quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Raloim com jerimum? Não. VIVA O SACI!

 
São Luís do Paraitinga satiriza dia das bruxas com 'raloim caipira', dedicado ao Saci

Cidade conhecida por sua tradição festeira, São Luís do Paraitinga realiza a Festa do Saci anualmente, sempre no final de outubro. O mito do moleque arteiro motivou a comemoração no município, que se nega a celebrar o halloween – dia das bruxas nos moldes "importados" dos Estados Unidos. Entre contos de "causos", histórias, música, teatro, brincadeiras e oficinas, a festa reúne observadores, curiosos e interessados em saber mais sobre a cultura popular.

Em São Luís, a festa, em 2010, ganhou um significado maior. No início daquele ano, a cidade enfrentou uma enchente que deixou seu patrimônio arquitetônico parcialmente destruído, e agora está sendo reerguida do estrago que as chuvas causaram ao município. Mas, ao visitá-la, é possivel perceber que a festividade da população não foi abalada na tragédia.

Mesmo ainda com o centro histório cercado de obras, resultado da lentidão com que os recursos públicos têm entrado na cidade, São Luís e seus moradores esperam pelos turistas com a mesma receptividade costumeira. Praticamente todos os restaurantes e pousadas já estão reabertos.

O "Raloim caipira" é uma iniciativa da Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci). A festa insere na cultura local uma comemoração dedicada a um personagem genuinamente brasileiro. Das suas artimanhas, ouve-se histórias de moradores que afirmam conviver há anos com as traquinagens do Saci.

No estado de São Paulo, 31 de outubro é oficialmente o "Dia do Saci e seus Amigos". Leis semelhantes definiram a data em São Paulo (SP), São Luís do Paraitinga (SP), Guaratinguetá (SP), Embu das Artes (SP), São José do Rio Preto (SP), Uberaba (MG), Poços de Caldas (MG), Vitória (ES), Fortaleza (CE) e Independência (CE).

Fonte: Rede Brasil Atual

Acesse aqui a interessante crônica "Que raloín, que nada!", de Mouzar Benedito. A seguir, alguns trechos:
"Ela é uma velha feia e malvada. Tem uma verruga peluda na ponta do nariz, encurvado que nem bico de gavião. No raloín, quer dizer, Halloween, como escrevem os gringos e os que os seguem, lembram-se dela e ameaçam: um suborno (em forma de doces) ou usam as maldades dela contra nós (travessuras)."

"O Saci não é antibruxas, gosta delas. E a festa delas, com brincadeiras também para o Saci, inclui uma abóbora, só que não para assustar pessoas: como boas catarinenses, elas apreciam abóbora com camarão."

"Escolhemos o Saci como símbolo do dia 31 porque ele é o nosso mito mais conhecido em todo o Brasil, não há lugar onde não o reconheçam. Além disso, é o mais simbólico: no início era um índio, depois foi adotado pelos negros e virou negro também e, por fim, ganhou o gorrinho mágico dos europeus. É a síntese do brasileiro."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

MOSTRA DE CINEMA em São Paulo

A Mostra Internacional de Cinema começou na sexta-feira (22) em São Paulo. Em sua 34ª edição, o evento traz mais de 450 filmes e, em parceria com o Instituto Tomie Ohtake e o Museu de Arte de São Paulo (Masp), apresenta exposições em homenagem ao centenário de Akira Kurosawa e fotos inéditas do cineasta alemão Wim Wenders, responsável pela criação de um dos cartazes usados para divulgar o evento deste ano.

Os mais de 450 títulos estão divididos entre as seções: Perspectiva Internacional, Competição Novos Diretores e Mostra Brasil. O Festival da Juventude completa sua 11ª edição, com sessões gratuitas, em três salas: Cine Livraria Cultura, Cine Sabesp e Museu da Imagem e do Som (MIS).

Em 2009, a Mostra foi o primeiro festival a ter uma seleção online através de exibições na internet. A 34ª edição manterá a iniciativa que funcionará como uma opção de programação, aberta a todo o Brasil. O streaming é gratuito, roda em todos os navegadores e estará disponível para os 500 primeiros acessos. Haverá legendas em português e os filmes escolhidos serão disponibilizados depois da primeira exibição na programação da Mostra. Os filmes selecionados podem ser consultados no site da Mostra e a exibição será no site Mubi.
Desde o sábado (16), a Central da Mostra (localizada no Conjunto Nacional, na Paulista), está vendendo ingressos para as sessões mas alerta que o pacote de 20 ingressos já está esgotado. O evento segue até o dia 4 de novembro.

