver sol


Alvorada nos arredores de Goiânia




Enquanto houver sol
(Titãs)


Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma ideia vale uma vida.
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá.
Enquanto houver sol, enquanto houver sol.

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho.
Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós, aonde Deus colocou
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol.


Numa sociedade conturbada por problemas (fome, analfabetismo, violência urbana e outros) esta é uma música que concorda com o que vivemos, tentando nos mostrar que a esperança é algo eterno dentro de nossos corações e que, apesar de nossos problemas, vivendo em comunidade nunca devemos abandonar a nossa caminhada, nunca devemos parar frente a nossos desafios.

A vida é feita de problemas e dificuldades, de desilusões e conflitos, mas também existe amor e caridade, existe fé e fraternidade que são algo maior que levam a nossa vida em direção a algo bom.

Não há dificuldade que não possa ser superada e nem barreira que não possa ser rompida quando realmente acreditamos no que buscamos, quando não desistimos até realizarmos nossos sonhos. Esta música nos leva à reflexão de que poderemos passar por cima das dificuldades que a vida nos impõe enquanto a esperança existir em nossos corações e mantivermos o sol brilhando e se tivermos Deus como nosso companheiro para todos os momentos (bons ou ruins) de nossa vida.


Fonte: Jornal Mundo Jovem

Ilustração: Denilson Lopes. 1)Alvorecer no cerrado goianiense: foto tirada por mim, nas proximidades da capital goiana, no dia 20 de setembro de 2003; nesse momento eu estava dentro do ônibus, numa caravana de militantes da Grande São Paulo, a fim de participar do 3º Encontro Nacional de Fé e Política. 2)Alvorecer no Araguaia: colhido na Internet.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

É PRECISO SABER VIVER!

A gente precisa de pouco para viver


Dentro do sistema do capital, mais conhecido como capitalismo, nós não temos saída. A lógica do capital é se expandir, expandir, buscando acumular... acumular... ampliar para todas as dimensões da vida o lucro. O lucro para todo o lado. Isto não tem sentido, porque os recursos naturais têm que ser tratados com carinho, a terra, a água. A água não é mercadoria, as florestas não são mercadoria. O capital quer destruir tudo em função do lucro e explorar também ao máximo o trabalho. A gente vê que cada vez mais os trabalhadores estão ganhando menos, o nível de exploração, todas as conquistas trabalhistas estão sendo destruídas. A gente vê que dentro deste sistema não há solução.


A gente tem que construir um outro sistema, um outro sistema econômico, que garanta que a sociedade tenha o domínio sobre as riquezas, e não as riquezas sobre a sociedade. Afinal de contas, as riquezas estão aí produzidas, não só as ambientais, naturais, mas também as riquezas tecnológicas que a inteligência humana construiu.


Foram trabalhadores e trabalhadoras deste mundo que construíram e o capital se apropriou delas. Nós, os trabalhadores, construímos isto tudo. Então, nós temos que pensar num outro sistema de funcionamento da economia que garanta a sustentação material da vida: a moradia, saúde, educação, comida, roupa, transporte, o mínimo necessário para viver com tranqüilidade. Dentro deste sistema de capitalismo, isto não é possível.


Aí que entra a economia solidária, a sócio-economia solidária. Ela se situa nesse campo das questões alternativas. Nós não somos, não queremos ser um lixo de mercado dentro do capital. Nós queremos destruir a lógica do capital e construir uma sociedade controlando as riquezas, os destinos das suas próprias necessidades, porque essa coisa de que as necessidades são ilimitadas e os recursos são escassos é só papo furado.

As necessidades abstratas do ser humano são ilimitadas: a necessidade de amar, da beleza, do prazer, da alegria. Mas a necessidade material é limitada. A gente precisa de pouco para viver. A gente confunde muito as coisas. Não é a natureza humana que quer assim; as coisas são construídas culturalmente.


Penso que o campo é esse. A gente tem que pensar e construir uma outra forma de fazer economia e a economia solidária está situada neste campo. Isto é novo e é motivo de esperança.


Fonte: Jornal Mundo Jovem (http://www.mundojovem.com.br/)