sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A esperança se alastrou...

Até bem pouco tempo, o "mundo ocidental" só ouvia falar em ditadura na Coreia do Norte, no Irã e - apesar de todos os méritos do regime comunista no campo social - em Cuba. Às vezes, também na Venezuela. Mas dois países  misteriosamente entraram nessa lista (será que o Mister M explica essa mágica?). Antes de invadir o Kuwait, Saddam Hussein também não era considerado ditador.
Agora, por que será que boa parte das pessoas "descobriram" que no Egito há ditadura e que a (até então) inexpressiva Tunísia foi governada por um ditador, que foi expulso recentemente por um levante popular? Resposta: porque os ditadores desses países são importantes aliados dos Estados Unidos para que haja uma certa "estabilidade" política na região (rica sobretudo em petróleo, fosfato e outros produtos minerais), a fim de garantir os lucros das grandes empresas desse império.

E para que esses interesses não fossem prejudicados, a chamada "grande imprensa" (ou a mídia burguesa) simplesmente se calou diante dos desmandos desses opressores... Até que tunisianos e egípcios se revoltaram e graças à divulgação feita nas mídias alternativas (blogues, redes sociais, etc.) não houve como esconder esse descontentamento popular, fruto da tomada de consciência, e da coragem de lutar pela liberdade!
Diante dos motivos que levaram esses povos a se rebelarem, pergunto: o que o "Tio Sam" fez durante todo esse tempo? Cadê o empenho em implantar o seu jeito de fazer "democracia" no Egito e na Tunísia? Na Venezuela o presidente é eleito, mas ele é tachado de "ditador". O que dizer então do Ben Ali e do Mubarak? Veja o resumo a seguir, de um especial produzido pelo Jornal Brasil de Fato (do qual sou assinante), que transmite os fatos a partir do ponto de vista dos oprimidos.
Agora, só resta saber se tudo isso irá resultar em melhoria na vida desses povos ou não. Dependerá do rumo dos acontecimentos e das decisões que eles tomarão: lutar até o fim ou aceitar "esmolas" de democracia...





 Os povos árabes perderam a paciência. Os protestos contra os respectivos governos extrapolaram a região do Magreb (norte da África) e ganharam proporção em boa parte do mundo árabe. Em vários países, multidões estão indo às ruas como resposta à opressão política, à falta de acesso à alimentação plena e ao desemprego cujos responsáveis, dizem, são os regimes autocráticos apoiados pelas potências ocidentais, sobretudo pelos estadunidenses. Veja aqui entrevista com o sociólogo José Farhat fala sobre o assunto. Confira na edição desta semana do Brasil de Fato a cobertura completa sobre os acontecimentos no Egito e na região do Magreb com análises dos especialistas Arlene Clemesha, historiadora, Lejeune Mirham, sociólogo, e Mohamed Habib, egipício diretor do Instituto da Cultura Árabe.

Leia também o excelente artigo de Ignácio Ramonet: Tunísia, Egito, Marrocos...Essas “ditaduras amigas”

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