A programação completa da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está disponível na página oficial.

Fonte: Rede Brasil Atual (cuja revista foi censurada pelo PSDB, conforme decisão do TSE).

Para você, ELEITOR INDECISO...

Serve e muito, para os que já decidiram também:

Esta mensagem é dedicada a você, eleitor consciente e crítico, cujo voto é fundamentado em argumentos, que ainda está indeciso. Ela é dividida em tópicos para facilitar: você pode ir direto onde lhe interessa.

Tudo o que será exposto nesta mensagem terá dados e respectivas fontes (clique nos links), diferentemente de tantos spams eleitorais e correntes apócrifas que surgem por aí.

Se você discordar de algo - o que é perfeitamente legítimo - o debate poderá se dar em cima de evidências, em vez de boatos e achismos.

Os argumentos defendidos são:

Tópico 1: Não é verdade que houve "aparelhamento da máquina administrativa" na Era Lula;
Tópico 2: Não é verdade que "houve mais corrupção no governo Lula"; pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal;
Tópico 3: Não é verdade que "a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC";
Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula "enfraqueceu as instituições democráticas"; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas;
Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.

Boa leitura e boa reflexão: e um desejo para que a campanha, doravante, seja marcada pelo debate de projetos de país, propostas concretas e dados, não por calúnias, boatos e achismos.

Votei nos candidatos do PSOL no 1º turno. Porém, diante das circunstâncias, defendo um "voto crítico" para Dilma 13 - Presidente, baseado na reflexão a seguir.


Tópico 1: Não é verdade que houve "aparelhamento da máquina administrativa" na Era Lula.

Você já deve ter ouvido por aí, tantas vezes, que o PT e o governo Lula "aparelharam o Estado", usando dos cargos em comissão para empregar amigos, apaniguados e militantes, certo?

Pois bem, então lhe perguntamos: quantos são esses cargos em comissão no Poder Executivo federal? São 200 mil, 80 mil, 20 mil? Você faz ideia de qual é esse número preciso?

Primeiramente, acesse este documento aqui: o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, última edição, de julho deste ano.

Vejamos: na página 33, você pode ver que há hoje, no Executivo federal, um total de 570 mil servidores civis na ativa.

Os ocupantes de DAS (cargos de direção e assessoramento superior) são 21,6 mil (página 107).

Porém, os de recrutamento amplo, ou seja, aqueles que foram nomeados sem concurso, sem vínculo prévio com a administração, são quase 6 mil (página 109), ou pouco mais de 1% do total de servidores civis. Se você considerar apenas os cargos que são efetivamente de chefia (DAS 4, 5 e 6), não chegam a mil e quinhentos.

Parece bem menos do que se diz por aí, não é mesmo? Agora vamos lá: para que servem esses cargos? Não custa dizer o óbvio: em democracias contemporâneas, o grupo que ganha o poder via eleições imprime ao Estado as suas orientações políticas. Em alguns países, o número de comissionados é maior (caso dos EUA); em outros, menor (como na Inglaterra). É natural que seja assim.

O que dizem os estudos internacionais sérios sobre a máquina administrativa brasileira? Vá aqui e baixe um estudo da OCDE sobre o tema. No Sumário Executivo, você verá que o Brasil não tem servidores públicos em excesso, embora o contingente de servidores esteja em expansão e ficando mais caro; que há necessidade de servidores sim, para atender às crescentes demandas sociais; que uma boa gestão de RH é essencial para que isso se concretize; e que o governo federal deve ser elogiado pelos seus esforços em construir um funcionalismo pautado pelo mérito.

Vamos então falar de meritocracia? O que importa é que o governo Lula perseguiu uma política de realização de concursos e de valorização do servidor público concursado sem precedentes. Basicamente, com os novos concursos, a força de trabalho no serviço público federal retomou o mesmo patamar quantitativo de 1997. A maior parte dos cargos criados pelo PT, porém, foi para a área de educação: para as universidades e institutos técnicos já existentes ou que foram criados. Volte no Boletim Estatístico e veja a página 90, sobre as nov as contratações em educação. Houve muitos concursos para Polícia Federal e advocacia pública, além de outras áreas essenciais para o bom funcionamento do Estado.

