sexta-feira, 9 de julho de 2010

NUNCA DIGA: "ISSO É NATURAL"!

A reflexão logo após a figura foi-me enviada através do grupo eletrônico "3º Setor". Achei interessante e, por isso, resolvi tornar público a você, minha amiga e meu amigo.



Nós vos pedimos com insistência, nunca digam:

"Isso é natural", diante dos acontecimentos de cada dia, numa época em que reina a confusão, em que corre sangue tão facilmente, em que o arbitrário tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza. Nunca diga: "Isso é natural", para esses fatos e esses sentimentos, pois corremos o risco de eles se tornarem imutáveis !

Bertold Brecht
Minha alma está de joelhos e meu coração em prantos. O sofrimento de tantos não pode passar em vão ante nossas telas e olhos – urge prestarmos atenção a ele como um alerta aos homens e mulheres de nosso tempo.

Quando nossos corações permanecem anestesiados ante as tragédias e hecatombes, às mortes aos milhares e à fome, aos atos de vandalismo e às demonstrações de egoísmo se sobrepondo à razão, à ética, à fraternidade – é hora do ser humano refletir, meditar e questionar o que está fazendo de sua vida em sua tão efêmera e letal caminhada.

Será que ao aumentarem, na maior parte do mundo, a qualidade tecnológica e as liberdades individuais, aumentam em equivalência, as revelações do real estado de espírito e de evolução moral da humanidade? Será essa humanidade, aquela que é capaz de atos emocionantes e de superações espantosas? (Será essa humanidade) a mesma que é capaz de lutar para salvar da extinção grupos de animais, de bradar por direitos e inclusões, de se indignar com atos de corrupção e de egoísmo?

A mesma humanidade que cria belezas é a mesma que nos assusta em hediondez! Não podemos permanecer anestesiados ante as mortes, a miséria e o sofrimento de milhares de criaturas nos diversos rincões do planeta e, em especial, aos abatidos pela mais recente fúria dos elementos (cujos efeitos arrasadores poderiam ter sido minimizados se não houvesse o predomínio do egoísmo e da loucura humana em esquecer que tudo é temporário, inclusive o poder, a glória e a riqueza material).

É profundamente consternante o sentimento de impotência ante tanto sofrimento, que poderia ter sido evitado ou ao menos minimizado, tanto no episódio da tsunami quanto ao do Katrinna. Quantas vidas, sonhos, planos, alegrias – tudo que pertence ao que chamamos viver – foi irresponsavelmente destruído pela insanidade que ataca os homens do poder político-econômico? É chegada a hora da tão decantada separação do joio e do trigo! Afinal as advertências das escrituras sagradas nos soam coerentes!

A nossa indignação deve dar lugar às ações práticas e contundentes:

A escolha criteriosa de candidatos e o acompanhamento de perto de seu trabalho, pós eleição;

Cultura, arte, educação fraterna e códigos de ética repassados aos nossos filhos como nosso maior compromisso com as nossas gerações e com o mundo;

A defesa e a busca incansável pela justiça e equidade;

Atitudes e mentes desarmadas de quaisquer tipo de preconceitos, para que as relações sejam mais sinceras e duradouras, para que sejam firmados compromissos com a vida verdadeira, com a qualidade do espaço de se viver, dos ambientes de trabalho, moradia e convivências;

Exigir de autoridades e estudiosos planos de emergências para atendimento da população e o fortalecimento dos laços fraternos de socorro e auxílio, ante tragédias, sejam elas de que origens forem;

A total e clara consciência de somos transitórios, temporários, breves e muito, muito frágeis;

Mas que apesar dessas fraquezas inquestionáveis, detemos a maior de todas as opções: de nessa breve caminhada, cultivarmos campos, pomares e jardins, criarmos obras de artes de todo jaez, para que os nossos subsequentes saibam o quanto é gratificante passar por onde passamos, que não se envergonham de seguir nossos passos e que nossos caminhos conduzem ao crescimento e por fim, darem continuidade ao milagre da vida, que sem fraternidade e encantamento, de nada valerá!

Com minha alma ajoelhada e abraçada aos que estão perplexos de dor, medo e revolta...

Elizabeth Magalhães Lopes

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