quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não existe voto útil, só eleitor mal informado

Muitos eleitores, revoltados com a corrupção e com o descaso de muitos políticos, afirmam que votarão no "menos pior", naquele que tem chances de ganhar. Ou ainda que votará naquele que, segundo as pesquisas, tem mais chances de derrotar um candidato que não querem que saia vitorioso. Esse é o chamado “voto útil”.

Pensando nessas pessoas, reproduzo o que diz Pablo de Assis, em seu blogue:



Uma coisa que ouvimos muito é “eu não voto em candidato X porque sei que não vai ganhar. Por isso vou votar no candidato Y que tem mais chances de derrotar o candidato Z, que não quero que ganhe.” Uma coisa que já digo de cara: esse pensamento é errado e é errado porque nosso sistema eleitoral é de DOIS turnos, não de um. Em outras palavras, não preciso votar em quem tem mais chances de ganhar ou de derrotar o oponente, pois se não houver maioria absoluta (50% +1 dos votos válidos), a eleição vai para o segundo turno, onde os dois mais votados concorrem pela maioria dos votos válidos.

Então, se quero votar no candidato X, que tem pouca intenção de votos nas pesquisas, eu posso e devo votar nele. Não preciso votar em candidato Y, só porque ele tem mais chances de derrotar o candidato Z que você não quer de jeito nenhum que vença porque o candidato Z só irá vencer se ele tiver maioria dos votos. Para que isso não aconteça, basta não votar nele E não votar em branco ou nulo! Assim, as eleições irão para o segundo turno e as chances de seu candidato concorrer lá aumentam.

Mesmo ao escolher um deputado (federal e estadual), um senador ou vereador, deveríamos votar independente de quem nós acharmos que irá ganhar ou que tem mais chances de vencer. Em outras palavras, se o nosso voto for a expressão fiel dos nossos desejos de um país mais justo, independente das “chances” de esse candidato ser eleito, certamente o resultado das eleições sera completamente diferente.

Voto "de protesto":  adianta?

Queria aproveitar o momento para dar um recado àquelas pessoas que farão seu "voto de protesto", achando que, escolhendo um candidato “exótico” ou engraçadinho, vão dar uma lição naqueles políticos profissionais.

Acontece que, nas eleições a deputado federal, deputado estadual e vereadores, os eleitos são determinados com base na quantidade de votos que o seu partido teve. Qual a consequência disso? Se você votar num candidato X que teve excelente votação, você pode ajudar a eleger um mau candidato do mesmo partido do candidato X.

Um exemplo prático é a eleição de Enéas Carneiro, para deputado federal por São Paulo, em 2002. Ele teve mais de um milhão e meio de votos e ajudou a eleger outros oito deputados, todos candidatos pela coligação do extinto Prona, que tiveram pouquíssimo votos. Vanderlei Assis, seu correligionário, por exemplo, garantiu seu lugar em Brasília, com apenas 275 votos.

O que fazer?

Escolha o seu candidato baseado nestes quatro critérios:
1) Sua história: quem ele é, o que ele fez ou faz; se ele já teve algum mandato anterior: como foi a sua atuação; se tem alguma condenação ou não, etc.
2) Que projetos defende, quais são as suas posições diante das grandes questões.
3) O programa de governo de seu partido.
4) Saber quem financia a campanha do candidato e do partido (empresas e/ou pessoas físicas). O empresário que "doa" muito dinheiro para uma campanha vai querer favores depois. Essa é a raiz da corrupção.

Além disso, depois das eleições:

1) Devemos acompanhar não só o trabalho não só dos candidatos que receberam nosso voto, mas de todos aqueles que foram eleitos.
2) Pressionar nossos parlamentares (através de e-mails, abaixo-assinados, manifestações de rua, movimentos sociais e sindicais, conscientização de nossos amigos e colegas) para que eles aprovem leis que promovam a justiça social; o respeito ao meio ambiente; a valorização do trabalho, dos direitos individuais e sociais, e dos serviços públicos...

Se você usar de forma consciente, o Voto pode mudar sua vida e a vida de toda sua comunidade para melhor.

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