O governo Lula regulamentou os concursos na área federal (veja os arts.10 a 19 deste Decreto), recompôs as carreiras do ciclo de gestão, dotou as agências reguladoras de técnicos concursados (veja a página 92 do Boletim Estatístico), sendo que nos tempos de Fernando Henrique, elas estavam ocupadas por servidores ilegalmente nomeados.

E então? você ainda acha que houve inchaço da máquina pública? Dê uma olhada nos dados deste estudo aqui.

E os tucanos, que alegam serem exímios na gestão pública? O que têm para mostrar?

Nos tempos de FHC, o contingenciamento levou à sistemática não realização de concursos. Para atender às demandas de serviço, a Esplanada nos Ministérios se encheu de terceirizados, temporários e contratados via organismos internacionais, de forma ilegal e irregular. Eram dezenas de milhares deles. Em 2002, apenas 30 servidores efetivos foram nomeados! O governo Lula teve de reverter isso, daí a realização de tantos concursos públicos.

Você sabia? O Estado de São Paulo, governado por José Serra, tem proporcionalmente mais ocupantes de cargos em comissão por habitante do que o governo federal.

E os técnicos, concursados, como são tratados por lá? Bem, eles não estão muito felizes com o Serra não.

Talvez porque as práticas que o PSDB mais condena no governo federal sejam justamente aquelas que eles praticam no governo estadual...

Tópico 2: Não é verdade que "houve mais corrupção no governo Lula do que no FHC"; pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal.

Muitos eleitores revelam a sua insatisfação com o governo Lula enumerando casos como o mensalão, as sanguessugas, Erenice Guerra, Waldomiro Diniz, Correios. Porém, uma memória que não seja curta pode se lembrar de casos como SUDAM, SUDENE, Anões do Orçamento, mensalão da reeleição, SIVAM, etc, para ponderar que mais do que exclusividade deste ou daquele governo, escândalos de corrupção são um mal da nossa cultura política.

Cientistas sociais sabem que é muito difícil "medir" a corrupção. Como a maior parte dela nunca vem à tona, não chega a ser descoberta, noticiada e investigada, nunca se tem uma noção clara do quanto um governo é realmente corrupto. O que importa, então, é o que um governo faz para combater essa corrupção. E nisso, o governo Lula fica muito bem na fita.

Vamos começar pela Polícia Federal. Logo no início do governo, foi feita uma limpeza no órgão (até a revista Veja chegou a publicar uma elogiosa reportagem de capa). Desde então, foram realizados uma série de megaoperações contra corruptos, traficantes de drogas, máfias de lavagem de dinheiro, criminosos da Internet e do colarinho branco (veja uma relação dessas operações aqui). Só em 2009, foram 281 operações e 2,6 mil presos. Desde 2003, foram quase dois mil servidores públicos corruptos presos. Quem compara os números não pode negar que a PF de FHC não agia, e que a PF de Lula tem uma atuação exemplar.

E a Controladoria-Geral da União? Inicialmente, FHC criou a tímida Corregedoria-Geral da União. Foi Lula que, a partir de 2003, realizou concursos públicos para o órgão e expandiu sua atuação. Hoje, a CGU é peça-chave no combate à corrupção. Graças ao seu trabalho, quase 3 mil servidores corruptos já foram expulsos. A CGU contribuiu no combate ao nepotismo e zela pelo emprego das verbas federais via sorteios de fiscalização. E o Portal da Transparência, você conhece? Aquele "escândalo" do mau uso dos cartões corporativos só apareceu na imprensa porque todos os gastos das autoridades estavam acessíveis a um clique do mouse na Internet.

Vamos ficar nesses casos, mas poderíamos citar muitos outros: o fortalecimento do TCU como órgão de controle, um Procurador-Geral da República que não tem medo de peitar o governo (o do FHC era chamado de "engavetador-geral da República", lembra-se?), o Decreto contra o nepotismo no Executivo Federal. Numa expressão, foi o governo Lula quem "abriu a tampa do esgoto".

