segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Fraternidade: Respeito a Deus significa respeito à vida no planeta


Fraternidade e a Vida no Planeta
Pe. Reynaldo Ferreira de Melo

A Quaresma terá início no próximo dia 9 de março, e com ela vamos viver mais uma Campanha da Fraternidade, cujo lema será "A criação geme em dores de parto (Romanos 8,22)", e o tema: "Fraternidade e a Vida no Planeta".

No tempo da Quaresma vivemos um tempo de conversão, de oração e de jejum, tendo como principal objetivo a celebração do Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Neste sentido, a Campanha da Fraternidade é para nós uma grande motivadora de nossos exercícios quaresmais, que nos farão pessoas renovadas, sendo instrumentos de vida nova para o mundo, clamando por justiça, solidariedade, enfim, a verdadeira fraternidade.

"A Campanha da Fraternidade é um excelente auxílio para bem vivermos a Quaresma. Com sua metodologia Ver-Julgar-Agir, baseada, a cada ano, num Tema e num Lema, a Campanha nos oferece uma ótima oportunidade para superarmos qualquer dicotomia (divisão) entre fé e vida" - texto base.
"A criação geme em dores de parto"
João Vitor Mariano - Uraí, PR

A Campanha da Fraternidade de 2011 tem como tema “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema “A criação geme em dores de parto”. A CNBB nos convida a uma reflexão profunda sobre as transformações que nosso planeta vem sofrendo, principalmente no que se refere ao clima.

Existe um pensamento que diz mais ou menos assim: “Deus perdoa sempre, o homem de vez em quando e a natureza nunca”. Estamos vivenciando nos últimos anos a fúria da natureza provocada pela ação inconseqüente do ser humano. A devastação da natureza, o aumento da poluição, a exploração dos recursos naturais, tudo isso causa um impacto terrível no meio ambiente e a resposta da natureza é rápida e assustadora. Basta ver os noticiários para presenciarmos as tragédias que acontecem por toda parte. De um lado irmãos morrendo aos milhares, soterrados pelos deslizamentos das encostas ou levados pelas enchentes. Do outro lado vidas sendo ceifadas pelo fogo ou pela seca. “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). É o grito desesperado da Mãe Terra pedindo socorro! E diante de tudo o que acontece, o homem muitas vezes, para não assumir a própria erro, culpa a Deus. Porém, somos nós mesmos os culpados por todas essas reações agressivas da natureza. Deus entregou ao homem um verdadeiro paraíso; mas o homem, movido pelo egoísmo e impulsionado pelo consumismo, em nome do progresso, vem destruindo a natureza e provocando a sua fúria.

O profeta Isaías, muito antes da vinda do Cristo, já havia profetizado o que hoje estamos presenciando. Veja o que ele disse: “A terra será totalmente devastada, inteiramente pilhada, porque o Senhor assim o decidiu. A terra está na desolação, murcha; o mundo definha e esmorece, e os chefes do povo estão aterrados. A terra foi profanada por seus habitantes, porque transgrediram as leis, violaram as regras e romperam a aliança eterna. Por isso a maldição devora a terra e seus habitantes expiam suas penas; os habitantes da terra são consumidos, um pequeno número de homens sobrevive” (Isaías 24, 3-6). Este texto do Profeta Isaías é um forte apelo à conversão. Ou nos convertemos a Deus e mudamos a maneira de nos relacionar com a natureza, ou amanhã seremos nós também vítimas da sua fúria.

“A criação geme em dores de parto”. Todos nós sabemos que uma mãe quando está perto de dar à luz um filho, começa sentir dores provocadas pelas contrações. Os médicos orientam que se as contrações acontecerem de 20 em 20 minutos e for diminuindo o tempo de uma para outra, a mãe deve ir para o hospital porque está chegando a hora de dar à luz uma nova vida. É justamente isso o que está acontecendo com nossa Mãe Terra. São Paulo ao dizer que “a criação geme em dores de parto” está afirmando que o tempo do nascimento de uma “nova terra” (Isaías 65,17) está cada vez mais próximo. Esta é a promessa de Deus para nós: “novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça” (II São Pedro 3,13).

Que possamos aproveitar esse momento em que a Igreja nos fornece subsídios sobre o referido tema, para fazer um profundo exame de consciência e mudar nossa maneira de nos relacionar com a Mãe Terra. O único caminho para um futuro melhor é plantar boa semente e cuidar com carinho para que germine, cresça e dê bons frutos.

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