Se uma pessoa acreditar menos numa mídia que é claramente parcial, e mais nas evidências, a frase "o governo Lula foi o mais republicano da nossa história" deixará de parecer absurda. Que tal abrir a cabeça para isso?

Tópico 3: Não é verdade que "a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC".

Quando se fala em política macroeconômica implantada por FHC, refere-se geralmente ao tripé câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário. Vamos poupar o leitor do economês: basicamente, o preço do real em relação ao dólar não é fixo, flutuando livremente; o Banco Central administra os juros para manter a inflação dentro de um patamar; e busca-se bons resultados nas transações com o exterior para pagar as contas do governo.

Nem sempre foi assim, nem mesmo no governo FHC: até 1998, o câmbio era fixo. Todo mundo se lembra que, em janeiro de 1999, o dólar, que valia pouco mais de um real, valorizou subitamente para quatro reais. Talvez não se lembre que isso ocorreu porque FHC tinha mantido artificialmente o câmbio fixo durante 1998, para ganhar a sua reeleição - que teve um custo altíssimo para o país - e logo depois, vitorioso, mudou o regime cambial (no que ficou conhecido como "populismo cambial"). O regime de metas de inflação foi adotado só depois disso. Ou seja, FHC não só não adotou uma mesma política macroeconômica o tempo em que esteve no Planalto, como também deu um "cavalo-de-pau" na economia, que jogou o Brasil nos braços do FMI, para ser reeleito.

Que política macroeconômica de FHC então é essa, tão "genial", que o Lula teria mantido? A estabilidade foi mantida, sim, e a implementação do Plano Real pode ser atribuída ao governo FHC (embora Itamar Franco, hoje apoiador de Serra, discorde disso).

Mas Lula fez muito mais do que isso. A inflação não voltou: as taxas de inflação foram mantidas, entre 2003 e 2008, num patamar inferior ao do governo anterior. E com uma diferença: a estagnação econômica foi substituída por taxas de crescimento econômico bem maiores, com redução da dívida pública.

A alta do preço das commodities no mercado externo favoreceu esse quadro (reduzindo a inflação de custos), mas não foi tudo. O crescimento da economia também foi favorecido pelo crescente acesso ao crédito: em 2003, foi criado o crédito consignado, para o consumo de massa de pessoas físicas - e deu certo, puxando o crescimento do PIB ; o BNDES se tornou um agente importantíssimo na concessão de crédito de longo prazo (veja esta tabela), induzindo outros bancos a paulatinamente fazerem o mesmo.

Os aumentos reais do salário mínimo e os benefícios do Bolsa Família foram decisivos para uma queda da desigualdade social igual não se via há mais de 40 anos: foi a ascensão da classe C.

Isso tudo é inovação em relação à política econômica de FHC.

E quando bateu a crise? Aí o governo Lula foi exemplar. Ao aumentar as reservas em dólar desde o princípio do governo, dotou o país de um colchão de resistência essencial. Os aumentos reais do salário mínimo e o bolsa família possibilitaram que o consumo não se retraísse e a economia não parasse - o mercado interno segurou as pontas enquanto a crise batia lá fora. E, seguindo o receituário keynesiano - num momento em que os economistas tucanos sugeriam o contrário - aumentou os gastos do governo como forma de conter o ciclo de crise. Deu certo. E a receita do nosso país virou motivo de admiração lá fora.

No meio da pior crise global desde a de 1929, o Brasil conseguiu criar milhões de empregos formais. Provamos que é possível crescer, num momento de crise, respeitando direitos trabalhistas, sendo que a agenda do PSDB era flexibilizá-los para, supostamente, crescer.

Você ainda acha que tucanos são ótimos de economia e petistas são meros imitões?

Então vamos ao argumento mais poderoso: imagens valem como mil palavras.

Dedique alguns minutos a este vídeo, e depois veja se você estaria feliz se Serra fosse presidente quando a crise de 2008/2009 tomou o Brasil de assalto.

Se você tem mais interesse nessa discussão, baixe este documento aqui e veja como andam os indicadores econômicos do Brasil neste período de crescimento, inflação baixa e geração de empregos.

Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula "enfraqueceu as instituições democráticas"; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas.

Mostramos no tópico 2 que os órgãos de controle e combate à corrupção se fortaleceram no governo Lula. Além deles, os outros Poderes continuaram sendo independentes do Executivo. O Legislativo não deixou de ser espaço de oposição ao governo (que Arthur Virgílio não me deixe mentir), e lhe impôs ao menos uma derrota importante. O Judiciário... bem, além de impor ao governo derrotas, como no caso da Lei de Anistia, está no momento julgando o caso do mensalão, o que dispensa maiores comentários.

E a imprensa? Ela foi silenciada, calada, em algum momento? Uma imagem vale por mil palavras - clique aqui.

O que se vê, na verdade, é o oposto. Foi o Estadão, que se diz guardião da liberdade, quem censurou uma articulista por escrever este texto, favorável ao voto em Dilma.

Neste vídeo, uma discussão sobre as verdadeiras ameaças à liberdade de expressão.

Sobre democracia, é impossível não abordar um tema que foi tratado à exaustão neste ano de 2010: o terceiro Plano Nacional dos Direitos Humanos, PNDH-3.

Muito se escreveu sobre seu caráter "autoritário", sobre a "ameaça" que ele representaria à democracia. Pouco se escreveu sobre o fato de ele ser não uma lei, mas um Decreto do Poder Executivo, incapaz, portanto, de gerar obrigações em relação a terceiros. Não se falou que se tratava de uma compilação de futuros projetos de governo, que teriam que passar pelo crivo do Poder Legislativo. Não foi mencionado que ele não partiu do governo, mas de uma Conferência Nacional, que reuniu os setores da sociedade civil ligados ao tema. E pior, a imprensa deliberadamente omitiu que seus pontos polêmicos já estavam presentes nos Planos de Direitos Humanos lançados no governo FHC.

Duvida? Leia este texto e este aqui. Ou ainda, veja com seus próprios olhos: neste link, os três PNDH's.

Olha lá, por exemplo, a temática do aborto no PNDH-2, de 2002 (itens 179 e 334).

Por fim: você realmente acha que um governo que traz a sociedade civil para discutir em Conferências Nacionais, para, a partir delas, formular políticas públicas, é antidemocrático? Pense nisso.

Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.

Quem acompanhou as eleições de 2004 e 2008 para a Presidência dos Estados Unidos sabe quais golpes baixos o Partido Republicano - aquele mesmo, conservador, belicista, ultrarreligioso - utilizou para tentar desqualificar os candidatos do Partido Democrata. Em 2004, John Kerry foi pintado como o "flip flop", o "duas caras". Em 2008, lançaram-se dúvidas sobre a origem de Obama: questionaram se ele era mesmo americano, ou se era muçulmano, etc. Em comum, uma campanha marcada pelo ódio, pela boataria na Internet, pela disseminação do medo contra o suposto comunismo dos candidatos da esquerda e a ameaça que representariam à democracia e aos valores cristãos.

Você nota aí alguma coincidência com a campanha de José Serra, a partir de meados de setembro de 2010?

Não?

Então vamos compilar algumas acusações, boatos e promessas que surgiram nas ruas, na internet, na televisão e nos jornais, com o objetivo de desconstruir a imagem da candidata adversária, ao mesmo tempo em que tentam atrair votos com base em mentiras e oportunismo.

Campanha terceirizada:

- Panfletos distribuídos de forma apócrifa disseram que Dilma é assassina, terrorista e bandida, com argumentos dignos da época da Guerra Fria;

- E você acha que isso foi iniciativa isolada de apoiadores, sem vínculo com o comando central da campanha? Sinto lhe informar, mas não é o caso: é o PSDB mesmo que financiou e fomentou esse tipo de campanha de baixo nível.

Oportunismo religioso:

- José Serra começou a ir a missas constantemente, de forma tão descarada que chamou atenção dos fiéis;

Promessas de campanha oportunistas:

- O PSDB criticou o Bolsa Família durante boa parte do governo Lula; mas agora, José Serra propõe o 13º do Bolsa Família;

- O PSDB defende a bandeira da austeridade fiscal e da contenção dos gastos públicos - foi no governo FHC que se criou o "fator previdenciário"; mas para angariar votos, Serra prometeu um salário mínimo de 600 reais e reajuste de 10% para os aposentados;

- O PSDB criticou o excesso de Ministérios criados por Lula, mas nesta campanha, Serra já falou que vai criar mais Ministérios;

- O DEM do vice de Serra ajuizou ação no STF contra o ProUni, mas agora diz que defende o programa;

- O PSDB se pintou de verde para atrair os eleitores de Marina no 1º turno, mas é justamente o partido de preferência da bancada ruralista e dos desmatadores da Amazônia;

Incoerência nas acusações:


- Serra tentou tirar votos de Dilma dizendo que ela era favorável ao aborto, sendo que ele, como Ministro, regulamentou a prática no SUS;

- Mônica Serra chamou Dilma de "assassina de crianças", sendo que ela mesma já teve que promover um aborto;


- Serra acusa Dilma de esconder seu passado, mas ele mesmo esconde muita coisa;

- A campanha de Serra lança dúvidas sobre o passado de resistência de Dilma, mas omite que dois dos seus principais apoiadores, Fernando Gabeira e Aloysio Nunes Ferreira, pegaram em armas na resistência contra a ditadura, e que ele, Serra, também militou numa organização do tipo;

- Serra associa Dilma a figuras controversas como Renan Calheiros, Fernando Collor e José Sarney, mas esconde o casal Roriz, Roberto Jefferson, Paulo Maluf, ACM Neto, Orestes Quércia e outros apoiadores nada abonadores. Aliás, antes do Indio da Costa (que aliás pertence a uma família de tutti buona gente), quem era cotado para vice dele era o Arruda, do mensalão do DEM, lembra-se?


E então: você ainda acha que a campanha de Serra é propositiva, digna, limpa? Um candidato que se vale de expedientes tão sujos para chegar ao poder merece o seu voto?

Por fim: então por que votar em Dilma Rousseff?

Se você está disposto a dar uma chance para Dilma nestas eleições e quer saber bons motivos para tanto, remetemos aos três textos abaixo.


http://www.amalgama.blog.br/10/2010/para-voce-que-nao-votou-na-dilma/ (especialmente para quem votou em Marina no 1º turno)

http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/10/10/frei-betto-dilma-e-a-fe-crista/ (se você acha que a questão religiosa importa, quando bem utilizada no debate eleitoral)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esquecimento é coisa séria...


Três irmãs, de 90, 88 e 86 anos de idade viviam na mesma casa.
Uma noite a de 90 começa a encher a banheira para tomar banho, põe um pé dentro da banheira, faz uma pausa e grita:
- Alguém sabe se eu estava entrando ou saindo da banheira?
A irmã de 88 responde:
- Não sei, já subo aí para ver....
Começa a subir as escadas, faz uma pausa, e grita:
- Eu estava subindo as escadas, ou descendo?
A irmã caçula, de 86, estava na cozinha tomando chá e escutando suas irmãs, move a cabeça e pensa:
"Na verdade, espero nunca ficar assim tão esquecida".
Bate três vezes na madeira da mesa, e logo responde:
- Já vou ajudá-las, antes vou ver quem está batendo na porta.
Brilhante vídeo sobre carreira de Serra: a história ocultada pela campanha. Clique aqui.

Des-governo em São Paulo: o que o PSDB quer esconder.
Vejam no blogue abaixo o que o des-governo dos tucanos provoca em SP. A grande mídia esconde. Serra e Alckmin fingem que está tudo bem. E os eleitores paulistas, simplesmente, aceitam esse (mau) exemplo de gestão e de falta de transparência. Se não há denúncias a respeito da corrupção em SP, é porque não se tem a força necessária na Assembleia Legislativa para instaurar uma CPI. Por outro lado, o governo do PSDB tem e terá maioria para derrubar qualquer tentativa de investigação. Clique aqui.

Entrevista da Rádio CBN com Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil, revela que apesar de ser o estado mais rico do país, São Paulo não tem política de transparência. Clique aqui.

Privataria do Serra na era FHC: um jogo de cartas marcadas. Ao contrário do que diziam os tucanos, o Brasil ficou mais pobre depois das privatizações. Em "O Brasil Privatizado", o jornalista Aloysio Biondi mostrou o processo de desmonte de empresas públicas no país durante os governos de FHC e suas consequências para a população: "Os prejuízos que o achatamento de tarifas e preços trouxe para as estatais teve efeitos que o consumidor conhece bem: nesses períodos, elas ficaram sem dinheiro para investir e ampliar serviços. Ou, dito de outra forma: não é verdade que os serviços das estatais tenham se deteriorado por incompetência". Veja por que isso aconteceu e quais foram os resultados que a política de privatização deixou para o país na área social e econômica. Baixe e leia o livro de Biondi aqui e uma resenha a respeito das privatizações no Blog do Paulinho.

Serra vai entregar nosso petróleo às multinacionais. Clique aqui e veja a diferença do atual modelo da gestão de energia petrolífera (que a Dilma manterá) e o modelo que o Serra defende (por meio de seu assessor David Zylberstajn, em entrevista publicada no jornal Valor Econômico, em 5/10/2010).

Serra e os escândalos do PSDB. Muitas pessoas falam que votarão no Serra por causa dos "escândalos do governo Lula". Mas se esquecem dos escândalos no governo FHC (cujo governo o Serra participou ativamente, como ministro): o dos Anões do Orçamento, dos precatórios, do DNER, da compra de votos para a reeleição em 1998, da Sudene, da Sudam, do Fat/Planfor, das Privatizações, do Proer, da pasta Rosa, do Banestado e dos Bancos Marka e Fonte-Cidam, para citar apenas alguns. Mas o que mesmo foi feito de combate sistemático à corrupção pelo governo tucano? Quem não se lembra da figura do "engavetador-geral da República"? Veja a reportagem a respeito desses escândalos e do que o governo Lula (através da Controladoria Geral da União) fez em relação ao combate à corrupção clicando aqui.

Censura existe. Veja onde:

Cristianismo e preconceito: nada a ver!

Superar preconceitos
Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales


O Evangelho de Cristo revela sua originalidade na força em derrubar velhos preconceitos. (...) Basta trazer as realidades à luz do Evangelho, e começam a ser vistas de maneira mais humana e verdadeira, livre de preconceitos.

O que mais admira nos posicionamentos de Cristo é constatar como ele não se deixou aprisionar pelas teias dos preconceitos que havia em seu tempo. Soube desfazer as amarras das normas arcaicas do puro e do impuro, da observância cega do sábado, e das prevenções hipócritas dos escribas e fariseus.

O Evangelho nos oferece um exemplo típico da lenta e persistente superação de preconceitos, que Jesus empreendeu conscientemente e levou adiante com tenacidade. Trata-se da superação dos preconceitos contra os samaritanos.

O próprio Evangelho constata que "os judeus, com efeito, não se dão com os samaritanos" (Jo 4,9). Pois bem, mesmo assim, Jesus decide passar pela Samaria. Ele começa por aí.

O Evangelho enfatiza que Jesus "precisava passar pela Samaria" (Jo 4,4). Na verdade, não precisava, não. Aliás, todos preferiam desviar a Samaria, subindo à Galiléia pelo vale do Jordão, e não pelas montanhas da Samaria. Este "precisava", portanto, fazia parte dos planos conscientes de Jesus. Ele começava a desmontar um velho preconceito. Seriam necessárias muitas marteladas para moldar um novo relacionamento entre judeus e samaritanos.

Chegando na Samaria, Jesus soube proporcionar o surpreendente diálogo com a Samaritana. Sobre ela pesava uma dupla carga: era mulher, e samaritana. Jesus enfrentou a situação com serenidade, paz de espírito e abertura de coração. Os próprios discípulos se surpreendem vendo o Mestre detido em conversa com uma mulher. Ficam atônitos e sem palavras.

Em seguida, Jesus aceita ficar dois dias na aldeia dos samaritanos. Fato impensável para a mentalidade daquele tempo. Em outro episódio, quando os próprios samaritanos, por sua vez, manifestam seu preconceito contra os judeus e não querem oferecer hospitalidade, Jesus sai em sua defesa, e repreende os discípulos que pensavam em represálias. "Não sabeis de que espírito sois!", adverte Jesus.

Ele não perdia oportunidade de elogiar os samaritanos. Ao contar a história dos dez leprosos, sublinhou que o único a agradecer era samaritano.

Mas o arremate final no desmonte deste preconceito Jesus o deu ao contar a história conhecida como a "parábola do bom samaritano" (Lc 10,29-37). O sacerdote e o levita passam ao largo do homem caído à beira do caminho, vítima dos assaltantes. Só o samaritano tem compaixão dele.

Pois bem, tal era o preconceito, que todos ligavam os samaritanos à idéia do mal. Na cabeça do povo só havia "maus samaritanos". Jesus inverte o preconceito, e realiza uma transformação semântica mais difícil do que mudar água em vinho, como tinha feito em Caná. Ele cunhou a imagem do "bom samaritano".

Assim, samaritano passou a ser sinônimo de bom, compassivo, solícito. Agora, até a Igreja quer ser "samaritana".

Tal a força do Evangelho. Ele derruba preconceitos. Mas aí vem a grave questão: nossa evangelização continua derrubando preconceitos, ou continua vendendo preconceitos?

Mais ainda: a Igreja, como toda instituição, corre o risco de consolidar preconceitos, para justificar sua organização tradicional. Os preconceitos firmados servem de apoio à ordem estabelecida.

É o caso da posição das mulheres na Igreja. O próprio Evangelho já teria munição suficiente para inverter o preconceito que ainda pesa sobre elas. Mas, além disto, o Novo Testamento traz relatos muito elucidativos, mostrando como o Espírito foi abrindo os olhos da Igreja, para que ela superasse preconceitos que já não tinham mais sustentação, e que eram impedimento para o próprio Evangelho.

A batalha de Cristo não terminou. Seu Evangelho precisa continuar derrubando preconceitos.

Ver também os seguintes escritos do bispo sobre as eleições: "Resguardar valores" e "Desmonte de uma falácia".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CERTIDÃO DE QUITAÇÃO ELEITORAL


Olha só este serviço do TSE. Muito bom.

Você ainda guarda aquelas tirinhas de papel, para comprovar que votou nas últimas eleições? Afinal de contas sem essa comprovação não dá para tirar Passaporte, CTPS, etc. não é mesmo?

Pois pode mandar suas tirinhas para reciclagem... Basta apresentar a Certidão de Quitação Eleitoral, que não custa um centavo sequer e você mesmo imprime em sua casa.

A validação da certidão (confirmação de autenticidade) será feita pelo órgão ou instituição onde for apresentada, caso julgue necessário.

Acesse o site abaixo e preencha com os dados que você encontra no seu Título de Eleitor:

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sete Maravilhas

Ouvimos freqüentemente falar das "Sete Maravilhas do Mundo", mas pouco sabemos sobre elas, não é?

Na verdade, poderíamos chamá-las de "As Sete Maravilhas do Mundo Antigo", pois são obras artísticas e arquitetônicas construídas na Antigüidade. Elas são tão antigas que, das sete maravilhas, apenas uma resiste até os dias de hoje. São as pirâmides de Gizé, no Egito, construídas há mais de 4 mil anos.

A origem da lista é quase um mistério, mas ela acabou sendo atribuída ao poeta e escritor grego Antípatro de Sídon, que falou sobre as obras em um poema. Então, saiba quais são as sete maravilhas e depois clique aqui para saber um pouco mais sobre cada uma delas.
1. Pirâmides de Gizé (Egito)
2. Jardins Suspensos da Babilônia (Iraque)
3. Estátua de Zeus Olímpico (Grécia)
4. Templo de Artemis (Turquia)
5. Mausoléu de Halicarnasso (Turquia)
6. Colosso de Rodes (Grécia)
7. Farol de Alexandria (Egito)

Há quem diga que as pirâmides do Egito, por exemplo, não foram construídas por escravos (conforme reportagens divulgadas no começo de 2010). Mas o historiador grego Heródoto (485?-420a.C.) nos conta que o faraó Kufu (ou Quéfren) obrigou os escravos a trabalharem de sol a sol, sob muitos castigos, para a construção da pirâmide. E até os anos de Heródoto, o povo não podia nem escutar ou falar em seu nome.

Heródoto viveu em uma época em que ainda havia sacerdotes que cultuavam o abominável panteão egípcio, com seus milhares de deuses. Teve a história em primeira mão, passada a ele pelos próprios sacerdotes e pelos livros do Egito. O povo tinha tal tradição oral, ainda vigente em sua época. Ele viajou por todo o Egito e teve tais informações colhidas e relatadas pelo próprio povo e clero egípcios.